Monday, February 28, 2011

BAIRRO PORTUGUÊS DE SANTA CRUZ EM BANGUECOQUE; PAULA CRUZ DO SIÃO

PAULA CRUZ

(Uma ilustre lusa-tailandesa no Reino do Sião)

Os avós de Paula Cruz, nasceram, no “Ban Portuguete” (Aldeia dos Portugueses), em Aiutaá. Seus pais e ela viram a luz do dia no portuguesíssimo, Bairro de Santa Cruz, em Thomburi; do lado oposto de Banguecoque e junto à margem esquerda do grande rio Chao Praiá.

A antiga capital do Reino do Sião, dos templos, budistas, forrados a folha de ouro, numa noite, no princípio do mês de Abril, do ano de 1767, foi incendiada e pilhada pelas tropas invasadoras do Reino do Pegú.

Junto à margem do rio Chao Prya ( Chao Praiá), havia cerca de 250 anos uma comunidade luso-tailandesa tinha sido formada, num terreno de 2 quilómetros de comprimento e de trezentos metros de largura.

Em absoluta paz, serena, mais de duas mil almas, de mistura de sangue português e siamês foram assistidas, espiritualmente, pelos missionários do Padroado Português do Oriente, em três paróquias: S. Franscisco (dos Franciscanos) S. Domingos (dos Dominicanos) e a de S. Paulo (dos Jesuitas).

Naquela terrível noite de Abril, entre gritos de dor os residentes siameses fogem apavorados, entre os arrozais e florestas, em várias direcções, para assim, se livrarem da soldadesca peguana.

São vagas as informações em cima do número de pessoas que integravam a comunidade lusa-tailandesas no “Ban Portuguete” mas pela existência, e dimensão da área, de três igreja, seriam mais de duas mil almas.

Segundo relatos, ainda hoje, de residentes, católicos, tailandeses (que vivem e morrem no Ban Portuguete) de geração-em-geração ficou, na memória, o facto de que a comunidade luso-tailandesa e a chinesa foram as últimas a renderem-se ao exército do Pegú.

E para que tal tivesse acontecido uma meia dúzia de soldados, birmaneses, entraram no “Ban Portuguete” hasteando uma bandeira branca, para negociarem a rendiçao e, com eles a mensagem do comandante de que nada de mal seria feito aos residentes.

Comunidades do ocidente, além da portuguesa, chinesa, japonesa e malaia eram diminutas. Havia uma, pouco numerosa, de origem holandesa cuja dimensão da área (actualmente em escavações) a descoberto, seriam de pouco mais de umas cinquenta pessoas que se empregavam nos armazéns da Companhia das Indías Orientais, na administração e na carga e descarga da mercancia chegada da Batávia (Indonésia) ou a comprada no Reino do Sião, principalmente a prata do Japão e vendida pela comunidade japonesa para despachar e mercanciar nos portos da Europa.

Outro reduzido número de europeus, residentes, eram mercadores e com as suas residências e armazéns na orla dos rios: Chao Praiá, Pasak e Lopburi é de prever que tenham fugido, em embarcações, para Banguecoque, na altura do pandemónio e do clamor das gentes que viam membros de suas famílias a serem assassinadas e os haveres extinguidos pelo fogo ou roubados, no meio daquela orgia incendiária.

As comunidades portuguesa, chinesa, japonesa e a Malaia são núcleos populacionais, étnicos, já por séculos, estabelecidas em Aiutaá, nutrem a simpatia dos Reis do Sião.

Os monarcas de Aiutaá são tolerantes à propagação de religiões, mesmo que estas não se encaixassem nos designíos da budista e podem os membros das comunidades, praticá-las livremente ou mesmo os siameses optaram por outra em vez do budismo.

A comunidade japonesa, os seus descendentes foram os cristãos perseguidos pelos samurais do Imperador, japonês e os seguidores de Francisco Xavier de quando o Apóstulo da Índia, introduziu, a partir de 1549 o catolicismo no Japão.

Instalaram-se do lado oposto, do Ban Portuguete, na outra margem do Chao Praiá cerca de uns 400 cristãos.

Anos mais tarde o lugar toma o nome de Yamada, um General, que fugido, também do japão, por motivos políticos, exilado em Aiutaá, que grangeia as simpatias do monarca siamês e torna-se um mercador importante.

Não muito distante da comunidade lusa-tailandesa e em direcção ao norte, quedava-se a comunidade malaia que professava a religião muçulmana.

As tropas, invasoras, peguanas depois dos templos budistas ficaram só com as paredes os telhados no chão, profanadas as imagens; pilhadas outras, fundidas em ouro puro e acrescentado toneladas, deste metal precioso, que os templos, sagrados, possuia e ainda outro, na posse dos siameses, abandonaram Aiutaá para o seu país com o produto do saque.

No meio daquela saga destruidora, nada escapa aos incendiários, inclusivamente, o fogo consome toda a literatura; os arquivos históricos siameses que apenas ficaram uns poucos documentos, expostos, presentemente, no Museu Nacional de Banguecoque e nos Arquivos Nacionais algumas estantes, lacadas, que foram, pequenas bibliotecas e guardadoras de livros.

No Ban Portuguete a comunidade lusa-descendente, que sempre ali tenha vivido em plena harmonia, os homens ocupavam-se nas diversas artes, no comércio, servindo o Rei no palácio como guardas reais ou noutros serviços.

As mulheres, a maior parte, das mesmas, de sangue de raízes de lusas ocupavam-se na criação dos seus filhos; no cultivo dos campos e hortas na proximidade do Ban Portuguete onde crescia o arroz e os vegetais para alimentação dos seus.

Durante a invasão, peguana, Aiutaá está despida de gente e de bens. Membros da família real mortos e outros que fugiram da hecatombe.

As comunidades: chinesa, malaia, portuguesa e japonesas estão nos seus territórios, sem terem sido molestados, fazem contas à vida como seria o próximo futuro.

A ex-capital do Reino do Sião com familias dizimadas, outras em debandada para as terras das províncias de Lopburi, Saraburi e mais para o nordeste e, distanciando-se, assim, da fronteira, que demarca, o Sião com o Pegú.

Com isto para se protegerem de novos ataques dos peguanos.

A cidade, que um cronista, francês informou Luis XIV que Aiutaá possuia mais ouro que a França.

As cinzas dos escombros ainda fumegam, quando se levanta o General Thaksin filho de pai chinês e mãe siamesa e, promete a si próprio, que irá, reunificar os siameses; dar caça aos peguanos e expulsá-los do Reino do Sião.

Thaksin, reorganiza os poucos soldados siameses, que restaram da invasão (possivelmente com residentes estrangeiros) e começa a luta sem tréguas puxando os birmaneses para o seu território.

As lutas de Thaksin contra os peguanos ainda não chegaram ao fim. Gentes fugidas, residentes em Aiutaá e destruída durante a invasão, estão de regresso

O grande General além de um excelente e arrojado comandante das forças militares, tem um poder, extraordinário, de organização das massas cujas estas são o seu Povo e as quatro comunidades estrangeiras que sofreram as sevícias da soldadesca do exército peguano.

Aiutaá é para Thaksin “capital queimada” que não pretente, por ora, reconstrui-la.

Não sua mente, existe: reconstrução e Aiutaá e a sua glória, depois da derrota, ficará para mais tarde.

As invasões e derrota de batalhas também, um dia, serão vitória e não menos glórias!

Thaksin escolheu Thomburi, como o melhor ponto estratégico para se defender de previsíveis invasões dos peguanos por terra e pelo lado da foz do rio Chao Praiá que dista a cerca de uns 15 quilómetros.

Por lado terreste, Thaksin está defendido, por uma faixa estreita do território, dos contra-ataques, dos peguanos entrarem no Sião pela fronteira dos Quatro Pagodes (ao oeste na província da Kanchanaburi) e o controlo absoluto de se defender-se dos juncos, armados, na passagem estreita do rio e a poucos metros das bocas de fogo, instaladas, entre ameias portugueses, no fortim de Thomburi.

As tropas do General Thaksin continuam a empurrar os peguanos, das terras do Siamesas.

Thaksin pela sua frente tem a espinhosa missão de instalar as populações desalojadas e despojadas dos bens possuídos, em Aiutaá.

A comunidade lusa-tailandesa encontra-se em absoluta extrema pobreza.

Deslocam-se do “Ban Portuguete” em barcos siameses, com a protecção de Thaksin. Oferece-lhes uma parcela de terreno, para que ali começassem vida nova.

