Tuesday, November 16, 2010

J.ANTÓNIO É PORTUGUÊS E O MAIOR FOTÓGRAFO NO REINO DO SIÃO EM FINAL DO SÉCULO XIX E PRINCÍPIO DO XX

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No restaurante, de comida portuguesa a "Tasca do Luis" onde o Dr. Morbey, ofereceu a mim e ao amigo Cambeta, um excelente almoço de comida lusa.Drªa Leonor Seabra, foi ali para se encontrar comigo, me cumprimentar e entregar-me umas lembranças para mim, mulher e filha Maria Martins

Sobre a descendência de Joaquim António

I Apolinário António de Paula António, nasceu em Macau (Freguesia de S. Lourenço) em 09.02.1836 ; faleceu em Hong Kong
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Em 28.04.1857 casou em Macau na Igreja da Sé, com Firmiana Francisca do Rosário, nascida em Macau 1835; faleceu em 08.09.1889 em Hong Kong, filha de Manuel do Rosário e de Ana Maria
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Filhos:
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1(II) Joaquim António, nasceu em 05.08.1857, na freguesia da Sé em Macau; faleceu em Bangkok em 28.12.1912, de ataque apoplético, na sua residência, sem deixar testamento; sepultado em 29.12.1912; testemunho de Frederico G. de Jesus e Elmínio Maria Sequeira
Fotógrafo; desenhador (1890)
Autor do Guide to Bangkok and Siam, Bangkok, 1904
Membro da Sociedade de Geografia de Lisboa e da Commercial Geographical Society of Paris.

Em 1876, casou em Macau com Francisca Michaela de Almeida Marques António, que nasceu em Macau em 1854 e faleceu no Hospital de S. Rafael Macau em 12.12.1927, onde esteve internada por demência desde 1899.
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Fonte: MORBEY, Jorge: THAI - PORTUGUESE FAMILIES (em preparação).
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O Joaquim António o maior fotógrafo do final do século XIX e principio de XX, foi uma figura de que me apaixonei há muitos anos e, aconteceu, desde que comei a ver suas fotografias publicadas.
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Cheguei mesmo a dá-lo como português. Consultei papeis velhos na Secção Consular da Embaixada de Portugal, em Banguecoque, (fiz cópias, mas não se diga, como já o disseram, por aí, que fui um “larápio” de papeis, porque se fiz e tenho essas cópias tive autorização, por despacho do Palácio das Necessidades) e, apenas encontrei um registo com o nome de J.António, mas não me dá a certeza ser o fotógrafo português ou luso descendente.
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Porém, graças ao Dr. Jorge Morbey, um dos grandes investigadores da História dos Portugueses na Tailândia, ex-Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Banguecoque e actualmente professor universitário da Universidade de Tecnologia de Macau, na minha última visita a Macau (9-18 Outubro) e anfitrião o meu amigo António Cambeta, Dr. Morbey, simpaticamente forneceu-me aquilo que me faltava para ter a certeza que o Joaquim António era português.
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Um documento, histórico, valioso e para que o Joaquim António, o maior fotógrafo, sem ponta de dúvida, de todos os tempos que surgiu de quando a nova capital do Sião regurgitava de progresso.
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Já o descrevi um artista fotógrafo, com uma rara sensibilidade de premir o botão da máquina fotográfica, desenhador e um mestre em artesanato. Mas o que mais me surpreende é a modéstia do artista que nunca assinou seu nome (parece-me que em uma) imagem que haja tirado.
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O seu espólio fotográfico histórico e rico, está espalhado pelos quatro cantos do mundo. Foi publicado em muitas revistas da época, que o Joaquim António teria vendido, oferecido ou mesmo publicadas sem sua autorização.
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Era de uma humildade enorme o Joaquim António que deve ser ainda mais estudado e revelado para que não fiquei esquecido na Tailândia, como outros “bons” portugueses que neste Reino serviram dois países Portugal e a Tailândia e ficaram no rol dos grandes abandonados.
José Martins

J.ANTÓNIO É PORTUGUÊS E O MAIOR FOTÓGRAFO NO REINO DO SIÃO EM FINAL DO SÉCULO XIX E PRINCÍPIO DO XX

Saturday, July 21, 2007 - 1ª Parte

J. António: O Fotógrafo Português no Reino do Sião

Há uns dez anos numa livraria do aeroporto internacional de Banguecoque encontrei um livro, antigo, onde nas suas páginas as fotos estavam assinadas por J.António. Numa foto o estabelecimento, estúdio de fotografia. Não o adquiri, por achar que o preço era excessivo e certamente, aventei a hipótese na altura, na livraria onde costumo comprar livros o iria encontrar com o desconto habitual a um preço mais acessível.
Enganei-me aquele livro além de ser o único exposto estava esgotado no mercado livreiro!

