Saturday, April 10, 2010

A. F. Marques Pereira (1839-1881) sobre a fundação de Macau pelos portugueses

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Obs.: João Botas, jornalista da TDM (Televisão de Macau) contactou-me há três dias que tinha dúvidas quanto ao local da morte do Cônsul António Feliciano Marques Pereira, a solicitar-me se eu teria alguma informação. Depois de vasculhar nos meus arquivos, particulares, cheguei à conclusão que o cônsul Marques Pereira faleceu em Bombaim em 1881 e não em Macau.

A. Marques Pereira nasceu em Lisboa, em 1839, e faleceu em Macau, em 1881. Jornalista profissional, publicou vários romances em folhetins, além de traduções.
A. F. Marques Pereira foi ainda cônsul de Portugal no Sião (Tailândia) - de 15 de janeiro de 1875 até 1 de abril de 1881, sendo que em 1875 ficou também com as dependências consulares de Malaca e Singapura. Chegou ao território em 1859, onde casou e se viria a notabilizar como escritor e investigador histórico. Apaixonado pelo jornalismo, que exercera em Lisboa, foi redactor do Boletim do Governo de Macau, de 1860 a 1862, e fundou e dirigiu o semanário «Ta-ssi- yang-kuo» que se publicou em Macau de Outubro de 1863 até Abril de 1866. Publicou vários livros e, a nível administrativo, exerceu o cargo de superintendente da emigração chinesa e de procurador de assuntos sínicos. Foi ainda nomeado secretário da missão diplomática à corte de Pequim, da qual era chefe o governador de Macau, Isidoro Francisco Guimarães e, dois anos mais tarde, deslocar-se-ia de novo a Pequim, desta feita numa missão chefiada pelo governador Coelho do Amaral. A seu respeito, escreve Manuel Teixeira: «Em 1869, demitiu-se do cargo de procurador de negócios sínicos para se defender das graves acusações que lhe eram assacadas pelo redactor do “Echo do Povo”».Entre as suas obras dedicadas ao Oriente contam-se um Relatório da Emigração Chinesa em Macau, tema de que, nesta colectânea, se dá larga notícia com textos de Andrade Corvo e Eça de Queirós, Alfândegas Chinesas de Macau, de que se publicam alguns excertos, e Efemérides Comemorativas da História de Macau e das Relações da China com os Povos Cristãos, editado em 1868, que viria a ser, daí em diante, peça importante na bibliografia de Macau, fonte de muitos outros trabalhos de investigação.