Além, da generosa e valiosa dávida oferece-lhe, também, a madeira para que construissem as suas casas para habitarem e igreja para a continuação, da prática da religião católica, a que por tradição já professavam no Ban Portuguete por mais de dois séculos.

Ao bairro é lhe dado o nome de Santa Cruz.

A designação é o símbolo da Cruz e o lenho que carregaram de Aiutaá e o recomeçar, da estaca zero, nova vida em Thomburi.

Os nomes comunidade são integralmente portugueses. Católicos de pureza extrema e regem-se pela lei, sagrada, dos 10 Mandamentes da Santa Madre Igreja.

Ajudam-se mutuamente e vivem numa comunidade onde a palavra de ordem é a união (ainda hoje assim é): “um por todos e todos por um”. Os homens constroiem o bairro para a vivência da comunidade; as mulheres dedicam-se à confecção do “FoiTong” (os fios de ovos de orígem portuguesas e o doce mais popular em toda a Tailândia), e os queques, também portugueses (já fabricados em Aiutaá) e que nos dias hoje, continuam a ser produzidos no sistema tradicional introduzido há quase 500 anos no “Ban Portuguete”.

Os queques são cozidos em fornos de cavacas e moldados e formas, onduladas, de lata. A “fabriqueta” dos queques, situa-se numa viela estreitinha do bairro, no chão de uma casa construida de madeira de teca tem passado de geração em geração, desde o final do século XVIII e até hoje, o fabrico continua manter-se nas mãos da mesma família.

No Bairro de Santa Cruz nasceu a Paula Cruz com descendência, portuguesa, cujo os seus antepassados, a família Cruz, residente no Ban Portuguete, fora, também, vitíma da caida da capital.

Entretanto, depois de analisar, as fotos de Paula Cruz, o seu rosto não me restam dúvidas que a bela senhora é lusa-descendente e dá-me uma certa convicção que é de orígem, étnica, macaense.

No Bairro de Santa Cruz, nos anos de 1868, nasceu uma verdadeira história de amor entre Paula Cruz Albert Jucker de nacionalidade suiça.

Idílio, absolutamente, desconhecida dos portugueses que vale a pena de ser contada e, meditarmos, sobre a “Alma Lusa” e os impulsos do coração, enorme, que os portugueses possuiem e quando assimilados a pessoas de outras etnias cujo o sangue português lhes corre nas veias.

Albert Jucker um jovem Suiço, nascido de uma família de média classe, com um pequeno estabelecimento na povoação de Winthur, depois de ter concluido a instrução primária e a secundária, partiu para Paris com 19 anos.

Empregou-se numa empresa especializada com negócios na Indochina e com uma filial em Saigão.

Com 22 anos e em 1866, a empresa francesa envia-o para Banguecoque como assistente do director-geral da filial que acabara de inaugurar na capital siamesa.

Seis anos depois, em 1872, Albert Jucker de sociedade com um primo que mandou vir de Winthur fundam a Jucker & Sigg & Cª . Juntam-se mais dois jovens, que Albert manda vir, da Suiça e a empresa em poucos anos volta na maior dentro do Reino do Sião.

A empresa Jucker & Sigg & Cª está sitiada junto ao Bairro de Santa Cruz e nas redondezas os grandes armazens onde as mercadorias era guardadas as importadas ou as para exportar.

O jovem Albert Jucker viva a paredes meias do Bairro de Santa Cruz e no seu quotidiano de ida para o escritória e regresso para casa, pelo seu pé (os automóveis ainda não tinham, sido inventados e chegados ao Reino do Sião) uma jovem luso-tailandesa, por quem se cruzava nesse vai-e-vém, a sua beleza começou a impressionar o jovem Albert e, amá-la em silêncio.

Paula Cruz, lapidava o seu ser, na Escola do Bairro Português de Santa Cruz, cujos mestres eram padres missionários do Padroado Português do Oriente.

Albert Jucker na flor da sua idade e um homem de negócios de retumbante sucesso, como todos os jovens, aspiram formar uma família e ter filhos. Em Maio de 1868 e o Alberto com a idade de 24 anos casa com a bela, lusa-tailandesa, Paula Cruz, na Igreja de Santa Cruz.

Da união matrimonial Paula Cruz brinda seu marido com três filhos e duas filhas.

A cidade de Banguecoque no século XIX era o cemitério dos europeus. A cólera a malária e outras doenças tropicais eram moléstias comuns que dizimavam muita população quer fosse esta siamesa ou europeia. Os banguecoquianos viviam sob o terror das pestes. Gente, ainda com sopro de vida, os familiares aterrorizados, é lançada ao Chao Praiá. Outra, apavorada, deixáva-a, agonizante, nas casas construídas de canas de bambú à espera do último suspiro.

Acodem a esssa pobre gente os missionários adventistas, americanos oferecendo-lhe palavras de conforto. Morrem assim milhares de siameses na época pestosa e com eles alguns dos poucos estrangeiros que viviam na nova capital do Sião, erguida no pântano e ao nível da água do mar.

Albert Jucker, que tinha formado um grupo empresarial, gigante, na capital do Sião morre, vitimado, pela cólera em 1886, com 42 anos!

Deixa Paula Cruz com cinco filhos e uma enorme fortuna.

Paula Cruz corajosamente e sem desânimo coloca-se à frente e administra todas as empresas herdadas do seu marido.

Partiu para a Suiça, e para Winterthur, a terra onde nasceu o seu marido Albert Jucker, talvez ali fique e educar os seus cinco filhos!

Paula Cruz não se adapta aos hábitos e o modo de vida da Suiça.

As saudades do Bairro de Santa de Cruz mortifica a alma da jovem viúva.

Regressa ao Reino do Sião e deixa os seus filhos em Winterthur, entregues a tutores, para seguirem os estudos nos moldes da europeus.

Paula Cruz, uma visionária, bem sabia que as suas numerosas empresas estabelecidas, no Reino do Sião, já virados para os grandes negócios com o ocidente necessitam, no futuro, que os seus cinco filhos as venham administrar.

Paula Cruz, além de admistrar o grupo Jucker & Sigg & Cª é personalidade feminina, grada, na Corte do Rei Chulalongkorn, onde a lusa-tailandesa é a principal fornecedora de peças finas de joalharia para a rainha e as princesas reais.

Foi agraciada pelo Rei Chulalongkorn com o título, real “Mae Phan” assim como já tinha, o monarca siamês, galardoado o seu marido Alberto Jucker com título honorífico: “Cavallier” e acreditá-lo como Cônsul Honorário de Itália

O Rei Chulalongkorn na sua visita à Europa à 1907, numa altura que Paula Cruz se encontrava na Suiça, o monarca, visitou este país e deseja avistar-se e cumprimentar “Mae Phan”.

O Encontro realizou-se em Zurich.

Paula Cruz é a primeira lusa-tailandesa, católica a ser recebida por um Papa e teve uma audiência com Pio X no Vaticano.

Paula Cruz, já em idade avançada, reparte o seu tempo: uns meses em Banguecoque e outros na Suiça.

Os seus filhos tomam conta da administração do Grupo Jucker & Sigg & Cª , em Banguecoque e das filiais espalhadas pelo mundo.

Paula Cruz de idade avançada e de uma vida feliz de tragédia e glória decide passar o resto da vida que tem pela frente, na seu confortável palacete, na Rua Surawongse, a menos de meia légua do Consulado de Portugal.

Na altura sob a gerència do Comendador Goffred Bovo, e cônsul de Itália de que por várias vezes, de 1920 a 1934 é lhe entregue a administração da representação portuguesa no Reio do Sião!

A Casa de Portugal em Banguecoque está nas mãos de um estrangeiro, os interesse portugueses abandonados e os luso-tailandeses igualmente...

Paula Cruz, uma grande mulher, luso-tailandesa, morre na paz serena ao 84 anos em 1934.

Não sei onde repousam os seus restos mortais. Penso que foram transladados para o novo Cemiterio de Nakhon Phaton, a uns 30 quilómetros de Banguecoque, propriedade da Santa Sé, que deu lugar aos cemitérios, católicos dos bairros portugueses; o da Silom Road, onde eram sepultados os católicos, de várias nacionalidades e residentes na capitão do Sião.

Terrenos, sagrados, propriedades dos mortos que neles foram dormir a ternidade foram sujeitos à profanação e à pilhagem, desses espaços para construir residências de padres e freiras, campos para a prática de desportos, cuja obra é:

Da Divina Graça do Espirito Santo dos Apóstulos de Sua Santidade o Papa Sentado num Cadeirão de Oiro no Vaticano!Amen

À margen. Graças a uma brochura editada pela Berli Jucker (nome que substitui a Jucker & Siggs & Cª) em 1982 e, durante as festividades dos 200 anos da existência de Banguecoqu, que mão amiga me fez chegar.