Voltei, mais tarde, à livraria do aeroporto e já tinha sido vendido. Esqueci a raridade e nunca mais me lembrei dela. No sábado passado (dia 21 de Julho) estive num almoço na "Siam Society", a mais prestigiosa instituição cultural de toda a Ásia e onde na sua biblioteca as prateleiras são ocupadas com uns largos milhares de livros. Posso afirmar com toda a convicção que toda a história, desde a fundação de Banguecoque em 1782 ali se encontra, desde livros aos primeiros jornais que foram publicados na capital do Reino do Sião.

Raramente lá vou desde há duas décadas que me inscrevi com sócio. Porém quando tenho "fome" de livros visito-a e vejo o que foi editado. Só adquiro, ali, livros com informação, histórica, relativa à Tailândia, países do Sudeste Asiático ou sobre a expansão portuguesa, na Ásia e Extremo Oriente.
Desta vez que visitei a "Siam Society" encontrei dois livros que não conhecia: "The Siam Society A CENTURY" (Um Século da Siam Society) 1 e "Siam Undiscovered - Checo-Thai encounters betweem the 16th and 21th centuries: rare documentos, old photographs, royal visits" (Siam Desconhecido encontros entre a Checlosváquia no século 16 e 21, documentos raros, velhas fotografias e vistas reais). Qualquer uma destas duas obras tiveram a colaboração de proeminentes académicos, historiadores tailandeses e estrangeiros.

As duas obras trazem-me novas informações, históricas entre as quais, estão várias fotografias de J.António. Vamos, pois, transcrever (em língua inglesa) na integra o designado na 2ª página da edição "The Siam Society A CENTURY" sobre o fotógrafo J.António: "These development are reflected in the first guidebook to Bangkok and a few outlying provinces, also published in 1904 by J. Antonio, a residente who was probably of Portuguese descent and who ran a photographic studio on New Road. Details of António´s life remain obscure, but he was clearly a man of unsual talents. His photographs (often reprinted without credit in later books) are not only technically superb but provide a revealing glimpse of ordinay Thai life as well the more celebrated sights of the capital. On the title page, he list himself as a member of the Geographical Society of Lisbon and of the Commercial Geographical Society of Paris, suggesting broader interessts than nere photography and no doubt accountig for his presence among those at Siam Society´s inaugural meeting"

O J. António foi uma fotógrafo activo, profissional e famoso no final do século XIX e princípio do século XX. Fotógrafo do Palácio Real e também solicitado pelas empresas estrangeiras, estabelecidas junto à zona ribeirinha, personalidades locais e estrangeiras residentes. Possuia um estúdio, na rua Chalerm Krung (New Road) não muito distante do Consulado de Portugal e de outros consulados. Além de ser um fotógrafo profissional, cedia fotos a colegas, estrangeiros, que visitavam Banguecoque.

Cedeu trabalhos seus ao fotógrafo checo Enrique Stanko VRÁZ que no princípio do século XX passou por Banguecoque. Entre as fotos adquiridas há uma de S.M. o Rei Chulalongkorn, a Rainha, os Príncipes e as Princesas, durante uma cerimónia na Estação Central dos comboios. Esta fotografia foi agora inserida no livro: "Siam Undiscovered...." que acima nos referimos. Se pode analisar que o fotógrafo J. António além de possuir um estúdio de fotografia fazia reportagem para os jornais que principiavam a nascer em Banguecoque.
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A fotografia estava a nascer na capital do Reino do Sião. S.M. o Rei Chulalongkorn foi um entusiasta na arte de fotografia e pode ver-se várias imagens, em publicações da época o monarca com máquinas fotográficas . Transmitiu aos Princípes seus filhos o gosto pela fotografia. Seu neto S.M. o Rei Bhumibol, o monarca actualmente, reinante sempre o vimos, nas suas visitas, aos meios rurais, com a inseparável Canon pendurada ao pescoço.
. Ora o J.António publicou, em 1904, o primeiro Guia de Bangkok e por isso se pode avaliar que era um homem de ideias, modernas, ou aproveitou os ensinamentos da comunidade estrangeira que desde o Reinado de S.M. o Rei Mongkut, Rama IV (depois de meados do século XIX), chegou ao Sião, estabelecendo-se com sucursais de suas empresas, ou contratados pela corte do Sião cuja finalidade era a de modernizar o Reino.
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Chegado a casa depois do almoço na "Siam Society" e entusiasmado em investigar se J.António seria ou não português ou mesmo luso-descendente. No entanto estou inclinado, depois de averiguar em papeis velhos que o famoso fotógrafo teria nascido em Macau e logo ficou de fora a hipótese de ter nascido em Banguecoque.

Vasculhei as cópias do livro de Assentos de Nascimento do Consulado Português de 1860 a 1929 e não encontrei nenhum nome J.António. Encontrei de facto Antónios/as, macaenses e funcionários da Corte do Sião.
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Mas vou encontrar o Título de Nacionalidade Nº 15, em nome de José António Lívio Barros, passado em 16 de Fevereiro de 1916, com a validade de um ano. O mesmo documento é revaliado em 22 de Julho de 1919. Na altura o José António tinha 37 anos, o que nos diz que em 1904 tinha de idade 23 anos. O documento não designa o modo de vida a que se dedica o português.