Eis um excerto de um artigo seu acerca do estabelecimento dos portugueses em Macau no ano de 1557:
A ocupação desta pequena pensínsula, deserta e árida, no meio de pequenas ilhas ainda mais inóspitas, foi sem grandes estorvos obtida pelos navegadores e mercadores portugueses. Então, como depois e agora, todo o precedente dava justiça, na China. Não era pois muito que se tornasse fácil esta concessão a quem já antes a tivera ou a gozara semelhante, não só em diferentes ilhas deste mesmo arquipélago (Ta-mau, San-chuan e Lam-pa-cau) mas até no continente do império, e muito para o norte -- em Ning-pó e em Chin-cheu. Nem tal precedente havia de ser então de pouca notoriedade, pois que do nosso estabelecimento de Ning-pó -- perdido e destruído cruentamente em 1542, não por verdadeiro ódio a todos os portugueses, mas pela indignação suscitada com as imoralidades e roubos de um ouvidor. A mais desta razão do precedente, outra, de não menor valia, alhanou a licença para estabelecer-se Macau. Eram desertas de povoações regulares ou de habitantes pacíficos todas estas paragens do golfo chinês; mas um temido pirata, a que os nossos historiadores dão o nome de Chansi-láo (e que vários historiadores estrangeiros não duvidam que fosse o próprio Chin-chi-lung, pai do célebre Chin-chin-king ou Ho-xin-ga) fazia delas lugar para refúgio e repouso de suas incursões, e de aqui se abalava a miúdo com poderosas armadas, levando a devastação e a pilhagem até junto das muralhas de Cantão. Os portugueses, com o interesse do seu comércio e de cativarem a amizade dos mandarins chineses, deram repetidos combates a este pirata e lograram afinal exterminar-lhe as forças. É tradição constante (ainda que não autorizada por documentos autênticos: o que não admira em coisas da China, e daquele tempo) que de tão relevante serviço e vantajoso auxílio teve imediato conhecimento o imperador Che-tsung (chamado em vida Kia-tsing) o qual, em recompensa, confirmou a concessão de Macau aos portugueses, para aqui habitarem e se regerem por suas leis. São acordes vários escritores e sinólogos em que o pagamento, foro, ou tributo anual de quinhentos taéis não foi por então estipulado, nem ainda depois por longo tempo. Os portugueses, agradecidos ao favor obtido, enviavam anualmente ao imperador, por via de Cantão, dois ou três presentes, que os chins denominavam tributos por costume e por índole do seu idioma. A actual dinastia tártara-manchu, depois da conquista de Cantão, exigiu regularmente, com a denominação de foro, essa anuidade, que primeiramente foi, ao que parece, de mil taéis, baixando depois a seiscentos, e ficando afinal reduzida a quinhentos, ou a quinhentos e quinze com as propinas. Não havia meio de resistir a semelhante exigência, embora fosse contestável o direito com que era feita muitos anos depois de se haver permitido o nosso estabelecimento. Em todo o caso éramos por então os únicos europeus aceitos na China. A intolerância, quando mesmo possível, seria desarrazoada e impolítica, pois não havia comparação de que nos resultasse desaire. E certo que levámos depois esta consideração além de todos os limites aceitáveis, mas ainda então nos não humilhou o paralelo, porque os holandeses e ingleses, no Japão e na China, não vieram mostrar-se mais briosos ou insofridos. Muitos escravos dos portugueses de Macau fugiam a seus donos e iam praticar roubos nas povoações da Ilha de Hian-chan. Este facto deu motivo, em 1573, à construção