
SUA MAJESTADE O REI DA TAILÂNDI
COMEMORAÇÕES DE 60 ANOS NO TRONO
(1ª Parte)
Numa fresca manhã do dia 5 de Dezembro de 1927, às 8:45, quando Mom (título real da Corte Tailandesa) Sangwan Mahidol deu à luz um bebé. A maternidade foi no Hospital de Cambridge (actualmente Hospital Mt Auburn) nos estados de Massachusetts, Estados Unidos de América. O Dr. W. Steward Wittthmore assistiu a parturiente.


Porém, o Dr. Steward, estaria longe o seu pensamento que tinha “aparado” um bebé que viria, passado 18 anos, a ser entronizado Rei da Tailândia. Mais tarde e em declarações ao jornal “Globe de Boston”: “Era um excelente bebé e sua mãe nunca se queixou durante o parto”.
O Dr. Steward assinou o certificado de nascimento e dado o nome: Bebé Songkla. Na data do nascimento do Bebé Sonkla não houve cerimonial, apenas o regozijo de um casal de Príncipes, cujo o pai era filho do Rei Rama V. Chulalongkorn. O casal vivia num modesto apartamento: 63 Long Avenue, Brooklin em Bóston. Três horas depois do nascimento o Príncipe Mahidol enviou um telegrama a sua mãe a Rainha Savang Vadhana (Vadaná na pronúncia da língua portuguesa) que escolhesse um nome para o Bebé Songkla.
Nove dias mais tarde um telegrama chegou do Reino do Sião com o nome escolhido e, este, pelo Rei Rama VII (irmão do Príncipe Mahidol): “Bhumibala Adulyadej” (mais tarde passou para: “Bhumibol Adulyadej” que traduzido para o português: “ União de Uma Nação de Incomparável Força”.
Naquele apartamento de Príncipes do Reino do reino do Sião, o rebento Bebé Sonhkla foi bem-vindo e junta-se a sua irmã de 6 anos a Princesa Galyani Vadhana ( nascida em Londres) e ao Príncipe Amanda, de dois anos, (nascido em Heidlberg, Alemanha).

Rei Bhumibol, nos verdes anos em Lausana na Suíça
Um ano depois do Príncipe Bhumibol ter nascido não se previa que no Reino do Sião iria haver mudanças significativas no curso da Dinastia Chakri. O reino tinha sido governado com extrema segurança pelo seu bisavô Rei Mongkut (1851-1868), seguido por seu avó, o Rei Chulangkorn (1868-1910) e seu tio o Rei Vajiravudh (1910-1925). Monarcas que resistiram aos diversos desejos de países ocidentais que, por vezes, tentarem colonizarem o Reino do Sião.
Reis que usaram a filosofia da diplomacia e cujo ensinamentos foram seguidos e vindos do Rei Mongkut (Rama IV) que além de possuir uma inteligência rara exprimia-se e escrevia em excelente inglês.
Porém, o Reino do Sião, é o único país que desde o Mar do Sul da China até ao Oceano Índico, no Sudeste Asiático, que conseguiu resistir e impor-se às diversas investidas da pretensão de ser colonizado. O que não aconteceu às nações vizinhas: Malásia, Cambodja, Laos, Vietname e a Birmânia.

Princesa Mãe, Príncipe Ananda, Princesa Galyani e o Príncipe Bhumibol na Suiça
O Príncipe Mahidol nas suas previsões, de adolescente, não estaria o envolvimento na vida protocolar da Corte. Seu meio-irmão, Rei Rama VII que tinha sido entronizado, em 1910, após a morte de seu pai o rei Chulalongkorn. Decide-se por uma educação no estrangeiro e de regresso ao Sião aplicar os ensinamentos, granjeados, ao serviço do Povo siamês.
Encontra a vocação de médico quando na Alemanha estudava educação naval e resolve mudar-se para os Estados Unidos e licenciar-se em medicina na Universidade de Harvard.
Consigo e sempre ao seu lado, do Príncipe Mahidol, está sua esposa “commoner” Sangawn Talapat que contraíram o matrimónio em 1920.
Entretanto o Príncipe seguia os estudos na Universidade Harvard, Mom Sangwan, diploma-se em enfermagem e economia no “Colégio Simmons”. Em 1950 a revista do Colégio Simmons, em retrospectiva da vida da instituição inseria: “Os Bostianos várias vezes eram impressionados quando por eles passava uma jovem bonita, vestindo trajo oriental, com uma cesta no braço fazendo as compras nas lojas na área “ Coolidge Corner”.