O documento foi assinado pelo Chanceler (assinatura ilegível) e no consulado de Alfredo Casanova (Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário da República Portuguesa no Reino do Sião). O Cônsul Casanova veio em comissão de serviço a Banguecoque, pouco depois da morte do Cônsul Luis Leopoldo Flores, para colocar os assuntos do consulado em dia dado que não tinham corrido pelo melhor durante sua gerència de 17 anos.


Não nos surpreende que o J. António tenha sido sócio da Sociedade de Geografia de Lisboa, dado que Elmínio Maria Sequeira, um funcionário superior da Administração do Porto de Banguecoque, trocou correspondência com a Sociedade Geografia de Lisboa e recebeu uma medalha dessa instituição cultural. O Elmínio nasceu em Macau no ano de 1863, estudou em Hong Kong, chegou a Banguecoque em 1880 (um ano antes de José António ter nascido).

Elmínio Maria Sequeira é uma personalidade influente em Banguecoque, foi amigo do José António e incentivou-o e foi o seu proponente para a sua admissão na Sociedade de Geografia de Lisboa. Sobre o Elmínio Maria Sequeira, Monsenhor Manuel Teixeira, no sei livro "Portugal na Tailândia", Imprensa Nacional de Macau 1983, pag 118/119 escreve: Elmínio Maria Sequeira nasceu em Macau a 5-8-1863, sendo baptizado em S. Lourenço. Fez os seus estudos em Hong Kong, partindo em 1880 para Bangkok. Ali trabalhou em diversas firmas, nomeadamente na Fusco and Cº. e na Canal´s Co. Em Abril de 1905 entrou para o serviço do Governo, empregando-se na Repartição do Porto. Pelo seu zelo e assiduidade, foi condecorado pelo Rei Rama VI (Rei Varjirayudh) com a Ordem de V Classe - Cavaleiro da Muito Honorável Ordem da Coroa do Sião - em 11 de Março de 1911, que era o 121-º dia do seu Reino. Anos depois, recebe também a Ordem de V Classe do Elefante Branco do Sião. Aposentou-se em Abril de 1926, vindo a falecer em 1 de Junho de 1947. Recebeu também uma medalha da Sociedade de Geografia de Lisboa".

Entretanto arriscamos que o José António e mesmo Elmínio Maria Sequeira (este já um cidadão, português, muito respeitado na Corte e na Sociedade Siameza da época pela honraria de suas duas condecorações do Palácio Real), se teriam afastado da "clã" Flores (pai,filho e sobrinho), senhores omnipotentes do Consulado de Portugal e, mesmo, os tenham criticado pela forma de tratamento a "pente fino" dado aos nacionais portugueses e aos chineses imigrantes, estes embora tivessem o privilégio da nacionalidade gozavam da protecção consular, ao abrigo do artigo 9º do Tratado de 10 de Fevereiro de 1858 assinado entre Portugal e o Reino do Sião.

Voltaremos ao assunto e continuar a investigação se o fótografo, famoso, José António se foi de facto a pessoa que pensamos.

José Martins

J.ANTÓNIO É PORTUGUÊS E O MAIOR FOTÓGRAFO NO REINO DO SIÃO EM FINAL DO SÉCULO XIX E PRINCÍPIO DO XX

Sunday, September 16, 2007

J. António: O Fotógrafo Português no Reino do Sião (Segunda parte)

Há muitos portugueses que foram esquecidos nas páginas da História de Portugal na Ásia e Oriente. O fotógrafo português J. António, entre os tantos, foi um dos "grandes" ignorados!


S.M. O Rei Chulalongkrorn



Porém historiadores estrangeiros e apreciadores da arte de "bem fotografar" por diversas vezes mencionaram o seu nome e a sua arte, fina, de obter imagens. Esta figura, nascido no século XIX (sem ainda se conhecer, exactamente, se abriu os olhos ao mundo no antigo Reino do Sião, em Macau ou em Portugal), excerceu a profissão de fotógrafo dentro de uma humildade que impressiona.



S.H. o Príncipe Damrong - Ministro do Interior

O J. António teve certamente um mestre que, preliminarmente, lhe ensinou a focar a imagem, enquadrá-la e depois a arte, já nascida com ele, viria depois.


António´s Concept of a Peasant Girl

São inúmeras fotografias e, outras transferidas para postais ilustrados que a comunidade, estrangeira, residente na cidade de Banguecoque, no príncipio do século XX, enviavam aos familiares e amigos, pelo correio, marítimo, transportado pelos barcos a vapor. O J. António, fotógrafo português, em parte a ele se deve a divulgação do Reino do Sião. Foi J. António que editou o primeiro "roteiro" de Banguecoque e do Reino do Sião no princípo do século XX: "The 1904 Traveller´s Guide to Bangkok and Siam".