Durante mais de 20 anos dediquei parte da minha vida a investigar a história do passado de Portugal no Reino do Sião.

A história de Paula Cruz, assim como a da lusa-japonesa Maria Guiomar de Pina , apaixonam-me e merecem todo o meu cuidado em continuar a investigar as suas obras, dá-las a conhecer para que não se perca a história no correr do tempo.

Porém na “papelada” velha, dos arquivos da Embaixada de Portugal (infelizmente muito mal cuidada e preservada no século XIX e no XX) nunca encontrei, referênncia que fosse, no livro de Assentos de nascimentos, casamento e óbitos que me dessem conta de Paula Cruz.

Penso que todos os registros de nascimento, baptismo e casamento e até do óbito, foram efectuados na Paróquia do Bairro de Santa Cruz e já seguiram (não me restando dúvidas) para os arquivos do Vaticano, onde neles é missão impossível penetrar nesse santuário político e eclesiástico.

José Martins/Banguecoque 2006

A LÌNGUA PORTUGUESA NA ÁSIA

As fotografias foram apagadas, devido esta peça ser transferida do nosso portal www.aquimaria.com

A língua de Camões no tempo actual é o meio de comunicação de cerca de 300 milhões de pessoa à volta do Globo. É consequentementeo oficial nas instituições, de ensino nas terras que os portugueses povoaram, colonizaram após do começo do século XV e quando se dá início à era da expansão.

Expandiu-se, progressivamente pelas costas Ocidental de África, Índia, Costa do Coramendel, Ceilão, reino do Pegú, Ilhas Samatra, Molucas, China até ao Japão.

Portugal, país de reduzida dimensão geográfica, fundado em Guimarães por Don Afonso Henriques em 1128, estendeu-se até ao Sul que banhado pelo Oceano Atlântico que o privilegiou com a varanda da Europa.

A grei, composta de homens rudes e de alma generosa, nela surge um português ilustre: o Infante Dom Henrique.

Fundou a Escola Náutica de Sagres que o coloca, sem qualquer contestação, numa figura humana de enorme dimensão que transformou completamente o Mundo, no século XVI, graças à sua persistência. O sonho do Infante foi concretizado após a sua morte: as Caravelas de Cristo já navegavam em todos os oceanos da terra.

Mercadores, missionários, do Padroado Português do Oriente, conforme os mareantes lusos largam as âncoras das caravelas nas baías e enseadas nas costas das novas terras descobertas a civilização lusa juntamente com a fé cristã foi introduzida.

Com isto a lígua de Camões, foi por quatro séculos o meio de comunicação entre os países da Ásia, para o comércio, tratados entre países e relações bilaterias, missionários de crenças existente na Europa, a religião católica, em meados do século XVII, o protestantismo.

A língua portuguesa no final do século XVI é falada desde a Madeira,descoberta em 1418, até ao remoto Japão.Os portugueses durante quase um século estão senhores absolutos do comércio do oriente, foi no espaço de 100 anos que milhares de pessoas aprenderam a falar o Português e assimilaram frases de lingua lusa às das suas raízes.

Em todos os portos da Ásia, onde os mercados e a comunidade luso-descendente se instalam, a língua portuguesa ali está a servir de meio de ligação entre a França, Inglaterra e a Holanda, quando estas nações começam a descobrir o "filão" das riquezas do Oriente.

Era assim a importância do português em todo o continente asático: S. Francisco Xavier, o apóstolo das Indías, ao serviço da coroa portuguesa, em 1545 pede a Lisboa que lhe mandem missionários a falar a língua portuguesa. A holanda e o Bantão (Indonésia), em 1596 assinam o primeiro Tratado de Paz e Comércio, cujo texto é redigido na língua portuguesa.

Dois anos depois, Maurício de Nassau, regente dos Países Baixos foi portador de uma Credencial que o acreditava como Representante deste país. Ainda neste mesmo ano (1598), os holandeses colocam uma inscrição pseudo-portuguesa na Ilha Maurícia. Um inglês, comerciante, em 1600 é chamado perante um Imperador do Japão e foi na língua portuguesa que se exprimiu.

Os barcos ao serviço dos holandeses, nas viagens para o Oriente, levam intérpretes para a língua portuguesa. Frei Gaspar de S. Bernardino, em 1606, encontra no coração da Pérsia pessoas que falam o Português. Mergui (Birmânia), onde viveu uma colónia numerosa de portugueses e porto de grande movimento marítimo, a língua lusa era a corrente entre a populaáo local e a transitária. É assim a língua portuguesa o único meio de comunicação entre os povos da Ásia e o mundo ocidental.

Ainda em 1911, os missionários holandeses tinhan por obrigação de ter conhecimento global do português nos territórios sob a tutela da Compania das Indias Orientais.

Voltando ao início da introdução e depois de um século da língua portuguesa já estar firmada e enraizada por todos os países da Ásia,não pode ficar ignorado um estudo do prof. David Lopes sobre a expansão da língua lusa na Ásia: (1609). As autoridades de Urtan (Ilha de Puloway, Samatra) mandaram a Keeling um mercador inglês que falava português com uma carta de um Almirante holandês em língua portuguesa.Muitos habitantes da Ilha de Mhélia (uma das Ilhas Comores) falavam português. (1620) Tratado de Paz e Comércio entre dinamarqueses e o Príncipe de Tanjor em espanhol-português e alemão. (1638).Os moradores de Comores, em frente de Ormúz, falavam português. (1639-1687). Em Batávia, as mulheres da sociedade e os escravos falavam português segundo N. De Graaf. (1646-1658).Os Reis do Ceilão correspondiam-se em português com os holandeses. (1647). O Governador da Ilha Célebes falava bem português, segundo o Padre Alexandre Rhodes. (1661). A língua portuguesa é falada por quase todos os habitantes da Índia, segundo Schouten. (1675). Pregação em língua portuguesa na cidade de Batávia. (1679-1681). Os Reis de Aracão correspondiam-se em português com o Governador-geral da Batávia. (1686). Os jesuitas franceses que iam para a China falaram em português – " que era a língua mais corrente no país" – com o Governador da Batávia, segundo o P. Tachard. (1689). Em Sião, os padres franceses pregavam em português, segundo o P. Tachard. (1698-1704). A Companhia Inglesa das Índias obrigava os ministros da religião a aprender o português. (1708). O português, língua corrente em Batávia, segundo Valentyn. (1708). Os pastores de língua malaia em Batávia representaram ao Governador geral e ao Conselho da Indias pedindo que o culto em língua malaia se fizesse na igreja portuguesa. (1709). Grundler, missionário de Trangambar, afirma a grande utilidade da língua portuguesa para exerc´cio do seu ministério. (1711). A língua portuguesa é uma espécie de língua franca em todos os portos da Índia, segundo Lockyer.(1718). Ma história da Princesa Bilibamba, o heroi principe chinês, fala português, segundo Biervillas. (1723). Indígenas das Ilhas das Ilhas de Nicobar que compreendiam o português. (1724, ou um pouco antes). A língua portuguesa é de uso corrente entre os europeus da Índia, segundo Hamilton"…(1)

A Inglaterra e a Holanda procuram por todos os meios e preço tomarem o lugar aos portugueses na dominação do comércio do Oriente. Os britânicos preferem a Índia, enquanto os holandese se estendem mais ao Sul, navegando nas àguas do mar de Andanam, passam o estreito de Malaca, conquistam esta praça aos portugueses, fixam-se em Samatra,Batávia e em todas as Ilhas do arquipélago que nos dias de hoje são pertença da Indonésia.

A Dinamarca, com presença pouco significativa na Ásia, vai fazendo comércio e ocupam alguns portos da Costa do Coramandel, que não são mais que pontos de apoio logístico a sua navegação. A França deseja seguir as duas potências europeias e balançar,assim, já a dominada o comércio asiático, sem querer envolver-se em lutas. A Ásia é enorme e ali há muito que comprar e vender.

Luis XIV, o Grande intronizado rei de França, na idade do "biberão", aos cinco anos. Um Rei menino e certamente influenciado pelos educadores da Corte, fazem dele um monarca déspota, amante de batalhas e pelas lutas em que França se envolveu, leva a nação a sofrer o revés da miséria.