Príncipes Bhumibol e Ananda Príncipe Bhumibol admira a neve na Suiça
Apesar das possibilidades, económicas, da família Songkla, vivem num modesto apartamento, com uma cozinha, na 329 Longwood Avenue. Príncipe Mahidol é médico interno no Hospital Lying-In, em Boston. Um médico que partia, depois das chamadas urgências, em ambulâncias; subia escadas para acudir e minorar os padecimentos dos doentes.
Depois dos seus turnos de serviço no “Hospital Lyin-In” e sem aulas na Escola Médica Harvard, está ajudar, no apartamento Mom Sangwan, a cozinhar e a tratar das duas crianças do casal. Um ano depois do nascimento do Bebé Songkla, o Príncipe Mahidol obtém o licenciamento em medicina e regressa a Banguecoque cheio de entusiasmo para exercer a profissão de médico no Hospital Siraraj em Banguecoque.
Mas o Príncipe fica desapontado porque não pode exercer a profissão no Hospital Siraraj dada a sua condição de Príncipe Celestial. Pelo amor à profissão deseja empregar os conhecimentos adquiridos nos Estados Unidos e minorar os males dos tailandeses. O Príncipe Mahidol deixar a sua família em Banguecoque e vai para Chiang Mai (norte da Tailândia). É médico residente no Hospital MCCormic (uma instituição, missionária, hospitalar americana). O Príncipe Mahidol é incansável no tratamento de doentes; horas a fio, junto dos enfermos, durante a noite e dia e chega ao ponto de doar o seu sangue a quem o necessita


Os Príncipes inseparáveis no seu dia-a-dia Escuteiros
Aflige o Príncipe uma doença dos rins e, entretanto ignora, sabendo da gravidade do seu mal. Quatro meses depois de se ter mudado para Chiang Mai, viaja até Banguecoque para assistir a um funeral. Depois das cerimónias fúnebres o Príncipe pretende levar consigo sua família para o norte. Infelizmente nunca mais regressou.
Quatro meses mais tarde, em Setembro de 1929 o Príncipe Mahidol morreu. O pequeno Príncipe Bhumibol tem apenas dois anos de idade.
Não deixa de ser dramático o relato da Princesa Galyani Vadhana nos seus dois livros, os trechos: “Mae Lao Hai Fang” (Minha Mãe disse-me) e “Chao Lek Lek, Yuwa Kasat” (Pequenos Jovens Reis):
“ Eu brincava em frente do edifício do palácio, na rua passava muita gente, quando alguém me veio chamar para ir ter com minha mãe. Estava sentada num sofá comprido junto a uma janela e vestia um robe. Quando cheguei levantou-me e abraçou-me de encontro ao peito. Disse-me algo que eu não lhe respondi e começou a chorar. Chorei com ela pelo facto de a ver chorar e a soluçar, convulsivamente, sem me ter apercebido, naquele momento que meu Pai tinha falecido. Os meus irmãos Ananda e Bhumibol não entenderam a tragédia. Minha mãe teve o cuidado, devido à idade, de não lhes transmitir. Guardamos luto por um ano. A vida da família Mahidol continuou apesar da perda sofrida. A Princesa Mãe preparou a educação dos filhos e enviou-os para as escolas. O Príncipe Bhumibol para o infantário “Matter Dei”, o Príncipe Ananda para a escola Dhepsirin e a Princesa Galyani para a escola Rajini”.
Ventos de Mudança
A depressão económica no começo do ano de 1930 espalhou-se pelos países do mundo e a Tailândia foi um dos afectados e a economia atingiu uma, nunca experimentada, baixa económica que viria a provocar uma forte desmoralização, entre o cidadão comum. Um grupo de jovens tailandeses que tiveram uma educação esmerada em escolas do estrangeiro (nota do autor bolsas pagas pela Casa Real Tailandesa), aproveitam-se da recessão económica e pretendem desarticular a “Monarquia Absoluta” e transformar a Tailândia numa nação democrática. E, na clandestinidade, forjam um “Golpe de Estado”
Na manhã de 24 de Junho de 1932, o exército tomou o controlo de Banguecoque numa altura que o Rei Prachadhipok (Rama VII) estava de férias no Palácio Klai Kangwol em Hua Hin.
O monarca tinha em mente de cambiar o sistema, governativo, vigente na Tailândia e o faria na altura própria. O Rei cedeu aos “golpistas”, não ofereceu resistência para evitar um “banho de sangue”. Depois do golpe, infelizmente, as relações entre o Rei e o Governo, imposto pela força, não nutriu bom relacionamento. As tensões, aumentam. Relacionamento fracturado sem a hipótese de reparação entre o Rei Prachadhipok e o executivo do Governo. Espalham-se os rumores que o Rei abdicou.