da muralha e barreira do istmo, a que os nossos ficaram chamando Porta do Cerco e os chineas Kuan-cháp. Em 1583 constituiu-se a governança denominada Senado, e em 1595 foram confirmados à cidade de Macau os privilégios da de Évora. A construção das principais fortificações efectuou-se no decurso dos anos de 1612 a 1638. Por ocasião do ataque e derrota dos holandeses, em 1622, já existia a Fortaleza de S. Paulo do Monte, uma das antigas baterias da de S. Francisco, o Forte de Nossa Senhora de Bom Porto1 e uma bateria no lugar onde depois, em 1629, se ultimou a edificação da Fortaleza de S. Tiago da Barra. Os fortins de S. João e S. Jerónimo e a larga, extensa e sólida muralha que liga com eles, ainda hoje, as Fortalezas de S. Francisco e do Monte, começaram logo a construir-se depois do mencionado ataque, e estavam acabados em 16262. A Fortaleza de Nossa Senhora da Guia teve princípio em Setembro de 1637 e terminou em Março de 1638. Como resposta à especiosa paridade que se tem querido fazer entre o nosso estabelecimento de Macau, desde seu princípio, e as denominadas concessões estrangeiras de Xangai e dos demais portos da China modernamente abertos pelos tratados, basta o argumento da existência de tais fortificações desde tão afastada época. São, é verdade, duvidosos, ou não comprovados por explícitos documentos contemporâneos, os direitos que nos valeram a posse; mas contra o facto simples de, por espaço de três séculos, tremularem as quinas portuguesas sobre estas muralhas, não há litígio que prevaleça. E tanta há sido a força deste vivo e irrecusável testemunho da nossa soberania que nem até conseguiram invalidá-lo em todo o decurso de tão longo tempo as grandes fraquezas e gravíssimos erros (muitos desculpáveis e outros dignos de rigorosa condenação) praticados não só pelo Senado mas também por vários capitães-gerais, governadores e ouvidores -- nem as injustas exigências, afrontosas lesões e artificiosos logros, que os chins inumeráveis vezes nos fizeram, abusando da nossa condescendência, da nossa avareza comercial, da nossa vulgar ignorância, e, finalmente, da nossa falta de força, motivada pela distância e pela indiferença e negligência dos nossos governos da metrópole --antigos e deste século. Construída a Porta do Cerco, foi acordado com os mandarins de Hian-chan que ela se pudesse abrir somente dois dias em cada lua, que nesses dias os chins fizessem aí mercado para os portugueses irem fornecer-se dos géneros que precisassem, que aos chins fosse proibido entrar no estabelecimento e aos portugueses e mais estrangeiros sair ao território chinês e que a dita porta fosse guardada por soldados e um oficial chins. Passados anos, e já depois de existir o Senado, estabeleceu-se o mercado semanal, e o procurador recebia dos madarins uma lista que designava os chinas a quem era permitido vir à cidade, continuando porém a ser proibido a todos habitar nela. Os que se encontravam sem licença, ou não mencionados na referida lista, eram presos à ordem do procurador como vagabundos. Afinal a Porta do Cerco passou a abrir-se todos os dias, o mercado internou-se e fixou-se; pouco a pouco, o zelo dos procuradores enfraqueceu, a brilhante e industriosa actividade chinesa insinuou-se, fez-se benquista, e foi construindo e multiplicando casas, lojas, e oficinas. Era talvez inevitável o sucesso: e oxalá acertássemos em torná-lo útil, em vez de nos ser, como foi, prejudicial por tão longo tempo! (...)

