Thursday, July 1, 2010

CARTOGRAFIA MARÍTIMA - NA EXPANSÃO PORTUGUESA QUINHENTISTA

CARTOGRAFIA

Terceira Parte

O astrolábio é um instrumento indispensável à navegação das naus portuguesas cuja sua utilidade é o de avaliar a posição dos astros e a sua altura acima do horizonte. Gil Vicente já o menciona na Capilaçam, fl.258 vs, ed. De 1562: <<> toda a hora>>.

O poeta dramático viveu na época do desenvolvimento e da expansão portuguesa e, há a necessidade, premente, de serem aperfeiçoados os astrolábios e que como se prevê: uma nova peça surgida, com outra inovação, a notícia corria célere em Lisboa e de que a Gil Vicente não poderia escapar.

Mas, melhor que nós e até porque somos leigos na matéria, António Estácio dos Reis da Academia da Marinha Portuguesa, escreveu dois excelentes trabalhos sobre os Astrolábios Portugueses e, publicados na não menos prestigiosa, publicação´(que ficou pelo caminho) “Oceanos” sobre a direcção de António Mega Ferreira nos números dois (Outubro de 1989) e sete (Julho de 1991), com os títulos genéricos

“Astrolábios Portugueses adquiridos em leilão na Christies” e “Viagem à roda de um astrolábio pintado”

No primeiro trabalho Estácio dos Reis dá conta de um leilão de salvados dos galeões, espanhois, “Nuestra Señora de Atocha”, “Santa Margarita” que naufragaram, em 1622, nas águas do oceano ao sul da América quando se dirigiam carregados de ouro, prata e bronze, para o porto de Sevilha.

É evidente que nesses galeões castelhanos, a mercadoria, nada tinha a ver com Portugal, mas só que os instrumentos, de navegação, onde se incluiam astrolábios, de fabrico português e, com isto havia a preocupação que os mesmos, não fossem parar a outras mãos e retornassem a Lisboa, donde tinham saído e com isto virem a enriquecer o espólio cultural, da época, dos descobrimentos. Assim foi procedida a arrematação, pelo telefone, do Palácio da Ajuda, durante um leilão que se efectuava na casa “Christie’s” de Nova Iorque. Três astrolábios e através das linhas de telefones foram arrematados por 30 mil contos, para figurarem no Museu da

Marinha e cujo o montante, da compra, bem se pode considerar uma excelente aquisição e investimento.

As novas tecnologias de submersão nas últimas décadas, fizeram com que fossem recuperadas grandes riquezas adormecidas no fundo dos oceanos onde repousam há alguns séculos.

Surgem, como é óbvio, os caçadores de tesouros.

Há centenas de naus afundadas devido a guerras, navais, com os piratas, temporais ou encalhes por todos os fundos dos mares dos oceanos.

Entretanto, para a quantidades de barcos naufragados, pouco tesouros foram trazidos à tona e recuperados.

Temos, por exemplo, a “Flor de la Mar” naufragada no Estreito de Malaca, capitaneada por Afonso de Albuquerque e perdida em 1511.

Desde há cerca de vinte anos, correm rumores, que a nau de Albuquerque foi localizada mas o certo é que não há a certeza que isso tenha acontecido. Mas ouçamos Estácio dos Reis:

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Segundo Estácio dos Reis o cartógrafo Diogo Ribeiro na fabricação dos seus astrolábios ter-se-ía inspirado num tábua com a pintura de S.Jerónimo onde junto a outros aparelhos de medição do tempo e certamente de ensaios quimicos se encontra pendurado numa prateleira de livros um astrolábio que se assemelha aos produzidos pelo Ribeiro na década de 1520.

Este planisfério apresenta, como particularidade importante, graduações de latitudes e de longitudes em todas as margens.

O prolongamento da carta pelo lado esquerdo permite apreciar a posição da China em relação à Califórnia e, pelo lado direito, representar completamente o Extremo-Oriente onde, a Costa da China, termina sob o meridiano dos 180º, por alturas de Chincheu. Numa das iluminuras surge o Imperador da China.