O famoso sorriso siamês

Obra que mesmo passados mais de 100 anos encontra-se absolutamente actualizada. Pode hoje sem ponta, alguma, de dúvida estar actualizada no que se refere à topografia dos locais aonde J. António foi carregando a máquina e o tripé e colocá-lo no lugar certo para recolher em imagens os cenários que os seus olhos observavam.



Um estudo em cima de duas idades

Imaginamos o J. António a viajar navegando, em almadias, pelos rios e canais, de comboio (há pouco tempo em circulação no Reino do Sião) puxados por máquinas a vapor fumarentas e nas províncias em carros puxados por búfalos.O fotógrafo português não foi só um artista que vislumbra o cenário exterior e deseja inseri-lo nos sais de brometo de prata colados à chapa de vidro que a visão da lente vai fixar a imagem.

Músicos


O J. António no Reino do Sião é o fotógrafo oficial da Corte do Grande Rei Chulalongkorn. Fotografa Suas Majestades o Rei , a Raínha, príncipes e princesas, altas individualidades oficiais e outras da sua época. O J. António, fotógrafo português, não é privado de recolher as imagens que pretende obter. Recolhe e publica fotografias no seu "roteiro" tudo que melhor lhe parecer sem a mínima censura.




Raparigas da Birmânia em Banguecoque


Assim vamos encontrar na página 68, da sua obra uma imagem com a legenda "An Old Style Execution" de um condenado à pena capital.Numa das primeira páginas do Guia, editado por J.António, informa-nos: Member of the Geographical Society of Lisboa and of the Commercial Geographical Society of Paris, &C., &C., Já me referi na primeira peça sobre o António (inserida neste blogue em 21 de Julho de 2007) em cima de pertencer, como sócio, à prestigiosa instituição portuguesa e à francesa.


Mohn mulher (peguana) - Senhora siamesa em traje moderno - Mulher siamesa da província

Outro português, seu contemporânio, em Banguecoque, Elmínio Maria Sequeira, foi igualmente como o J. António membro da Sociedade de Geografia de Lisboa. Não está fora de hipótese que os dois foram amigos.Estamos convencidos (e não paramos) enquando não conseguirmos saber a verdadadeiras raizes de família de António. Seguimos um trabalho de investigação, minucioso, na "Siam Society" para onde vamos aos sábados, "passar a pente fino" o único jornal, salvo, filmado para micro filme, "The Bangkok Times", edições a partir de 1888 até depois do século XX.

Um estudo fotográfico idealizado para o conhecimento das mulheres camponesas

Será um trabalho moroso, ler os factos principais passados em Banguecoque, em letra "miudinha" e alguma já ilegível. Já encontramos, inseridas, notícias interessantes e relativas à comunidade, portuguesa residente, num Banguecoque, ainda pacato e a nascer para o modernismo e desenvolvimento. Além de ir encontrar notícias que me digam algo sobre o J. António, o fotógrafo português, sei de antemão que ali tenho fontes informativas relacionadas com os portugueses da época.


Períodos de vida de mulheres siamesas

Presença desconhecida que os parcos meios de comunicação na altura, ou por outras razões, os representantes de Portugal no Reino do Sião, de então, não deram conta de homens de valor, como o J. António, fotógrafo português, que foi, como tantos outros, um quinhão da Diáspora portuguesa na Ásia.Antes de encontrarmos a verdadeira história de António, vamos, por ora, cingirmo-nos à informação da introdução do livro: "The 1904 Travel´s Guide to Bangkok and Siam" do Dr. Walter E. J. Tips, em Setembro de 1996. Introdução escrita em língua inglesa que traduzo, livremente, alguns trechos:



Preparando folhas de betel para mascar


Os detalhes da vida do autor deste livro, J. António, continua obscura e de momento uma obra, publicada, entre os muitos autores da segunda metade do reinado do rei Chulalongkorn. Há muita razão para que isto aconteça. Em primeiro lugar, foi a sua simpatia que teve para com a gente comum e em segundo o seu talento como fotógrafo. Produziu excelentes fotografias e pensa-se, pelo seu passado, anterior, de vida, como um obscuro desenhador ao serviço da "Royal Railway Department", designado no jornal "Bangkok Times" (1894) "Director for Bangkok and Siam", com esta profissão e desconhecida as suas habilitações na arte de fotografar. Na edição do deu "roteiro", J.António revela ser membro da "Sociedade de Geografia de Lisboa". Provavelmente é descendente de família portuguesa. Charles Buls, um viajante belga (1901), fez-lhe uma visita no princípio do ano de 1900 e comprou-lhe larga quantidade de fotografias para ilustrar o seu livro "Croquis Siamois".

Outro estudo sobre o músico itinerante

J.António deve ter iniciado a aprendizagem da fotografia no estúdio da firma Lenze e Kleingroth, estabelecida em Banguecoque em 1894. Possui estúdios em Singapura e na Indonésia. O Bulls visitou o estúdio da Lenze, em Banguecoque, em 16 de Fevereiro de 1900, e relata que o fotógrafo não se encontrava e a porta encerrada. É de crer que as fotografias que o Bulls possui nos "Arquivos da Cidade de Bruxelas" são trabalhos de J.António e não do estúdio de Lenze e Kleingroth. Entretanto na sua obra "Croquis Siamois" não dá a conhecer o verdadeiro nome do autor.