Luis XIV deseja colonizar apenas o reino do Sião e com o propósito da França ser o pêndulo da balança que pesava as forças inglesas na Índia e as holandesas na Indonésia.

São os missonários jesuitas das Missões Estrangeiras de Paris encarregadas de fazer a exploração da costa marítima do Sião, referenciar os pontos estratégicos em modos de espionagem para depois os transmitirem-nos ao Rei Grande.

Tal nunca viria acontecer dado que o Povo siamês deu conta da conspiração, deu-se um terrível massacre e com isto de missionários franceses já residentes em Ayuthaya. Os que conseguiram escapar, meteram-se em barcos, navegaram pelo rio Mekong e refugiam-se em Phnom Penh, no Cambodja e mais tarde no Vietname e Laos que não tardou a colonizarem estres três países.

A língua portuguesa não pode ser ignorada pelas três maiores potências europeias da época . Sabem os seus governantes que dela s terá de servir a sua gente como meio de comunicação, entre os povos das novas terras ocupadas.

Os novos ocupantes da Índia,Ceilão,Pegú,Malaca e a Indonésia, não era com facilidade que poderiam assimilar as dezenas de dialetos falados no Oriente. O português já estava a ser falado em termos correctos nos portos de toda a Ásia e nos crioulos simplificados – indo-português e malaio-português- o usado nas trocas comerciais.

São os franceses os que mais se servem da língua lusa em toda a Ásia e, aconteceu no Reino de Ayuthaya, onde a língua se tinha desenvolvido enormemente entre a comunidade lusa-descendente, no Bangue Portuguete (Aldeia dos Portugueses), com uma população a rondar as três mil pessoas.

Na outra margem do rio Chao Prya ou Mename, onde a comunidade portugueses vive,situa-se o Campo Japonês, cuja população é composta pelos cristãos perseguidos em Tenagashima e Negasaki pelo Imperador nipónico e os seus samurais.

Para os perseguidos é preferível fugir do japão que renegar a fé que Francisco Xavier tinha introduzido no país do Sol Nascente há mais de um século e ficam assim juntos à comunidade portuguesa onde o calor espiritual da religião da católica os aconchegava.

Chega com os avós do Japão (não há a certeza se nascida na Tailândia) uma ilustre e corajosa, ainda na flor da sua juventude, a luso-descendente Maria de Guiomar .Mulher virtuosa e possuidora de tão enorme generozidade que mais tarde vem a contrarir matrimónio com Constantino Falcão, de nacionalidade grega, que mercê da inteligência de que é dotado chega a ocupar o lugar de primeiro-ministro na Corte do Rei Narai, do Sião.

Os franceses utilizam Constantino Falcão como intermediário entre estes e o Rei Narai. Os missionários jesuitas das Missões Estrangeiras de Paris, servem-se dele para que o Rei Narai se possa converter ao catolicismo com a introdução de clérigos na Corte e, tem de ser a língua portuguesa o meio de entendimento entre o Sião e a França.O Museu de Versalhes conserva nas suas gavetas numerosa correspondência escrita em língua portuguesa, sobre Tratados e outros relações entre as duas monarquias.

A grandeza dos factos caiem, igual, como os impérios!

A língua portuguesa está a extinguir-se no Oriente.

Depois de Moçambique e contornando a Costa da Índia até ao Japão, apenas se fala o português (não em toda a população) em Goa,Timor e Macau.

A esperança que ainda nos resta, a língua de Camões, como oficial, em Timor a lembrar o passado histórico de mais de 500 anos.

José Martins

(1) David Lopes, Antologia da Historiografia Portuguesa II – De Herculano ao Nossos Dias, página 138 – Publicações Europa-América

FLOR DE LA MAR: A BELA ADORMECIDA

FLOR DE LA MAR

A Bela Adormecida

Adormecem, nos abismos dos sete oceanos, barcos portugueses que na procura de outras terras e seguindo o espirito da obra do Infante D. Henrique que aspira (e conseguido) fazer de Portugal um império comercial no contexto das nações do Velho Mundo.

Mas, embora a Obra do Infante fosse concretizado, a grandeza do fruto, expansionista, do seu sonho, não viria a conhecer, o filho de D. João I e D. Filipa de Lencastre, não foi bastante, a sua vida para observar a glória dos tão poucos e da tão grande Obra que doaram a Portugal e consequentemente ao Mundo, da época, ligando o conjunto de etnias; dar-lhes uma nova forma de vida após a descoberta da rota marítima pelo Cabo da Boa Esperança ao oriente e Américas.

O Grande D, Afonso de Albuquerque, animado pela realidade da profécia do Infante, envolve-se no projecto megalómano e arrojado de conquistar os mercados Orientais, depois da tomada da praça de Goa, em 1510, navegar mais ao Sul do Mar de Andaman e adquirir a administração de Malaca; a permuta de mercadorias, ali transaccionada, vindas de todo o Oriente.

A Flor de la Mar, nau de 400 toneladas, construída em Lisboa em 1502. Neste ano e sob o comando de Estevão da Gama (irmão de Vasco da Gama), sulca os mares em direcção à India. A segunda viagem acontece em 1505 e, ao dobrar o Cabo da Boa Esperança sofreu um rombo no casco e, reparada em Moçambique. Participa na conquista de Ormuz, em 1507, na batalha de Diu, em 1509 e na conquista de Goa em 1510 e em 1511 na conquista de Malaca. Afonso de Albuquerque utilizou-a para transportar de Malaca, o espólio tomado na conquista do entreposto comercial rico e o mais significativo de toda a Àsia.

A nau não venceu a tormenta que pairou no estreito de Malaca, na noite de 20 de Novembro de 1512

Ficou sepultada a “bela adormecida”, na base do mar com: ouro, pedras preciosas, obras de arte, mercadorias exóticas, adornos que depois da morte do grande capitão, da Índia, desejaria que estes servissem de vaidade e decoração fúnebre do seu mausoléu.

A Flor de la Mar e a suposta localização, serviu nos anos de 1989 a 1992, assunto discutido e publicitado na imprensa, escrita, do Sudeste Asiático é dá motivo a contravérsias onde se afirma, sem fundamento, que a Malásia disputa com a Indonésia os salvados nas entranhas das águas do estreito. Entretanto, Robert Marx, de nacionalidade americana e um caçador da recuperação de tesouros, que segundo se constou dispendeu 20 milhões de dólares no projecto de trazer â superfície da água as riquezas da nau.

Afirmou ter luz verde para iniciar as operações de salvamento do espólio e, segundo as suas declarações: “o barco mais rico desaparecido alguma vez no mar; com a certeza que a bordo tinham sido carregados 200 cofres de pedras preciosas; diamantes pequenos com a dimensão de meia polegada e com o tamanho de um punho os maiores”.

A nau da desventura continua adormecida, embalada pelas ondas, ao sul do mar de Andaman há 490 anos.

Até quando?

Talvez até sempre.

A última viagem da nau

Partiu de Malaca, sob o comando de Afonso de Albuquerque. O destino era Goa. O ilustre e indomável português da era da expansão,portuguesa, na Ásia, acerbidado de glória por ter dotado Portugal com o controlo e administração do maior centro de permutas de todo o Oriente. Com a Flor-de-la-Mar, navega a nau Trindade e um junco chinês. Afonso de Albuquerque ordena o carregamento na sua nau, Flor de- a Mar, os troféus da conquista.

Embarcadas mulheres, artesãs, hábeis na arte de bordar o fio de seda. Jovens dos dois sexos, filhos de nobres do Cabo de Camorim, para servirem a Rainha Dona Maria no Paço da Ribeira.

Finas decorações trabalhadas em madeira de Sândalo e Rosa, barras de ouro puro, ornamentos que serviram de cobertura no dorso de elefantes, nas grandes cerimónias quando o Sultão de Malaca os montava. Liteiras ricas de uso pessoal do sultão, revestidas a prata e ouro fino. Dois leões em ferro, retirados da tumba de um sultão de Malaca, para servirem, depois da morte de Albuquerque, guardas do seu túmulo em Goa.

Um infindável montante de pedraria, para depois meticulosamente seleccionadas para oferecer ao Rei Dom Manuel. Esta oferenda seria o testemunho da conquista e gratidão para com o Rei Venturoso de lhe ter conferido a honraria de Vice-Rei da Índia. Junto, com tão fino espólio, ía uma espada, cravada de diamantes e um anel de rubi, oferta do Rei do Sião a Dom Manuel I, presente do monarca siamês, pelo encetamento das relações recentes. Unicamente, foi apenas isto, que o grande Albuquerque conseguiu salvar, a sua vida e de mais quatro pessoas.