Friday, March 26, 2010

BANGUECOQUE HÁ 90 ANOS


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"A polícia na sua última medida, tomada, foi contra os que seguiam pela New Road, na noite de ontem, pela Bush Lane (Captain Bush Lane) e Nova Rua Klong, na proximidade do Correio Central, e ao norte até à ponte para a travessia que segue ao Klong Padung Krung Kasen, abordando os transeuntes. O Inspector-chefe da Polícia enviou um número de seus homens, na noite passada e prendeu quatro mulheres e um homem que foram apresentados, hoje, perante os magistrados. Continua haver dificuldade em pôr fim a esta prática em Banguecoque - Março de 1900 "

Monday, March 15, 2010

TAILÂNDIA: VIDEOS HISTÓRICOS

Banguecoque há 100 anos

Não sabendo a data do video abaixo é muito provável que o filme tenha 100 anos.

Uma cerimónia real no rio Chao Prya que merece ser estudada e identificar a data. Penso que no Reinado de S.M. o Rei Chulalongkorn

Por agora não a identifico a cerimónia real

Sunday, January 31, 2010

PORTUGUESES EM HONG KONG: RECADO PARA MIGUEL CASTELO BRANCO

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Não posso fugir à verdade que gosto de ler a prosa do académico Miguel Castelo Branco.
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Por vezes tráz-me novidades que me deixam um pouco confuso. Por exempo em 8 de Janeiro do corrente mês publicou com o génerico: "A história desconhecida de Portugal na Ásia: os portugueses que dominaram Hong Kong".
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Desde logo entrei em contacto com a historiadora Drª Leonor Seabra, julgando por aí que lhe iria dar uma grande novidade em cima da matéria que Miguel Castelo Branco tinha escrito.
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Há dias a Drª Leonor enviou-me (oferecida) a obra "The Portuguese in Hongkong and China", de José Pedro Rodrigues, editada em 1998. Porém a obra já tinha sido editada em 1944, pela Revista Renascimento.
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De facto lá estão os irmãos Castro como simples funcionários da administração, colonial britânica e do Governo de Hong Kong.
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Evidentemente que o Reino Unido se teria que valer dos portugueses (creio a maior parte deles macaenses) para chegar a algum lado.
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E não me surpreende que vários macaenses que excerceram ocupações na cidade de Banguecoque, em formação, quer ao serviço da Corte do Reino do Sião ou empresas estrangeiras, onde se incluem as inglesas, como interpretes, tenham vindo, directamente, de Hong Kong.
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E porque penso ser de utilidade, a Miguel Castelo Branco, para as suas investigações, anexo 10 páginas, copiadas das 242 da referida obra e, particularmente lhe dizer, que antes de chegar ao Oriente, como académico investigador, já outros por aqui andavam a escrever o que se tinha passado por cá há muitos anos. O seu a seu dono...!!!

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08 JANEIRO 2010
A história desconhecida de Portugal na Ásia: os portugueses que dominaram Hong Kong
Clerk of Councils, ou seja, Secretários Gerais da Colónia, José Maria de Almada e Castro e seu irmão Leonardo de Almada e Castro ocuparam durante décadas a terceira posição na hierarquia administrativa de Hong Kong e foram decisivos para a moldagem institucional da mais importante colónia da coroa britânica no extremo-Oriente. Conselheiros de John Bowring, governador de Hong Kong e embaixador incumbido de negociar o primeiro "tratado desigual" com o Sião em 1859, mantiveram-se como influentes figuras e, depois, o clã Castro ocupou relevantes posições até vésperas da Segunda Guerra Mundial. Não se tratou de caso isolado. Já antes da ascensão dos Castro, outro português, Alexandre Grande-Pré, ocupara as funções de Secretário da Colónia nos conturbados anos 40, ou seja, imediatamente após a cedência de Hong Kong ao Reino Unido, no desfecho da Primeira Guerra do Ópio." (O resto da peça pode ser lida clicando a seguir:
http://combustoes.blogspot.com/2010/01/historia-desconhecida-dos-portugueses.html