Mulheres preparam folhas de palmeira para livros

Largo número de imagens de J.António são aproveitadas, reimprimidas e inseridas em outras obras suas: "Siameses Sketchs", bem como o modo de vida das pessoas, ordinárias, siamesas no livro "In Siam" (editada por Jotttrand and Jottrand, 1905) e depois viria a contribuir com fotografias para ilustrar a edição (da monumental obra que descreve, globalmente o Siam, no princípio do século XX e a qual possuímos na nossa biblioteca particular), "Twenttieth Century Impressions of Siam: Its History, People, Commerce, Industries, and Resources"(Wright and Brakspear, 1908).

Um monge com os acessórios para a prática da religião budista


Os olhos de J.António estão virados para os costumes das pessoas, comuns, do reino e pretende, nas suas imagens, mostrar a forma de estar no mundo dos siameses. J.António é um mestre na arte de bem fotografar no "Charoen Krung Photographic Studio". Entretanto não abandona o desenho de projectos de topografia, de arquitectura e engenharia, que lhe são encomendados. Está envolvido nas duas profissões. Apaixona-se pelos cenários rurais e pelos ribeirinhos. A uns duzentos metros do estúdio tem o majestoso rio Chao Prya (Chao Praiá) e os canais, afluentes e toda aquela poesia que as margens encerram e a vida quotidiana dos banguecoquianos. O rio e os canais são os meios de comunicação, principal, da capital do Sião, onde apenas nessa altura tinha sido aberta, havia 20 anos, a primeira artéria, a Charoen Krung e onde se estabelecia o J.António e outras empresas locais e estrangeiras. J.António anunciou a abertura de uma filial, na cidade, o que se presume ter sido instalado um estúdio na área do Palácio Real (como já descrevemos J.António foi fotógrafo oficial na Corte do rei Chulalongkorn).

Um peregrino chega ao final do seu destino


Anos depois J.António teve pela frente a concorrência com a abertura de novos estúdios e estes situam-se a escassos metros do seu. Entre essas lojas de fotografia está uma importante: "Ta Tien Dispensáry", propriedade do Dr. E. Reytter, médico belga, que viu no negócio da fotografia rentável. A fotografia principía a popularizar-se no Sião e os siameses apreciam ser fotografados. A partir dessa data a população de Banguecoque ganha o gosto pela imagem e mantém-se nos dias actuais.

Um monge (noviço) budista

"Bem me lembro, de quando há 30 anos, visitei pela primeira vez Banguecoque e não havia rua nenhuma que não tivesse uma loja e estúdio de fotografia. Foi, a ironia do destino, que me deu a oportunidade, numa dessas lojas, de conhecer a minha mulher, chinesa, de já de uma união de 27 anos. Pertencia a uma família, onde três irmãos seus eram (e são) estabelecidos, em várias áreas de Banguecoque, no ramo da fotografia"

J.António no seu "roteiro" incluiu publicidade em língua francesa e informa pertencer, como membro, da "Commercial Geographic Society of Paris". Igualmente refere, com humildade, ter sido galardoado com medalha de prata na exposição: "Hanoi Exhibition 1902-1903". Mas em campos diferentes J.António foi galardoado com outras medalhasÇ Eduardo Fornori, "Grand Prix", duas medalhas de prata; "General Importers and exporters" uma medalha de bronze; Kim Sen lee & Co., empresa proprietária de serrações de madeira, de fábricas de descasque de arroz, confere-lhe uma medalha de ouro.

Um grupo, tradicional, de camponeses siameses

Fool Loong oferece-lhe uma medalha de prata, pelos desenhos encomendados a que dá o título ao seu trabalho; "Furniture made from any design". A publicidade inserida no seu "roteiro" é de muita utilidade para os investigadores, onde dá conta de uma drogaria, em Korat (nordeste do Sião e a cerca de 300 quilómetros de Banguecoque) cujo propietário é o estrangeiro, Michael Franford. E ainda, numa vila, nas proximidades da cidade de Korat, encontra-se o inglês Dr. L. Verkley com uma farmácia. Figuram, também, no guia, páginas completas a anunciar o fabrico de gelo, engarrafamento de refrigerantes: Coca Champagne, Cherry Cider, Strabewyad, Stone Ginger Beer, Rasperryby Champagne, Shand Gaff - bebida seca para os climas tropicais - que se supõe ser a salsaparrilha. Continuarão as investigações em cima da vida e obra do J.António, que supomos e a julgá-lo português.