A Malásia e a Indonésia o tesouro afundado

A fortuna suposta existir na naufragada nau, partida em dois quando fustigada pelos “maus ventos” naquela noite trágica foi motivo, de entrevistas e sem valia de veracidade das disputas entre os Governos malaio e indonésio. Um e o outro reclamam o direito ao espólio afundado. A querela: guerra fria e surda, supostamente nunca teria existida foi incrementada nos anos 1991/92: Tudo isto se ficou a dever ao sensacionalisno, da divulgação, dado pelos jornais de alguns países do Sudeste Asiático.

O jornalista Tony Wells na revista “Skin Diver” escreve um artigo que cobre várias páginas e na capa: “80 biliões de dólares perdidos e descobertos”. O articulista historia Malaca, dá-o como o mais rico porto de toda a Ásia e alonga-se no naufrágio da Flor de la Mar. A peça, é ilustrada com várias fotografias onde estão porcelanas decorativas e uma estátua, a saltar à vista como se fosse de ouro

Não houve provas que os objectos tivessem sido da nau de Albuquerque. Rumores, circulados, as peças teriam sido compradas num antiquário e mais não serviram para uma notícía de cariz impostora. A té ao momento não há uma sólida evidência da localização,exacta, da Flor de la Mar.

Claro e certo que os cronistas portugueses contaram histórias de naufrágios nos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico e estes, ao longo de vários anos, capítulos têm sido traduzidos para várias línguas e, servido de pesquisa aos historiadores, estrangeiros, que os menos escrupulosos lhe têm acrescentado possiveis e imaginárias localizações com o provérbio: “quem escreve um conto acrescenta-lhe mais um ponto”.

Em 1960, o arqueólogo, marítimo, norte-americano, Robert Marx, tomou conhecimento, pela primeira vez, quando estava a “basculhar” papeis antigos, em Lisboa, do afundamento da Flor-de-la-Mar, que designa o espólio das preciosidadse e, mais milha menos milha, a localização do sitio certo onde se deu o acidente, marítimo, próximo da costa da ilha de Sumatra.

A história dá conta de cerca de 300 naufrágios nas redondezas, de naus portuguesas, inglesas, francesas, holandesas e, não há números exactos de quantos juncos chineses e outras embarcações, tradicionais, da região. Normalmente, o afundamento acontecia, pelo erro de navegabilidade, a ganância de carregar o mais possível de mercadorias, permebialidade dos cascos dos navios que enchiam os porões de água.

Segundo os cálculos, dos entendidos, a Flor-de-la-Mar está a 40 metros de profundidade.

fortunas, sem conta, silenciosas, no fundo do mar do Estreito de Malaca. Rota das naus dos países da Europa depois dos anos quinhentistas, encurtando a distância dos caminhos em direcção ao Golfo da Tailândia, Mares do Sul da China e do Japão.

Tesouros que o homem vai experimentando, com teimosia e meios técnicos a sua recuperação.

Até agora pouco, pouco mais foram encontrados que uns pedaços de porcelana da China, de pequenos juncos que não resistiram aos ventos ventos contrários à direccção do rumo tomado.

Os depojos, lá continuam sepultados indeferentes à teimosia do homem em os trazer à luz do dia e aos milhões (falsos ou verdadeiros) de dólares já dispendidos.

José Martins

Saturday, January 29, 2011

ARQUIVO HISTÒRICO - O MEU SÁBADO EM PROCURA DA HISTÓRIA DE BANGUECOQUE

Escrito: em Monday, 17 August 2009

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Sábado, Domingo e os dias da nova semana que se seguem são todos os iguais para mim. Orgulho-me de ser o único reformado do Ministério dos Negócios Estrangeiros depois de ter servido a diplomacia, em nome de Portugal, na Tailândia, ter ficado por cá.
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No passado sábado, 15 de Agosto e o dia da veneração da Nossa Senhora de Assunção, em Portugal, estou em casa sem saber aquilo que irei fazer da parte de tarde. Não me apetece mexer uma palha nem bater tecla que valha porque estou sem inspiração nenhuma.





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Por devoção à Senhora de Assunção também não vou ser má língua e insurgir-me com os meus rivais, desta praça, que seguem demasiadamente cansados e com a cabeça feita em água de tantas investigações políticas e culturais dos seus dias e dias a passearem nos corredores das grandes superfícies comerciais onde a frescura do ar condicionado é de borla.
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Preguiçosamente inclinei o corpo para as costas do cadeirão que a minha mulher me comprou há uns cinco anos e tem se portado com resistência admirável na estrutura e nas quatro rodas na base.
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Fechei os olhos por um momento e quando me preparava para entrar nas brasas chegou-me à memória um templo ao ar livre e a história viva de Banguecoque depois de meados do século -XIX e princípios do XX.


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O lugar poderá ser macabro para alguns, dado que todo aquele espólio histórico está dentro de um cemitério, mas para mim não tem esse significado pelo amor à história e às coisas do passado.
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Trata-se do Cemitério Protestante, na Chalerm Krung Road e ali foram sepultadas as grandes figuras, estrangeiras, que elas se deve, hoje, a cidade de Banguecoque e o modernismo da Tailândia.
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Levanto-me do cadeirão pego na Nikon D70, verifico as baterias e toca a dirigir-me para a Chalerm Krung e verificar como as coisas se quedavam e o terreno, frequentemente alagado motivado pela subida do caudal do Rio Chão Prya. Estava seco o solo em alguns locais e outros ainda alagados mas com pé para se caminhar.
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Quando visitei Banguecoque, pela primeira vez, há 32 anos e viria a ficar para sempre, a cidade encerrava ainda muito daquilo que tinha sido havia 150 anos.


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Casas de madeira de teca, na moderna rua da Silom, nas avenidas Sathorn e Sukhumvit. Na zona ribeirinha, apenas o velho Oriental Hotel, os correios Centrais, a residência dos embaixadores de Portugal, uma casa velha, desabitada, sino portuguesa, na Captain Bush Lane (que nunca cheguei a descobrir que ali teria vivido) e a seguir os armazéns da empresa fundada pelo Louis Leonwens (filho da famosa escritora Anna Leonwens).
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O cemitério protestante da Chalerm Kkung está carregado de história e nele repousam as individualidades, estrangeiras, que contribuíram para a modernização da cidade de Banguecoque e a Tailândia.
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Quando a terceira capital, Banguecoque, foi transferida de Ayuthaya em 1782 entrou numa nova era. Já me referi, anteriormente, que a cidade cresce com as navegações a vapor que da Europa e dos Estados Unidos entram na embocadura do Rio Chão Praya em procura das muitas riquezas de um Reino do Sião rico. Foi o fim dos centenários juncos chineses.
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Seria longa a história e preenchia inúmeras páginas se aqui a fosse contar no seu todo. Vamos porém resumi-la. A partir da década 30 do século XIX, chegaram a Banguecoque os missionários protestantes americanos de que viriam a influenciar S.M. Majestade o Rei Mongkut, antes de ser entronizado Rei Rama IV, que viria não só a expressar-se fluentemente na língua inglesa com obter conhecimentos sobre os hábitos do
ocidente.



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Na década de 50, do século XIX, já existe uma comunidade, estrangeira numerosa em Banguecoque e foi aumentando até aos dias de actuais.
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Empresas estrangeiras estabelecem-se num quarteirão, não muito distante da margem esquerda do Rio Chão Prya e numa extensão de uns quinhentos metros que se situava entre o princípio do “China Twon” até bifurcação da Chalerm Krung com a Silom Road.
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Mas entre as pessoas, estrangeiras que geriam empresas ou exerciam suas actividades dentro das mesmas, há outras contratadas pelo S.M. o Rei Mongkut , para modernizarem o reino no estilo da administração ocidental. Porém dada a insalubridade de Banguecoque e a disposição da cidade em solo alagadiço estava a nova capital sujeita a pandemias como a febre tifóide e a cólera que não poupava classe étnicas e uma esperança de vida muito limitada e pouco além de meio século de vida.
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Onde há vida existe a morte e, com os hábitos das comunidades estrangeiras onde se incluem, a chinesa e muçulmana com a tradição de enterramento dos corpos, a Coroa siamesa doou-lhes terrenos para enterrarem os seus defuntos.
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As concessões são oferecidas conforme a etnia a que pertenciam. São assim implantados os cemitérios Protestante, na extensão da Chalerm Krung, o Católico, Ortodoxo e o chinês, na Silom Road em talhões separados. O três bairros portugueses; Senhora do Rosário, Santa Cruz e da Imaculada Conceição têm os seus próprios cemitérios paroquiais que desapareceu, o do Rosário e o de Santa Cruz sendo o terreno ocupado com construções para a Igreja Católica.
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O católico da Silom Road, também desapareceu e apenas ficou o talhão chinês e uns espaços, particulares, que pertencem a famílias chineses abastadas, que não consentem que naqueles espaços, bastante, largos a profanação do espaço onde dormem seus antepassados, praticamente desde a fundação de Banguecoque em 1782.
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Toda a história, viva, da fundação da cidade perdeu-se e difícil poder fazer-se um
inventaria dos que ali foram enterrados que foram um quinhão que contribuíram para edificar a grande cidade, de Banguecoque, que é hoje.
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Mas o Cemitério Protestante da Silom Road já está dado como monumento da cidade e vai ficar para sempre. Há uns quatro anos descobrimo-lo, fizemos umas poucas imagens, mas não podemos caminhar pelo meio das sepulturas dado que o terreno, que se afunda ano por ano, estava completamente alagado. O capim alto também dificultava para ler os nomes dos epitáfios que parte deles completamente apagados.