A Rainha Rambai Barni e o Rei Prajadipok
O jovem Príncipe Amanda por várias vezes foi mencionado que seria entronizado; facto que viria a surpreender os tailandeses. A Princesa Galyani refere no seu livro:
Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasat:
“o Príncipe Ananda está na primeira linha para a sucessão. A Lei de Sucessão tornada pública em 1924 tinha sido emitida pelo Rei Vajiravudh. A Lei estipulava que no futuro os Reis da Tailândia teriam de pertencer a linhagem directa de Reis ou Rainhas. E, eliminados os que sofressem de doenças psicológicas; não pertenceram à religião budista; casados com mulheres estrangeiras; que por qualquer motivo o seu estado tivesse sido reevocado; ou desqualificados da linha de sucessão”.
Os rumores continuam a correr em Banguecoque que o Rei Prachadhipok iria mesmo abdicar. Outros rumores se seguem e vaticinam que o jovem Príncipe Ananda vai ser o futuro Rei da Tailândia.
Um dia o Príncipe Mahidol ao chegar a casa, vindo da escola, diz à Princesa Mãe:
“que os seus amigos chamaram-no “Ong Poey”.
A Princesa mãe compreendeu que na língua chinesa era o número oito, ou seja o Rei Rama VIII, mas não explicou ao filho príncipe. Fora das preocupações em cima dos rumores que corriam estava a Rainha Savang Vadhana, avó do Príncipe Ananda; consorte do Rei Chulalongkorn; de estado de saúde frágil mas de enorme influência nos meios políticos. A Rainha Savang Vadhana actua como matriarca da família Mahidol e ordenou que os seus netos os Príncipes Mahidol deveriam ser educados no estrangeiro. Há duas escolhas: a Suíça em primeiro lugar e o Reino Unido em segundo.
Em 1933, quando o Príncipe Bhumibol tem cinco anos e meio de idade, a família instala-se numa pequena “flat” número 16 da Estrada Tissot, a 15 minutos a pé do centro da cidade de Lausana, na Suíça. Os dois príncipes irmãos frequentam a “Ecole Miremont” primária.
Naquela modesta “flat” os dois jovens passam a fase da escola como simples estudantes.
Estão longe do Sião e alheios ao que se está, politicamente, a passar. Mais uma vez chega rumor que era certo que o Rei seu tio tinha abdicado. Repórteres de jornais da Europa procuram em todas as escolas da Suíça os príncipes do Sião, um deles tinha sido indigitado para ser entronizado Rei.

Princesa Galyani, Príncipes Ananda e Bhumibol em Lausana
Debalde os príncipes não foram encontrados. Num excerto de uma carta da Princesa Mãe dirigida à Rainha Savang, esta inserida no livro “Chaonai Lek Lek, Yuwa Kasat” explicava a razão porque finalmente a imprensa tinha recolhido algumas informações e esta foram fotografias, de quando Nhanda (o nome diminutivo do príncipe) regressava a casa da escola. Imagens que ela tinha autorizado a recolher.
A abdicação do Rei Rama VII dá-se em Fevereiro de 1934. O Governo Tailandês envia representantes à Suíça para abordar a Princesa Mãe que além de mãe actuava como tutor dos dois príncipes. A Princesa Mãe recusa-se a responder dizendo que a crucial decisão deveria ser da Rainha Savang Vadhana e do Rei Rama VII. Entretanto informa os enviados especiais que a saúde do príncipe era frágil e não seria recomendável ir viver num clima tropical. O médico de família tinha recomendado para o Príncipe estivesse na Suíça.
Rei Ananda
Em 2 de Março de 1934 Rei Rama VII abdicou da Coroa em Londres. Faleceu em 1941 sem nunca ter voltado à Tailândia.
Depois da abdicação o Parlamento tailandês acordou, unanimemente, que fosse convidado o Príncipe Ananda para ocupar o Trono nos termos da Lei da Sucessão. Entretanto a Rainha Savang Vadhama abençoou o Príncipe Ananda e cognominado o Rei Rama VIII. O Príncipe Ananda tem apenas 9 anos.
A Princesa Galyani no livro “Chaonai Lek,Lek, Yuwa Kasat”: diz-nos: “o Príncipe Bhumibol com a idade de 7 anos e sendo conhecida a acessão ao trono de seu irmão Príncipe Ananda o facto passa-lhe despercebido”.
Certo e teria sido pela sua pouca idade. Na família Mahidol, igualmente, o excita mente passou ao lado. Os príncipes divertiram-se com a maneira protocolar dos representantes do Governo siamês que foram à Suiça para uma audiência com o jovem Rei Ananda (ainda não entronizado).