José Martins

P.S. Fontes informativas e fotografias: "The 1904 Travel´s Guide do Bangkok and Siam" J.António

J.ANTÓNIO É PORTUGUÊS E O MAIOR FOTÓGRAFO NO REINO DO SIÃO EM FINAL DO SÉCULO XIX E PRINCÍPIO DO XX

Thursday, September 20, 2007

J. António: O Fotógrafo Português e a Rua Charoen Krung (New Road)-Terceira Parte.

Hoje de manhã, dia 20 de Setembro, pelas sete da manhã,tirei a Nikon D70, as lentes e o "flash", da bolsa,do assento de trás do Honda Civic, companheiro de 12 anos, assim como outra aparelhagem de obter imagens.
Tenho a "tara" de fotografar o nascer e o pôr do sol e qualquer motivo interessante que se depara no meu caminho.
Não sou por aí além um amador com qualidade.
Absolutamento um jeitoso.



A Loja estúdio de J.António, por cerca de 1905. Foto lado direito: alguns estabelecimentos ainda,como memória, conservam os frontispícios antigos.


Capto imagens para mim e sou o crítico das mesmas.
Arrumo-as em CD Rom e não tenho coragem de destruir uma que seja. São como filhos nascidos perfeitos ou defeituosos merecem-me o mesmo carinho.Bem, estou a desviar-me do tema, vamos lá "carrilar" e ao assunto a tratar seria para encontrar vestígios, antigos, na Charoen Krung (New Road) e se ainda, alguns que houvessem, do tempo do J.António.
A Charoen Krung começou a ser construída no ano de 1851 e finalizada em 1865.
A designação do nome, em siamês, da rua, transmite: " A próspere cidade". Vamos então contar qual a razão porque a Charoen Krung foi aberta. Na altura a capital do Reino Sião, fundada em 1782, tinha 99 anos de vida. Durante meio século os siameses criam as estruturas, com ajuda de uma pequena comunidade estrangeira: chinesa, portuguesa e malaia.

Entrada da travessa Captain Bush Lane. Uma hortaliceira, tradicional, de rua transporte os vegetais para o mercado de porta-em-porta. Uma casa de esquina secular.

Gente que tinha chegado de Ayuthaya depois da invasão do exército peguano que a viria destruir em Abril de 1767.
O libertador do Sião, General Thaksin, doa terrenos, junto à margem do rio Chao Prya (Chao Praiá), primeiro em Thomburi, às comunidades: chinesa, portuguesa e malaia, para que se instalassem e principiassem a reconstruir nova vida.
Em 1820 um terreno é doado a Portugal, na margem oposta a Thomburi, para que instalasse uma Feitoria com a finalidade de Portugal fosse a nação que desenvolvesse o comércio entre o Reino do Sião e os países do ocidente.
O Sião é um país de largos recursos naturais, agrícolas e de florestas, virgens, de árvores de madeira de Teca.
Madeira, apenas, usada pelos siameses para construir suas casas e veículos puxados pelos búfalos.


A travessa Captain Bush Lane. Ao lado direito a entrada para a Embaixada de Portugal em Banguecoque

Um Sião rico mas estagnado, em permutas comerciais, com o ocidente. Estas faziam-se, praticamente com os países da Ásia.
Os juncos e as lorchas, embarcações chinesas, seculares, que sulcaram os mares de toda a Ásia têm os dias contados. A máquina a vapor, aplicada aos barcos veio a reduzir a navegabilidade dessas embarcações empurradas pela força do vento.


A Embaixada de França. À direita o caminho para os serviços alfandegários siameses


Banguecoque, dividido ao meio pelo grande rio, o terreno é alagadiço e a força braçal foram abertos canais que servissem não só para drenar as terras e estas produzirem arroz e o meio de comunicação à população em direcção à via fluvial, principal, que vai ligar ao mar e às terras do norte e oeste do reino.
Nos anos de 1850 os barcos a vapor, de menos calado (os de maior porte ficam ancorados nas águas profundas um pouco mais além da foz do Chao Prya),lançam ferro no porto, que se situa a duzentos metros a jusante da Feitoria de Portugal.
Com os barcos a vapor no porto de Banguecoque a cidade margens mudam completamente a face e voltam num meio cosmopolitano.
Países estrangeiros, onde se incluem a Inglaterra, a Itália, a França, a Holanda e os Estados Unidos, enviam para Banguecoque os seus representantes.



O velho e imponente edifício da alfândega siamesa, abandonado há muitos anos, vai reviver com a instalação de um hotel e com arquitectura do século XIX, quando foi construído


A Europa e os Estados Unidos, já estão bem ao corrente do desenvolvimento das modernas tecnologias que emergiam no mundo de então e com hábitos bem diferentes dos que existiam no Sião, sugerem ao Rei Mongkut (Rama IV) que mandasse alargar a Charoen Krung, (iniciada,rudimentarmente, em 1851 e finalizada em 1865) e que ficasse nos modos das construídas no ocidente. Em 1890 automóveis e riquexós circulam na Charoen Krung de lado a lado. Porém o Vice-Rei Pin Klao, o irmão mais novo do Rei Mongkut, não gostou nada do alargamento e protestou que além do aumento do trilho foi estendida até às portas do Grande Palácio, residência, oficial de Sua Majestade o Rei e fácil ao inimigo o atingir.A sua preocupação era pelo facto de facilitar uma chegada mais pronta do inimigo em atacar o palácio e a Família Real.