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Saturday, January 30, 2010

A FEITORIA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE

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Residência dos embaixadores de Portugal na Tailândia, no ano de 1918. Nesta altura os serviços de chancelaria funcionavam numa sala do rés-do-chão, onde hoje é o salão nobre.

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A NAU DA FANTASIA – RESQUÍCIOS DE UM PASSADO
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Isaú Santos, na sua opinião e pontos de vista que introduziu na “Nota Histórica” do seu trabalhoso de investigação de 1253 documentos, que havia no Arquivo Histórico de Macau” escreve:

“ Em 1580 os destinos de Portugal passaram para as mãos dos Espanhóis. Pouco tempo depois deste acontecimento,ocupa Ormuz; as relações entre Portugal e Holanda e Portugal e Inglaterra que, até então, eram boas, deterioraram-se.
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Os domínios ultramarinos portugueses foram, uns após outros, caindo nas mãos dos holandeses e dos ingleses. Em 1662, o Xá da Pérsia ocupa Ormuz: ainda, em 1662, os holandeses tentaram apoderar-se, em vão, de Macau; em 1663, conquistam Cochim; em 1641, ocupam Malaca; em 1656 é a vez do Ceilão cair sob o seu domínio e, em 1661, a ilha e o porto de Bombaim são cedidos aos ingleses.
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Não obstante estas dificuldades as relações de amizade entre o Sião e o Estado da Índia e entre o Sião e Macau continuaram, apesar das concorrências holandesa e inglesa.
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Mas o império do Oriente já não era o mesmo. Estava a ser ameaçado pelos aliados europeus de outrora que, então, porfiavam em substituir os portugueses no Índico e no Pacífico. Era a derrocada acelerada do império.
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A prova de que estas relações se mantiveram, é o facto de, no início do século XVII, o rei de Sião ter enviado um embaixador a Goa, a tentar conquistar a simpatia dos Portugueses e, com isto, o seu apoio na guerra que então travava com o rei de Ava.
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Ofereceu-lhes, em troca de ajuda militar, o porto de Martavão para construírem uma fortaleza-feitoria. Acontecia que este porto era um dos pontos em disputa entre os dois monarcas.
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Montalto de Jesus, referindo-se ao relacionamento entre Portugal e Sião, afirma que o prestígio dos soldados portugueses era tão conhecido que o rei siamês os tinha na sua corte como seus guardas. Alguns por lá ficaram, casaram com mulheres siamesas e deram origem aos lusos-descendentes de Sião.
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Por alturas de 1642, as relações entre Portugueses e Holandeses e Portugueses e Ingleses continuavam tensas em Ayuthaya. Intrigas, dissenções e contendas proliferavam entre eles e isto prejudicava a imagem dos Europeus perante os Siameses.
Estes, confusos, não sabiam em quem acreditar.
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Em 1669, o rei de Sião em demonstração inequívoca da grande simpatia que nutria por Macau, concedeu-lhe um empréstimo, em prata, para fazer face à grave situação financeira provocada pelas sucessivas extorsões dos mandarins e, ainda, destinado a fazer face às despesas com a embaixada de Manuel Saldanha a Pequim. O pagamento desta dívida ao rei de Sião constituiu, durante 62 anos, um quebra-cabeças constante para o Senado da Câmara de Macau.
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Na carta escrita ao rei de Sião a 20 de Março de 1720, o Senado recordava, com gratidão, o generoso empréstimo do monarca siamês que libertou a cidade dos vexames causados por constantes e sempre crescentes exigências dos mandarins chineses.
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Depois de um período de arrefecimento nas relações entre Macaenses e Siameses, surge o reatamento dos antigos laços de comércio e amizade nos finais da segunda década do século XIX.
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Em 22 de Novembro de 1816, o conselheiro Miguel de Arriaga Brum da Silveira, numa carta dirigida ao rei de Sião, pedia-lhe em nome do rei de Portugal D.João VI, que restabelecesse os antigos laços do comércio e amizade entre Macau e Sião.
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Pouco tempo passado, a 23 de Dezembro de 1816, o Ministro siamês dos Negócios Estrangeiros agradecia a carta e os presentes, ao mesmo tempo manifestava grande interesse em que as velhas relações comerciais e de amizade entre os dois territórios se restabelecessem”
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Nota: Com já antes o referi Isaú Santos, manipulou 1,253 documentos, de Banguecoque para Macau e vice verso e merecem-me todo o crédito suas opiniões.
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Nada me é estranho o que o investigador revela, porque eu sigo há muitos anos, no terreno, e bem sou capaz de escrever os meus pontos de vista em cima das relações entre Portugal e o Reino do Sião, desde os primórdios que os portugueses aqui chegaram.
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Infelizmente não posso colocar certos portugueses num pedestal porque, mesmo com as adversidades das intrigas, provocadas pelos holandeses e ingleses, não souberam os do “topo” (os homens, bons, enviados para o Sião do reino de Portugal) continuar a obra iniciada depois de 1511.
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Sabido, historicamente, que os luso-descendentes pelo Sião seguiam vivendo, muitas das vezes abandonados sem padre que os confortasse espiritualmente.
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Disto se aproveitou, além dos ingleses e os holandeses, a Igreja Católica do Vaticano, de espiritualizar a comunidade luso-descendente como assim se apropriar das parcelas que tinham sido doadas pelos Reis do Sião.
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Mas não se coloque por aí, alguém, em bicos de pés a elogiar, gratuitamente, factos ou feitos que não têm relevância, historicamente, nenhuma. O mesmo: “engana menino e toma-lhe o pão...”
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Bem sei e segui par-a-passo o historial do relacionamento entre Portugal e a Tailândia desde que Duarte Coelho, em 1509, foi o primeiro português que pisou o Reino de Ayuthaya.
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Eu estive, no centro e norte da Tailândia e os locais por onde os portugueses passaram e fui fazendo as minhas observações e para depois emitir opiniãos que não darão margem de erro.
Registei em imagens o que vi.
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Alguns portugueses que passaram pelo Reino do Sião sofrem da doença endémica das basofiadelas e além de poucos escrúpulos onde os seus interesses, pessoais, estiveram, sempre, acima do Reino de Portugal e da República actual.
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Estamos onde estamos no Reino da Tailândia onde, praticamente, Portugal perdeu tudo que tinha a perder e pouco nos resta.
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Hoje a Embaixada de Portugal, que anos atrás teve pujança, actividades comerciais e culturais, passou a ser uma Missão Diplomática de Portugal no Mundo, morta, onde apenas o funcionário público é o chefe-de-missão (embaixador).
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Falta para completar o quadro com funcionários públicos, portugueses: 1 número dois (diplomata de carreira) 1 vice-cônsul, 1 chanceler, 2 administrativos.
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A administração do Governo Português, economicamente, encontra-se a caminhar, apoiada de muletas, e preenchendo as falhas, em certas embaixadas, com pessoal local ou de outros países estrangeiros.