A Princesa Mãe no final de sua vida. Faleceu em 1995
As individualidades representativas do Governo do Sião tentaram convencer a Princesa Mãe que o pequeno monarca, Ananda, viesse para a Tailândia onde lhe seria garantida uma educação privilegiada dentro de uma atmosfera pomposa e protocolar nos termos do seu estatuto de Rei do Sião. Tiveram de acordar com as pretensões da Princesa Mãe: o Príncipe Ananda ficaria na Suíça a seguir os trâmites de sua educação. E acrescentou aos enviados: “ o Príncipe cresceria incógnito como outra qualquer normal criança/estudante “.
A Princesa Mãe num apontamento transmitido a sua sogra a Rainha Savang Vadhana descreveu as conversas havidas entre ela e os enviados do Governo Tailandês:
“ Chao Phya ( o chefe da delegação) sugeriu-me que o Rei deveria deixar de frequentar a escola. Professores e tutores lhe seriam indicados em Banguecoque. De pronto lhe respondi: “ A sua educação em privado em Banguecoque o Rei iria sofrer pelo isolamento e a falta dos seus amigos condiscípulos e isso era um inconveniente para o seu crescimento sadio”.
O Chao Phya insistiu:
“ Era necessário que o Rei não se misturasse com pessoas vulgares e teria que aprender os hábitos da Corte, isto seria em nome e benefícios do povo tailandês, que tinha entrado no sistema, governativo, democrático”. Frequentam, depois, os dois príncipes, após a sugestão do Chao Phya, a escola privada “Nouvelle de la Suisse Romande”.
O Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol aprendem as línguas: Latim, Alemão, Inglês e Espanhol, assim como a jardinagem e a carpintaria. Em casa têm lições da língua tai, história e o Budismo.

O Príncipe Mahidol. Foto pelo pincel de S.M. o Rei Bhumibol
A Princesa Mãe deixa o pequeno apartamento para uma vila de três andares, “Villa Vadhana in Pully” nos arrabaldes de Lausana. A família real não vive dentro de luxos ou grandezas. O jovem Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol continuam a viver como normal “rapazes” e a conviveram com os amigos de sua idade. Colhem maçãs, peras, uvas nos pomares para ganharem uns francos. Deliciam-se com a neve, atiram bolas uns aos outros e fazem bonecos.
A idade que separava o Rei Ananda e o Príncipe Bhumidol era de dois anos. A Princesa Galyani, irmão mais velha diz: “ Eles brincavam em todos os lados igual a dois gémeos”.
Rei Ananda, em 1938, regressou à Tailândia na idade de 13 anos. Começa, então, a sua vida de monarca e as exigências, protocolares, relativas à Corte. Conta a Princesa Galyani:
“ O Príncipe Bhumibol caminha um passo atrás do seu irmão o Rei Ananda, é-lhe conferido o título real: Prachao Nongyather Chaofah Bhumibol Adulyadej. Entranto o Príncipe é conhecido pelo Povo tailandês: “Chaofah Waen” (o Príncipe de óculos).