Uma janela do edifício da alfândga decorado com plantas plantadas em vasos e cascas de cocos

Fica a Charoen Krung com cerca de oito quilómetros e meio.
O coração comercial da Charoen Krung é entre a travessa Captain Bush Lane (onde está sitiada a Embaixada de Portugual desde que foi fundada a Feioria), até junto à bifurcação da hoje Silom Road (Rua da Silom). Cerca de uns 500 metros da Charoen Krung partem travessas, de uns 250 metros de comprimento, em direcção ao Chao Prya.




Trinta homens de negócios, estrangeiros, residentes no Reino do Sião, fim do século XIX. Representantes de empresas de seus países ou fundadodres de empresas. Na foto do lado direito (centro com o número 1) está Louis T. Leonwens, importante homem de negócios na Captain Bush Lane. É filho da Anna Leonwens a professora de inglês na Corte do Rei Mongkut. Viria a escrever o livro "Romance no Haren" e, mais tarde deu aso ao filme "O Rei e Eu".

O comércio é florescente e nessas vias ribeirinhas, constroem-se edifícios para bancos, para agências de representações; o legendário hotel Oriental; os consulados de França, este país a dominar o comércio dos países da Indochina que colonizava; de Inglaterra, com largos interesses nos territórios: Hong Kong, Birmânia, Birmânia, Singapura e território malaio, (pouco depois o edifício é negociado pelo Governo Simês em troca de um outro terreno e instalam-se os Correios Telegrafo e Telefones).
O hotel Oriental com toda a sua imponência, arquitectónica e luxúria no princípio do século XX

Na margem a duzentos metros um imponente edifício é edificado e virá ser os serviços administrativos da alfândega de Banguecoque. A uns 800 metros ao sul a "Doca de Bangkok" para reparar navios. Abrem vários estabelecimentos na Charoen Krung com produtos importadas da Europa e dos Estados Unidos, tanto para abastecer os siameses como a comunidade estrangeira.

O requinte de várias salas do Hotel Oriental. A fama de então (passagem por três séculos) chegou aos dias que correm que o tornou um dos hoteis mais famosos do mundo.

Para o lado sul pequenas lojas de comerciantes chineses e para o lado norte, direccionado ao palácio do Rei Mongkut, está a comunidade chinesa, já com largos milhares de comerciantes, onde se comerciam: bujigangas; ouro, vinho de arroz, ópio importado de Hong Kong; os quartos de fumo para os opiómanos; a casa de "porta aberta" da senhora "Sampengue" a que viria, depois a ser dado o nome ao "China Town", como é conhecido pelos estrangeiros.

Casa de "tabuinhas" a memória de um passado que os herdeiros não se querem desfazer delas.

Mas entre os tailandeses "Sampengue" é um apelido feio, nos dias de hoje, se a uma senhora de boas virtudes, durante uma discussão, se lhe for dirigidas a palavra: "Sampengue" é igual ao chamamento de p******.
Na China a fama corria que o Reino do Sião era a terra de leite e mel e a Banguecoque chegava toda a qualidade de gente: a honesta, a delinquente e os piratas em procura da fortuna. A polícia, tailandesa, chegava a mandar de volta milhares, de chineses, como gente indesejável. Chineses vindos da colónia inglesa de Hong Kong e de Macau (umas poucas centenas território administrado por portugueses), que depois de obterem um passaporte, evidentemente a troco de dinheiro, chegavam a Banguecoque. Chineses que aportavam nos juncos e nas lorchas no Chao Prya, unicamente com uma esteira para estenderem o corpo e um travesseiro para posar a cabeça e dormirem.Gente que foi usada para os mais humildes serviços, inclusivamente, o puxarem riquexós; carregar e descarregarem os barcos.

Outra casa da era da Charoen Krung que se mantém em pé. Assenta em espaço que vale "peso de oiro" para construir uma torre de cimento. Porém os sentimentos de quem a herdou, prefere conservar a memória dos que partiram do que o dinheiro.

Chineses que nunca se lhe conheceu o segredo do sucesso que de uma esteira um travesseiro, fundaram do nada impérios comerciais e industriais. No Sião é um exemplo.O J.António (sem ainda conhecermos as suas orígens não deixaremos de o considerar português), teria sido "mandarete ou até puxador de riquexós antes de vir a ser um desenhador e um fotógrafo que a todos tira fotografias e além do mais coloca a câmara escura, grátis, aos turistas e a outra gente que dela necessitar. O J.António, cremos que com um empréstimo e ajuda de amigos abriu a loja e o estúdio de fotografia na Charoem Krung. Quanto à sua disponibilidade, franca, de oferecer gratuitamente a sua câmara escura aos turistas, por aqui avaliamos que aquela alma aberta e sem ambição pessoal é "portuguesa concertesa".