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Pelas arvores, com as raízes protegidas, estendidas pelo chão, me pareceu que aquele campo histórico vai ser transformado em Parque e os nomes, esculpidos no granito ou em mármore fina de Carrara, e trabalhava por artistas italianos que viviam em Banguecoque vão ser avivados e dar a oportunidade que sejam lidos os nomes das importantes figuras que ali dormem.
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O meu objectivo é o poder encontrar o nome de duas pessoas para que possa completar a investigação sobre suas vidas e obras.
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As fotografias inseridas bem dão conta das proeminentes figuras que ali foram enterradas entre elas o Almirante Bush, o nome da rua onde se situa a Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Digno de realce que pelos bons serviços que prestaram ao Reino Sua Majestade o rei Chulalongkorn mandava-me erigir um monumento como prova de gratidão aos seus bons serviços.
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Voltarei de quando aquele monumento nacional ao ar livre esteja transformado em parque, os nomes nos epitáfios avivados e continuar a minha investigação. Mas já recolhi vários nomes que me eram familiares, entre eles membros da família do médico Campbell e outras que deixaram nome em Banguecoque.
José Martins

Monday, January 17, 2011

CELESTINO XAVIER - PORTUGUÊS ILUSTRE NA CORTE DO REINO DO SIÃO

Escrito: Wednesday, August 29, 2007

CELESTINO XAVIER - Português Ilustre na Corte do Reino do Sião

Celestino Maria Xavier um luso-descendente ilustre no Reino do Sião no final do século XIX e princípio de XX.
Desempenhou cargos importantes na Corte do Rei Chulalongkorn desde, diplomata, Sub-Secretário de Estado a Vice-Ministro das Finanças.
Foi uma personalidade proeminente nos meios civis e oficiais da cidade de Banguecoque. Vamos assim
descrever a história de Celestino Xavier, que obteve da Corte o título honorífico Phya Paipat Kosa.
Há uns 25 anos entrei, por curiosidade, num cemitério na rua da Silom a cerca de 500 metros da "New Road"; a primeira via construída na capital do Sião e adjacente ao rio Chao Praya. A minha curiosidade seria se por lá haveria gente, sepultada, portuguesa e luso-descendente.

Na rua principal daquele campo de repouso e a uns 30 metros da entrada do portão principal erguia-se um mausoléu de enormes proporções. Um pouco abaixo da cúpula uma inscrição em letras largas: XAVIER.
Celestino Xavier, Phya Phipat Kosa (a) entre as personalidades, proeminentes, da Corte do Rei Chulalongkorn

Pensei desde logo que aquele nome deveria ser português e dentro estivesse gente, lusa, sepultada, emigrada de Goa, Macau ou mesmo de Portugal. Não ficou de fora a hipótese a certeza de pertencer uma "clã" de família. importante, de negócios de Banguecoque.



O Mausoléu da "clã" Xavier foi edificado no cemitério da Rua da Silom, possivelmente, na década de sessenta do século XIX e teria sido depois do falecimento de Lucia Phuang Xavier, em 1863, com a idade de 17 anos. A foto do lado direito é como hoje se encontra no cemitério, católico, da Santa Sé, na província de Nakhon Pathon e a uns 40 quilómetros do centro de Banguecoque. O mausoléu e as ossadas foram transladas em 2004.
NOMES DESIGNADOS NAS PLACAS DENTRO DO MAUSOLÉU
1. Joachim Maria Xavier (o patriarca) Nasceu em 1793 - Faleceu a 22.7.1881, com a idade de 88 anos e correcto o registo do assento de falecimento do Consulado de Portugal)
2. Catharina Ti Xavier - Nasceu em 1811 - Faleceu em 10.10.1876
3. Luiz Maria Xavier - Nasceu em 1840 - Faleceu em 15.2.19024.
4.Lucia Phuang Xavier -Nasceu em 1846 - Faleceu em 1863
5. Adeodato F. de Jesus - Nasceu em 1841 - Faleceu em 1885
6. Leopoldina Maria de Jesus - Nasceu em 1850 - Faleceu em 1890
7. Joachim Maria Xavier JR - Nasceu em 1857 - Faleceu em 27.2.1898
8. Luiz Maria de Jesus - Nasceu em 1879 - Faleceu em 1883
9. Julia Antonio de Jesus - Nasceu em 1883 - Faleceu em 21.10.1896
10. Joaquim Maria Xavier - Nasceu em 1901 - Faleceu em 1902
11. Henriqueta M. Xavier - Nasceu em 6.9.1908 e Faleceu em 28.04.19o9
12. Koon Ying Bairm - N. em 1 de Out. de 1871 - F. em 8 de Abril de 1912
13. Celestina Maria Xavier - N. em 7 de Julho de 1911 - F. em 8 de Janeiro de 1998
14. CELESTINO MARIA XAVIER (PHYA BIBADH KOSHA) - NASCEU EM 18 DE OUTUBRO DE 1863 - FALECEU EM 30 DE OUTUBRO DE 1922
"THY WILL BE DONE" (Transcrita fielmente a inscrição da placa)
15. KHUNING SRISAR VACHA (HARSARET LIN XAVIER) NASCEU A 25 DE MAIO DE 1868 (Ilegível a data do falecimento) - Aventamos a hipótese que Khuning Srisar Vacha. deveria ser a esposa de Celestino Maria Xavier, dado ao título honorífico que ostentava, só conferido a senhoras esposas de proeminentes figuras ligadas à Corte. Costume que nos dias de hoje se mantém.

No cemitério da rua Silom, há 20 anos, estavam por lá muitas sepulturas (iremos tratar, este assunto próximamente) bem cuidadas, flores, em jarras, frescas e lápides com nomes portugueses.

Entre essas duas abandonadas divididas por cerca de um metro, pertenciam a dois cônsules portugueses: Luis Leopoldo Flores e do Dr. Joaquim Campos.
Desde que as encontrei, pela primeira vez, nunca mais ficaram desprezadas. Encarreguei uma "mulherzinha" já velha que andava por ali a limpar sepulturas para, retirar os "cacos" partidos de jarras que se encontravam espalhados pelo chão e as ervas em redor. Com uma "mark pen" preta avivei as letras de seus nomes nas placas. Estavam por ali esquecidos os dois cônsules de Portugal e até deu para meditar:

"Tudo neste mundo existe enquanto há vida e depois de terminar vai-se a memória de vida, enquanto foram vivos, dos que partiram. Nem sempre a glória ou desaire da presença do Homem Português (já que mais não fosse o prestígio de ter ser sido português) na Ásia, lhe chegou depois da morte. Ficaram por aí esquecido e valha-nos, ainda, os poucos túmulos, com os epitáfios, existentes, para que alguém interessado na história investigue a vivência de sua passagem por terras do Oriente".
Voltei uns dias depois para fotografar as sepulturas com os nomes portugueses. A porta do mausoléu da Família Xavier estava segura por um arame, desengonceio-o e entrei dentro. Uma família completa, dormiam o sono eterno nos túmulos cavados no solo do mausoléu e cobertos com placas de granito.
Lápides apostas nas parede aparador de mármore sem jarros e há muito ninguém ali tinha colocado uma flor que fosse ou mesmo de matéria plástica.