Pouco importa o seu passado porque até o registo criminal, a prova de nacionalidade portuguesa, não foi necessário para ser admitido ao serviço; entregar-lhe a gerência das finanças (ao que se chegou!!!) e, mais ainda, a “encarregatura” do expediente e do arquivo (durante a ausência do chefe-de-missão (embaixador) de uma Embaixada de Portugal e no Mundo a mais antiga missão diplomática.
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Chega-me à memória uma frase do poeta Agostinho da Silva de um dia ter dito a um Ministro dos Estrangeiros português: “que fizesse, das embaixadas e dos consulados de Portugal no Mundo, umas tasquinhas de petiscos lusitanos.
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Valha-nos, ao menos, a história dos portugueses no Reino da Tailândia que entre eles eu me conto e já fiz alguma.
José Martins

Friday, January 29, 2010

A FEITORIA DE PORTUGAL EM BANGUECOQUE

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A NAU DA FANTASIA – RESQUÍCIOS DE UM PASSADO
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Se houveram, entre outras, figuras que me apaixonaram e geriram negócios de Portugal no Reino do Sião, foram: Miguel de Arriaga e Carlos Manuel da Silveira. Vamos ler, o que escreveu Isaú dos Santos:

“ Pouco tempo passado, a 23 de Dezembro de 1816, o Ministro siamês dos Negócios Estrangeiros agradecia a carta e os presentes, ao mesmo tempo
que manifestava grande interesse em que as velhas relações comercias e de amizade entre os dois territórios se restabelecessem.
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O Conselheiro Arriaga, satisfeito com o evoluir favorável dos acontecimentos, escrevia ao Barão de S. José de Porto Alegre, a dar-lhe esta boa notícia.
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Para garantir o reatamento de comércio e amizade em bases sólidas, o Vice-Rei da Índia enviava, a 30 de Abril de 1820, ao monarca siamês, o projecto de um tratado entre Sião e Portugal. com Sião. Foi seu portador Carlos Manuel da Silveira recém-nomeado cônsul e responsável da feitoria portuguesa em Banguecoque.
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Ao regressar a Goa, afirmou ter tudo corrido da melhor maneira. Aberto estava o caminho, pois, para as futuras relações. Silveira embarca na fragata “S.João Baptista”, com a missão de entregar ao Ministro dos Negócios Estrangeiros de Sião o esboço de um tratado de amizade, aliança e comércio, a ser negociado entre as duas nações e a servir de base para o novo relacionamento, tratado esse que nunca foi ratificado.
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O projectado tratado, corporizado em vinte e três artigos, focava três aspectos fundamentais: o reforço da amizade que sempre existiu entre os dois países, o estabelecimento do consulado e da feitoria e o relançamento de relações comerciais.
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A 21 de Agosto de 1821, Carlos Manuel da Silveira informava a Junta Provisional de Goa de que o rei de Sião pretendia a feitoria se estabelecesse o mais rapidamente possível e com ela o reatamento do comércio. A Junta Provisional não se mostrou muito empenhada neste processo. Silveira continuava, entretanto, sem saber o que fazer, mergulhado na mais extrema dificuldade financeira.
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Goa não parecia preocupada com a grave situação do representante português em Banguecoque e, por isso, o “statu quo” do consulado e da feitoria caminhava a passos de gigante para o descalabro.
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Definitivamente, a Junta Provisional não acreditava no sucesso das relações com o Sião e, daí, não ter hesitado em ordenar a extinção do consulado e da feitoria, através da sua portaria de 17 de Setembro de 1821.
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Macau e
ra de opinião contrária e tudo fez para que a presença portuguesa em Sião fosse uma realidade. Goa acabou por ver na manutenção daquela situação alguma utilidade, mas as coisas continuavam a ir de mal para pior.
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Silveira, acossado pela necessidade de sobrevivência, viu-se obrigado a contrair dívidas e mais dívidas, sem possibilidades de as saldar.
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Goa alertou o Senado de Macau para esta degradante situação, mas nada foi feito porque a edilidade macaense padecia, também, dos mesmos males.
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Isto não podia manter-se por mais tempo. Era a imagem do país que estava em jogo. Macau e Goa não podiam protelar a resolução deste problema. Por isso, o Governador da Índia, D. Manuel da Câmara, em 6 de Abril de 1824, ordenava ao Leal Senado que pagasse as dívidas do cônsul e de seu secretário para que as autoridades siamesas os deixassem regressar a Goa e perguntava-lhe, ao mesmo tempo, se a feitoria devia ser mantida ou abandonada.
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O Senado, após algumas sessões de esclarecimento, decidiu pelo pagamento das dívidas, pela manutenção da feitoria e pela substituição de Silveira”
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Nota: Texto de Isaú Santos, Director do Arquivo Histórico de Macau, em 1993, na sua “Nota Histórica” ao completar o seu trabalho de investigação histórica: “Relações entre Macau e Sião”, descreve que lhe passaram pelas mãos 1.253 documentos que inserem as relações entre Portugal e Sião de 1639 (era de Ayuthaya) a 1918.
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Um documento valioso, que o autor me ofereceu um exemplar durante uma visita que efectuou, em 1994, a Banguecoque. Vamos pois publicar alguns trechos desta sua magnifica investigação que contém a veracidade, oficial, daquilo que teria sido passado no relacionamento entre Portugal/Macau e o Reino do Sião.
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Que se compenetrem os investigadores que a história não é escrita só de elogios “doentios”, mas pelo lado dos factos que hajam sido passados.
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Os elogios enfermos só contribuem para nos enganarmos a nós próprios, satisfazer os interesses de alguns e, depois, deixar continuar a navegar a nau da fantasia, de leme partido, sem rumo.
José Martins