O prédio e a frontaria do século XIX lá está conservada e pintada na Charoen Krung

O podemos considerar um homem que deseja servir todos os que o visitam com hospitalidade e franqueza. Foi essa abertura e a sua honestidade que aventureiros europeus que embarcados como turistas nos barcos a vapor, compraram ou lhe foram oferecidas, graciosamente, pelo J.António umas centenas de fotografias que viriam a ilustrar livros que publicaram. Porém essas fotografias o J.António pouco ambicioso não as assinou e quem lhas levou, compradas, dadas ou plagiadas também não designaram o nome do autor. O Banco francês L´Indo-Chine na Charoen Krung. A França já uma potência económica no Sudeste Asiático. Ao lado esquerdo o colégio da Senhora Assumpção

Depois de um estudo que fizemos ao estilo do J.António de colher imagens não nos resta dúvidas que todas as fotos inseridas em livros e jornais, publicados, na última década do século XIX e a primeira do século XX são do J.António.Vamos continuar a nossa investigação e voltar a dar o seu a seu dono!

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À MARGEM

A Charoen Krung, a Captain Bush Lane, onde se situa a Embaixada de Portugal são duas artérias muito minhas! Todos temos a nossa rua aquela onde nascemos e no correr da vida outras. A Chaoren Krung é um quinhão de minha vivência. São passados 30 anos desde a primeira vez que por ela fui transportado por um, já bem rodado, táxi Datsum "Blue Bird" que nos socalcos, do desnível das artérias, batia chapa e tremia toda aquela estrutura.Desde 1977 nunca mais deixei de passar por ela, de pé ou de automóvel. Fui o meu caminho, todas as manhãs, quando me diriga para exercer as minhas funções de "manga de alpaca" na Embaixada de Portugal em Banguecoque. Conheci-a ainda com muitos edifícios do tempo do J. António. Durante o dia, era eu que ía aos Correios Centrais deitar as minhas cartas. No meu caminhar encontrava mulheres, que por anos as conheci a assarem pernas e asas de galinha; outras confeccionaram doçaria, tradicional tailandesa. Junto aos correios, conhecia, uma "mulherzinha" que fazia bolinhos de tapioca que cozia em cima de uma chapa colocada nas brasas de um fogareiro a carvão. Depois de prontos quedavam-se de cor de violeta e perfumavam as narinas dos transeuntes. Comprei-lhe várias vezes a sua especialidade. Uma manhã, ainda cedo, a uns metros antes de voltar o carro para a Captain Bush Lane, vejo um círculo de pessoas à volta de um corpo que um carro lhe tirou a vida. No meio da manhã fui aos correios e não vi a "mulherzinha", tinha sido atropelada mortalmente e morreram, para sempre, aqueles bolinhos que eu gostava de saborear e de lhe comprar. Andavam, também, por ali uns indianos a vender amendoins torrados, com piri-piri, que vendiam uns copos de lata por cinco bahts. Tabuleiros, em cima de rodas de bicicleta, que todas as manhãs preparavam os pequenos almoços para os funcionários dos correios: troços de tapioca, cozido, embebidos com mel; os fritos de farinha "patong-kó" que até eu comprava por dez bates a meia dúsia que me faziam recordar as filhós portuguesas. A Chareon Krung, agora já não era a rua onde o quotidiano dela já não era o ponto de passagem da comunidade estrangeira, de homens de negócios vestidos a rigor e calçavam botas à "federico". Havia sim alguns nomes de empresas antigas que tinha passado para a administração dos tailandesas. A lei da vida não perdoa. As pessoas partiram do Sião para as suas terras ou para os cemitério da rua da Silom ou para o protestante da Charoen Krung. Junto aos correios ainda estavam dois dentistas chineses com máquinas, antigas de burilar dentes, os alicates de os extrair e as dentaduras postiça exposto todo este material, dentário, na montra. Um alfaiate chinês de excelente trabalho, em bom pano, que executava balalaicas de óptimo corte, fatos e alfaiate que foi de diplomatas, homens de negócios e meu também por alguns anos. O artista partiu para a última morada no cemitério chinês, num caixão "pomposo" e ladeado, em cima de uma carrinha aberta de oito mulheres vestidas de serapilheira.As pessoas das que conheci e convivi foram-se! Partiram, igualmente, para outros sitíos as duas casas de massagens moravam na Charoen Krung que eu de quando em quando lá ia para relaxar e entregar o meu corpo às mãos macias de uma jovem tailandesa.Pouco já vai havendo na Charoen Krung do meus velhos tempos.A Charoen Krung continua no mesmo sitío! E eu a caminhar por ela. Já lá vão 30 anos. Continua a ser a minha rua e, uma parte, da minha juventude.

José Martins
Fontes: Texto e fotos (não todas) do autor. Outras fotos: da obra "Twentieth Century Impressions of Siam - It´s History, People, Commerce. Industries, and resources. (Que pensamos pertencerem ao J.António, dado que não foi referido o nome do fotógrafo.

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