Ontem quando o visitamos, mesmo murcha que fosse, não se quedava naquela mesa, uma flor e à sua volta apenas o ambiente de um silêncio sepulcral. Porém, fora daquele mausoléu e uma vaidade necrópole (porque não os vivos, enquanto vivem, se não devem orgulhar, do que hajam sido em vida depois da morte?), árvores, jacarandeiras, cuja ramagem chegavam à cúpula daquele pequeno palácio, do silêncio.

Porém na ocasião que o vi, em verdade, não liguei demasiada importância ao facto e, dentro, estaria, mais uma família portuguesa, ou lusa-descendente, extinguida numa cidade onde a esperança de vida era curta. A cólera a malária, a fraca qualidade de conservação dos alimentos terminava com a vida, das pessoas muito cedo.
A minha investigação em procura da procedência e raizes da família Xavier ficou esquecida por mais de duas décadas.

Tive conhecimento, entretanto, através da leitura que L. Xavier tinha sido proprietário de uma fábrica de descasque de arroz algures em Banguecoque e junto à margem do rio Chao Prya (Klong Kut Mai).

A informação chegou-me graças a um livro adquirido em 1994 "Twentieth Century Impressions of Siam: Its History, People, Commerce, Industries, and Resources" - Arnold Wright - Oliver T. Brakspear - Edição de 1908 e editado, há anos pela "White Lotus" ( www.whitelotuspress.com ) da cidade de Banguecoque.

Uma obra com interesse e muito útil a todos os investigadores interessados na história do antigo Reino do Sião, que recomendamos adquiri-la.
Para facilitar a informação aos historiadores e, para que a nossa tradução livre possa, inocentemente, deturpar a história, vamos transcrever o texto em língua inglesa e inserir as fotos relativas à fábrica de descasque de arroz.



L. XAVIER RICE MILL

"His Excellency Phya Phipat Kosa, The Permanente Under-Secretary of the State for Siam, is the head of one of oldest European families in the country. His ancestors came from Portugal do Bangkok upwards of a hundred years ago, and members of the family have held important posts under the Government almost continuously since that time. His Excellency´s father, Mr. Luiz Xavier - for Xavier is the family name, although the subject of this sketch is now generaly known by his official title of Phya Phipat Kosa - held the post od Deputy-Minister of Finance, and also that of honorary Consul of Portugal. After spending the best years of his life in the Governemnt service, he retired in orden to have more time to devote to his many private business interests, which were requiring his personal Bangkok, and educated in England and on the Continent. Having completed his studies, he entered the Foreign Office, and was shortly afterwards attached to the Royal Siamese Legation in Paris. On returning to Siam his promotion was rapid, and he soon attained the responsible position he now holds. In addition to official responsabilities he has the control of importante business interests, for he owns a rice mill and a considerable amount of land property. The mill is situeted on the Klong Kut Mai, and is noted for the high quality of white rice it turns out. His Excellency has just completed the construction of the granulating mill further down the river, wich is the second only of its kind in Bangkok. The mills are known by the name of the L.Xavier Rice Mills".


Após ter feito a descoberta que a família Xavier era de descendência portuguesa, fui procurar na reduzida informação em minha posse.
Nas cópias extraídas de um livro de assentos de nascimento,casamento e óbito do Consulado de Portugal em Banguecoque vamos encontrar no registo número 37 o seguinte:

"Falecimento de Joaquim Maria Xavier, com 88 anos, em 4/10/81, natural de Macau, comerciante, viúvo, morreu de senilidade. Foi sepultado no cemitério da Igreja do Rosário. Lavrou o óbito o missionário E.B. Dessalles e certifica-o o cônsul Henrique Prostes".


Na continuação da nossa "vasculhação" abrimos a obra "Portugal na Tailandia", escrita pelo Padre Manuel Teixeira, editada em Maio de 1983 (consulado do Embaixador Melo Gouveia), pela Imprensa Nacional de Macau. e vamos encontrar na página 259 o seguinte:


LUIS MARIA XAVIER - Vice-Cônsul

No Arquivo do Consulado Português de Bangkok encontrámos vários dados sobre Luis Xavier, que completamos com outros respigados nos Arquivos de Macau.Num documento de Agosto de 1902, lemos: " Joaquim Maria Xavier, natural de Macau, faleceu há muitos anos; deixou três filhos e duas filhas: - 1. Luis Maria Xavier, que foi Vice-Cônsul - 2. Joaquim Maria Xavier - 3. Viriato Maria Xavier - 4. Leopoldina Maria Xavier - 5. Alexandrina Maria Xavier".

Joaquim e Viriato faleceram em tenra idade já há alguns anos; Luis há mais dum ano e meio, deixando um filho legítimo, Celestino (Phya Piapat Kora; Leopoldina faleceu há algum tempo, deixando 5 filhas e 3 filhos: 1. Maria Francisca de Jesus - 2. Guilhermina Antónia Inês de Jesus - 3. Amélia Maria de Jesus - 4. Emília de Jesus - 5. Libânia Victória Leopoldina - 6. José de Jesus - 7. Guilherme F. Jesus - 8. Adeodato Francisco, que está em Paris como adido da legação siamesa.

Libânia Victória Leopoldina casou em 1903 com Germano Egídio de Jesus, nasceu a 1-9-1875 em Bangkok, filho de Filomeno Manuel de Jesus e de Micaela Antónia da Silva, de quem teve um filho, Victor Germano Egídio de Jesus; este casou em segunda núpcias, em 1905, com Guilhermina Antónia Inês. Sobre Joaquim Maria Xavier, irmão de Luis Maria Xavier, aparece no Consulado este documento:

Uma foto rara (1905) do terreno do Consulado de Portugal, com o mastro e a bandeira das quinas a flutuar no vento. O pau de bandeira, foi por muitos anos o ponto de referência, da navegabilidade dos canais em direcção ao Rio Chao Prya. A doca de Banguecoque quedava-se a cerca de 300 metros, a jusante (ainda nos dias de hoje existe o edifício da alfãndega em ruinas) e onde todo o tráfego marítimo, cargas e descargas de mercadorias locais e estrangeiras se processava.

"Que pela morte do aludido Joaquim Maria Xavier (troco) tendo ficado dele um terreno situado quase ao pé d´este consulado e confrontado por nascente com o terreno do Governo siamês pelo poente terreno do consulado geral de Portugal, norte da Bush Lane e sul missão americana, terreno em que existem três pequenas casas de madeira cobertas de folhas de palma, sendo duas pelo lado ocidental e uma pelo lado oriental, e mais uma ao centro também de madeira pertencente ao aludido Phya Pat que a mandou levantar não pode ser materialmente dividida em três partes iguais, vista a situação dos prédios já mencionados. Que por estes mesmos outorgantes, de comum acordo, resolveram que o mesmo terreno seja vendido em hasta pública, perante este consulado geral, para ser o produto dividido na razão do direito de sucessão em três partes, sendo uma delas sub-dividida entre os representantes do 3º ramo - Leopoldina Maria Xavier.

(ass.) Luis Leopoldo Flores, Maria Francisca de Jesus, Guilhermina A.I. de Jesus, Amélia Maria de Jesus, José Maria de Jesus (ilegível, feitor de G.A. Jesus), Domingos Maria Xavier, Eusébio Sequeira", (mais um nome ilegível).

Luis Maria Xavier foi nomeado Vice-Cônsul em 6 de Agosto de 1889, sendo demitido pelo seguinte ofício de 13 de Outubro de 1894 do cônsul Frederico António Pereira:

Elenco que fez parte do Governo do Rei Chulalongkorn, em 1985. Celestino Maria Xavier (o segundo da esquerda a partir da terceira fila, em pé, não se reconhecendo a face), designado como Phraya Phipya Kosa ( Tor Chotikastira). Foto extraída do livro "A Pictoral Record of THE FIFTH REIGN)


"Tenho a honra de informar V.Exa. que, sendo altamente repreendido pelo Director-Geral dos Consulados, por ter deixado este Consulado, durante a minha ausência, entregue a V.Exa que não soube ou não se dignou cumprir com as instruções que eu lhe tinha deixado, sou obrigado a dar-lhe a sua demissão.Queira portanto V.Exa considerar-se demitido do cargo de vice-cônsul de Portugal desde a data deste" Eduardo Augusto Rodrigues Galhardo, Governador de Macau (1897-1900), visitou Bangkok em 1898. No relatório que elaborou após a visita escreve acerca desta demissão"...(Há) " um agravo e uma injustiça que está pesando sobre um cavalheiro a quem Portugal deve gratidão pelos serviços desinteressados prestados ao país, e pela protecção que tem dispensado e está sempre pronto a dispensar a todos os súbditos portugueses que se lhe acercam. Este cavalheiro é o cidadão português Luis Maria Xavier, nascido em Bangkok de pais portugueses, cavaleiro e comendador da ordem militar de Nosso Senhor Jesus Cristo, que goza de maior consideração por parte das autoridades locais e dos estrangeiros residentes, e que tem feito da sua fortuna e da sua influência pessoal largo uso a bem dos seus compatriotas.Luis Maria Xavier foi em 6 de Agosto de 1889 nomeado vice-cõnsul de Portugal em Bangkok; como tal, prestou muitos e desinteressados serviços, zelando pelos interesses dos súbditos portugueses durante o período crítico da Guerra franco-siamesa (1), e promovendo tudo o que pudesse engrandecer a sua pátria naquele país, como já anteriormente tinha feito, sendo um dos que mais trabalharam para conseguir um edifício para o nosso consulado, propriedade do Governo de Portugal e em terreno português, noq ue logrou ver coroados de êxitos os seus esforços, para o que adiantou o capital necessário, que depois lhe foi pago por decisão do governo.