Depois de 59 dias do Rei Ananda, permanecer na Tailândia, na altura sem vigor político. Os 18 milhões de súbditos siameses tiveram conhecimento que o novo Rei, estava no Sião não mostraram nenhum entusiasmo ou simpatia. Uma das razões foi que depois da abdicação de King Rama VII as cerimónias, pomposas, reais, a que o Povo se tinha habituado pararam abruptamente. Seriam, então, colocadas no devido lugar com a presença do Rei Ananda.
Um Talentoso Príncipe
Príncipe Bhumibol quando criança é visto como um jovem alegre e o gosto pela comunicação com as pessoas. É uma figura real querida da família. Aos 10 anos começou a usar óculos escuros a conselho de um seu professor. Óculos que o Príncipe Bhumibol nunca deixou de usar. Muito cedo demonstra talento para a prática de desportos, música, ciência e tecnologia e a arte de carpintaria.
A execução do seu primeiro desporto aconteceu na idade de 8 anos e, em 1935, durante a primeira lição da arte de esquiar na neve. Mais tarde o príncipe pratica outros desportos: o badmínton, a natação e em todos é excelente. Na tecnologia o príncipe demonstrou inclinação para a mecânica e a electricidade. Sua irmã a Princesa Galyani dá conta:
Um dia a Princesa Mãe viu Phra Anucha (o novo título do Príncipe Bhumibol) brincar com um carro brinquedo. Carro que lhe tinha sido oferecido pela Nan (empregada doméstica de casa).
Princesa Mãe perguntou a Nan por que razão tinha ela oferecido o brinquedo, automóvel de lata e rodas, ao príncipe? Nan respondeu: “Foi o prémio pelo facto do Príncipe lhe ter consertado a máquina de costura.....” Outro facto e que nunca se viria apartar da memória da Princesa Galyani:
“ Na idade de 10 anos Príncipe Bhumibol transformou os fios de cobre de uma bobine num rádio. (Nota do autor o rádio do príncipe era uma “galena” que começa a nascer e a entusiasmar os estudantes, em Portugal passado 20 anos, vocacionados para electricidade).

Os Príncipes numa viagem de estudo, militar, ao estrangeiro
O príncipe ganhou um rolo de fio de cobre numa “rifa da escola”. Viria depois a receber um prémio escolar pela construção do mencionado rádio. Conseguiu adquirir “ore” preto (minério galenite), muito difícil encontrar à venda, para receber ondas de rádio. O rádio foi finalizado, recebe sinais, das emissoras, em perfeita sintonia e é usado, simultaneamente, pelos dois príncipes irmãos, através de pequenos auscultadores no ouvido.
Regressado à Tailândia o Rei Ananda recebe uma rádio Philips como presente. Os dois irmãos ocupam o mesmo quarto e compartilham o mesmo rádio!
Mais tarde quando o Rei Ananda ocupa outro quarto, deixou o rádio “Philips” ao Príncipe Bhumibol. Mas o Príncipe Bhumibol não deseja que seu irmão esteja privado de comparticipar da audição do rádio que lhe tinham oferecido. Montou no seu quarto o alto-falante para que ouvisse os programas de rádio. Outra das várias actividades, durante a juventude, desperta no Príncipe Bhumibol a paixão pela construção de barragens. Príncipe Bhumibol é um jovem dos “sete instrumentos”. Na cozinha de casa da Suíça experimentava os seus dotes culinários.

S.M. o Rei Bhumibol e Rainha Sirikita (Lausana)
Ele e o irmão preparavam receitas inventadas por eles. Príncipe Bhumidol criou o seu favorito prato: “kai pra athit” (ovos de sol), uma excelente omeleta, segundo relata a Princesa Galyani, guarnecida com grãos de arroz, cozidos, depois torrados que configurava o sol e a sombra.
A música foi outra vocação dos príncipes. Na adolescência começaram a ouvir a Princesa Galyani a tocar piano. Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol têm algumas lições mas acabam por desistir.Princípe Bhumibol, pouco depois, opta pelo acórdeom.
Um dia o Rei Ananda quando assistia a um concerto num hotel inspirou-se e adquiriu um saxofone em segunda mão por 300 francos.
A Princesa Mãe contribuiu com metade do custo e a outra metade pelo “Clube Patapoun” (este clube foi fundado pelos alunos da escola que frequentavam na Suiça). Mas quando o instrutor musical chegou a casa da Princesa Mãe para ministrar a primeira lição ao Rei Ananda este foi ao quarto do Príncipe Bhumibol e apresenta-o ao professor de música e que o substitui-se nas lições de saxofone. Foi nesta altura que o Príncipe Bhumibol descobriu que tinha vocação musical. Depois de duas semanas de lições o rei Rama VIII adquiriu um clarinete.
O professor divide as classes em duas lições de 30 minutos para cada um. Depois das classes o instrutor com o seu saxofone formou um trio musical com o Rei Ananda e o Príncipe Bhumibol. O Príncipe Bhumibol (Pracha Anucha) volta à Suiça para seguir os estudos. O transporte continua a ser a bicicleta de casa para a escola e conservatório musical. Durante o período de dois anos de permanência comprou um clarinete por 200 francos. Rei Ananda compra um saxofone, segunda mão. Entretanto os seus amigos têm mais jeito para tocar piano.
Rei Bhumibol
Em 5 de Dezembro de 1945, aniversário do Príncipe Bhumibol, com o Rei Ananda regressam à Tailândia, da Suiça. A 2ª Guerras Mundial tinha chegado ao fim e paz encontrada. As duas figuras reais tinham estado ausentes 7 anos da Tailândia. O Rei Ananda e o Príncipe recebem as boas-vindas, com as ruas apinhadas de gente e o Povo siamês, com isto, manifestam a sua lealdade à Dinastia Chakri.
Durante seis meses Rei Ananda e Príncipe Bhumibol presidem a várias cerimónias e visitam as províncias fora de Banguecoque. No princípio estava planeado um mês de viagem a Tailândia mas estendeu-se por seis meses, isto porque a popularidade do Rei Ananda cresce dia a após dia. O Rei Ananda apresenta-se aos seus súbditos com modéstia e sem características pretensiosas.
A 15 de Fevereiro de 1946 o jornal “The Suparb Burud Prachamit” publicou em relação ao rei Ananda o seguinte: “ O Rei usou um simples método do seu modo de vida sem pompa ou cerimónias e apresentou-se como uma simples pessoa.”
Agora a tragédia fez parar a grande popularidade do jovem Rei, depois de breve dias em Banguecoque, vindo da Suiça de ter resumido a sua educação. O Rei Ananda, Rama VIII foi encontrado morto, no seu quarto de dormir, na manhã do dia 9 de Junho de 1946.
No mesmo dia o Príncipe Bhumibol é nominado como sucessor do Rei Rama VIII e com o título real Rama IX.
Casamento e Coroação
Dois meses e meio depois da misteriosa morte de seu irmão, Rei Bhumibol voltou à Suiça para seguir a sua educação na Universidade de Lausana. Antes tinha planeado o licenciamento em ciências, mas trocou-o por leis e ciências políticas para se preparar na vida que iria ter pela frente: o Rei da Tailândia.