A honestidade e respeitabilidade deste cavalheiro abriram uma separação entre e ele e o cõnsul Pereira, que sabia perfeitamente não encontraria no vice-cônsul aprovação ou auxílio para qualquer acto que não fosse absolutamente legal e justo e que, receando uma observação ou a representação oficial da parte de quem, residindo na localidade, a podia fazer com tantos e tão seguros elementos, evitava a todo o transe entregar-lhe o consulado.

Foi assim que, durante a ausência do cõnsul Pereira em 1890, o consulado de Portugal, em vez de ser gerido pelo vice-cônsul, ficou a cargo do cônsul da Holanda.


Na segunda ausência do cônsul Pereira em 1894, naturalmente porque o estado dos negócios do consulado era já assás conhecido e não houve cônsul estrangeiro que aceitasse o encargo, ficou a gerência entre ao vice-cônsul Xavier: se a honestidade deste lhe fazia condenar o procedimento do cônsul Pereira, o seu carácter bastante generoso calou o que viu e o que já sabia, e durante a sua interinidade só procurou acudir aos interesses dos súbditos portugueses que, naquela época anormal, reclamavam especial atenção, e sanar os atritos que da passada gerência iam surgindo.

Voltando o cônsul Pereira a retomar o seu posto, dirigiu ao vice-cônsul, em paga de não haver denunciado as suas faltas, sem haver a mais leve troca de explicações: um ofício de poucas linhas, com ele, cônsil Pereira, lhe dava a demissão de vice-cônsul e dizia que se considerasse demitido desde a data do ofício, 13 de Outubro de 1894.

Sem conhecer bem do valor da demissão nos termos em que lhe era comunicada, Luis Maria Xavier julgou-se contudo fundamente ofendido por um tão injustificado e brusco procedimento, tão oposto áquele que lhe tinha direito a esperar, e dirigiu, poucos dias depois, em 27 de Outubro, uma exposição documentada a sua excelência o ministro dos negócios estrangeiros daquela época, relatando o sucedido e esperando a satisfação que lhe era devida.


A essa exposição nunca obteve resposta, e de então para cá aquele respeitável ancião tem vivivo amargurado com a ofensa que recebeu do representante do seu país, ao qual ele tantos serviços prestou, mas nem por isso tem deixado de continuar a ser-lhe dedicado, e de espalhar favores pelos portugueses que o vão procurar, conseguindo para eles, das autoridades siamesas, graças que o cônsul nunca conseguiu por não ter influência para as obter.

(1) Refere-se à guerra de 1893: a 10 de Julho o Governo Francês avisou o príncipe Dewawongse de que as canhoneiras Inconstant e Cométe cruzariam, a 13 deste mês, a barra do rio Chào Phya a caminho de Bangkok. Sendo recebidos a tiro, conseguindo ancorar em frente da Legação Francesa. M.Develle, Min.º dos Neg. Est. da França mandou um ultimatum a 20 de Julho com pesadas cáusulas, que o Sião foi forçado aceitar.

O Governo português certamente não pode e não quer ser solidário com tão grande arbitrariedade, que revolta pela injustiça e pela ingratidão que encara: é justo que o cidadão Luis Maria Xavier, que nasceu em Bangkok, que nunca viu Portugal, e que, apesar disso, naquele recanto do mundo tem sido em toda a sua vida já longa dedicada a Portugal e aos portugueses, saiba, mesmo na velhice, que a Pátria teve conhecimento da sua dedicação, e que não é injusta para com aqueles que dela bem merecem.

Parece-me um acto de justiça, a reintegração do cidadão Luis Maria Xavier, proprietário residente em Bangkok, no cargo de vice-cônsul de Portugal naquela cidade:reparação que apenas depende da cumulação de um ofício ditado por meu espírito elucidado.


À parte de personalidades estrangeiras que o Rei do Sião contratou no estrangeiro para a organização dos serviços de administração da Corte, numerosos homens de negócios se instalaram em Banguecoque quer por sua conta ou representando empresas europeias ou dos Estados Unidos.

Como sinal de reconhecimento pelos muitos importantes serviços por ele prestados, não duvido solicitar de V.Ex.ª, acompanho-o de particular recomendação.


A 6 de Outubro de 1899, Galhardo voltava a chamar a atenção do ministro para a reparação dessa injustiça.

A 9 de Maio de 1899, F. Neiva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, respondeu que ia propor ao rei a condecoração para o ex-Vice-cônsul Luis Maria Xavier; mas quando à sua reintegração no consulado, dependia do no cônsul, Luis Corrêa da Silva, a quem competia escolher empregados de sua confiança.

Quanto a Frederico Pereira, sugeria que se lhe fizesse um inquérito rigoroso, dada a gravidade dos factos da sua gerência (1).

De facto, a Luis Xavier doi concedida a condecoração de Comendador; e o Cônsul Luis Corrêa da Silva entregou-lhe o consulado a 9 de Setembro de 1900, em que se retirou para Portugal. Ele geriu-o até à chegada do novo Cônsul, Luis Leopoldo Flores, em 22 de Dezembro desse ano.

Assim lhe foi reparada a injustiça.


No Reino do Sião havia muito que comprar e que vender! Um país de recursos naturais a explorar. Na linha de pensamento (herdada pelo Pai o Rei Mongkut) do Rei Chulalongkorn seguia que para o Sião voltar numa monarquia próspere teria que equiparar-se aos países do Ocidente e relacionar-se com eles.


À MARGEM

A nossa investigação em cima da família Xavier, de orígem portuguesa, residente em Banguecoque não ficou finalizada. Necessitamos de procurar se ainda vivem descendentes. Se a fábrica de descaque de arroz ainda labora, se passou para outras mãos ou se abandonada.

A família Xavier, sem termos qualquer dúvida em o afirmarmos foi a família mais antiga, portuguesa, que se instalou na nova capital do Sião. Celestino Maria Xavier, foi um dos seleccionados por S.M. o Rei Chulalongkorn, e certamente um dos priviligeado com uma bolsa de estudos para ser educado no estrangeiro. O grande Rei, além de conceder bolsas de estudo a siameses enviou seus filhos para capitais europeias para ali serem instruídos e de volta ao Sião contribuirem para o desenvolvimento da monarquia.

O Patriarca da família, Joaquim Maria Xavier, emigrou de Macau para Banguecoque (igual a outros macaenses que excerceram importante funções na Corte do Sião) e teria começado a construir o seu império de negócios, aí por volta de 1820 de quando foi doado o terreno a Portugal para construir Feitoria.

Pelo que analisamos foi um homem de grande influência junto da Corte de três Reis: Rama III,IV e V. Seus filhos, luso-descendentes, nunca deixaram de gostar de Portugal e Joaquim Maria Xavier optou por dar nomes de baptismo portugueses a seus filhos.

Não se encontram referências dos Cônsules Portugueses no Sião a enaltecerem a família Xavier e a posição de Celestino Maria Xavier, como Sub-Secretário de Estado e Vice-Ministro das Finanças. Compreendemos que certos cônsules de Portugal se deixavam envolver em "fastidiosas" intrigas de que não lhes dava para se acolmatarem aos que os rodeavam, diplomaticamente.

Pelo que transcrevemos acima, do Monsenhor Manuel Teixeira, bem razão temos para o afirmarmos, que (certo) acervos de Poder inventavam, difamavam os que os serviam, em prejuzio do país que representavam.

José Martins

P.S. Material de imagem inserido foi obtido de várias publicações da época e outro do autor.