Os Reis da Tailândia em trajes de Grande Gala
A 4 de Outubro de 1948, o Rei Bhumibol sofre um acidente de viação quando guiava na auto-estrada de Genebra para Lausana. A polícia no seu relatório, datado em 9 de Outubro e baseado numa notícia da “Associeted Press”, o Rei guiava um pequeno automóvel, desportivo, na direcção de Genebra quando um camião que seguia à sua frente travou bruscamente para não atropelar dois ciclistas; carro do Rei enfeixou-se na parte de trás do pesado veículo. Por três meses o Rei Bhumibol ficou internado no hospital para se recompor do grave acidente que lhe viria afectar a vista direita.
Entretanto no hospital o Rei Bhumibol recebe diversas visitas e entre as muitas registam-se: Mom Rajawong Sirikit Kitiyakara, filha de S.A. o Príncipe Chandaburi Suranath (Mom Chao Nakkhatra Kitiyakara), Embaixador da Corte Siamesa em Paris e Mom Luang Bua Kitiyakara. Mom Rajawong Sirikit Kitiyakara, nunca abandonou o Rei Bhumibol no leito do hospital e nasce, entre os dois, uma verdadeira história de amor.
A paixão do Rei Bhumibol, por Mom Sirikit, cresce dia após dia. Pediu-lhe a mão e recebe a promessa de casamento no dia 19 de Julho de 1949.
Rei Bhumibol regressa a Banguecoque no princípio do ano de 1950, o monarca vai estar muito ocupado com três significativas missões: as cerimónias fúnebres do Rei Ananda; o casamento real com Mom Sirikit e a sua coroação. O funeral real aconteceu em 29 de Março de 1950; o casamento com Mom Sirikit, de 17 anos de idade é presidido pela Rainha Savang Vadhama, no Palácio Patum. Os jovens, reais, nubentes passam a lua-de-mel no Palácio Kangwol, estância balneária de Hua Hin.
No dia 5 de Maio de 1950 tem lugar a grande cerimónia da coroação com toda a pompa real. Pouco depois da coroação os Reis da Tailândia (Mom Sirikit já Rainha) voltam à Suiça para seguir os trâmites da educação do Rei Bhumibol.
Regressam a Banguecoque e para residir, definitivamente, em 5 de Dezembro de 1951. Com eles a Princesa Ubol Ratana, de oito meses, nascida a 5 de Abril de 1951. A Rainha Sirikit brinda o Rei Bhumibol com mais três filhos. O Príncipe Herdeiro Maha Vajiralongkorn, em 28 de Julho de 1952; a Princesa Maha Chakri Sirindhorn em Abril de 1955 e a Princesa Chulaborn em Junho de 1957.
José Martins
Continua
P.S. Tradução livre e as informação foram obtidas de várias fontes.