Na representação da Insulíndia nota-se, uma maior correcção, no desenho e

situação, da costa ocidental das Celebes do Estreito de Sunda e da ilha de Timor.

É o mais antigo planisfério português feito em Portugal após o de Cantino (1502) já que, o de Jorge Reinel c. 1519 e os de Diogo Ribeiro (quatro de 1525 a 1529) foram traçados em Espanha.

É a mais antiga carta em que o nome Japão vem registado, em ves do tradicional Cipango, e a sua primeira representação cartográfica não fantasiosa fruto das notícias enviadas pelos portugueses, para a Europa, a partir de 1543.

A Arquipélago Japonês surge como uma dupla correnteza de pequenas ilhas que começa na Formosa e que se dirige para leste e para norte até 41º onde está escrito ilhas de Miaco. No norte, junto a uma ilha maior, lê-se Japam.

A legenda de autor deste planisfério diz: “Lopo Homem cosmógrafo , cavaleiro fidalgo de El-Rei Nosso Senhor, me fêz em Lisboa, era de 1554 anos”.

Existe uma representação cuidada do litoral da China e da Península da Coreia. Pela primeira evz é registado o Liampo porto, possivelmente, em frente a Ningpo, usado como lugar de comércio dos portugueses ao longo da década de 40. Também Chinchéu (Ts’iuan/Tcheou(, escala portuguesa de com]ercio entre, principalmente, 1542 e 1549, na província de Fugian, é, pela primeira vez assinalada.

É a segunda vez que surge numa carta a palavra Japão. O arquipélago Japonês aparece ainda deformado como uma espécie de prolongamento da Península da Coreia.

O desenho e a toponímia desta carta são bastante ricos em especial, sobre os estabelecimentos comerciais dos portugueses no litoral da China, e formam um ponto de partida muito seguido, na segunda metade do século XVI, sobretudo, por Diogo Homem filho de Lopo Homem.

A cartografia conhecida de Diogo Homem data de 1557 e 1576 mas, em 1547, já era um conceituado cartógrafo em Inglaterra.

Trabalhando fora de Portugal, em Inglaterra e Itália (Veneza), a sua obra é, maioritariamente, composta por cartas da Europa e do Mediterrâneo.

“ Planisfério de André Homem, 1559. Blibliothéque National, Paris. A legenda de autor, em latin, diz: “André Homem, cosmógrafo lusitano, me fez em Antuérpia no ano de 1559”. Outra legenda diz: “Descrição completa de todo o orbe navegável, com todos os portos, ilhas, rios,promontórios, ancoradoutos, angras e baías, e ainda a medida muito certa dos graus, tanto de latitude como de longitude, de modo a nada faltar que apareça convir a um complexo tratado de cosmografia”.

Diogo Homem, em especial na representação da Ásia, África e América, reproduz a obra do pais, Lopo Homem, acrescentando uma abundante ornamentação.

” Representação dos finais do século XVI, de árvores, plantas e frutos orientais segundo Jan Huygen Van Linschoten na Histoire de la Navigation, Amesterdão, 1638.”

Sebastião Lopes (? – 1596) é um dos grandes mestres da cartografia portuguesa. A sua Primeira obra conhecida, uma Carta Atlântica, datada de Lisboa-1558 mostra que, ainda jovem, era já um cartógrafo consumado.

”Planisfério anónimo, c. 1583. Bibliothéque Nationale, Paris”

A partir de 1582 se não antes,encontra-se a trabalhar para o centro da cartografia portuguesa no Armazém da Índia sendo, ao mesmo tempo, professor examinador de outros cartógrafos, mais jovens, como por exemplo, Pedro de Lemos.

“ Homem observando com balestilha no Regimento da Estrela Polar com Balestilha. Anónimo Atlas português de 1 c. 1550-1560. National Museum, Greenwhich.”

Este planisfério é ocupadol por duas grandes massas terrestes bem definidas e inteiramente separadas: a América, e a Europa com a África e a Ásia. Existe uma

fantasiosa massa de terras árticas, que se estende ao longo da parte superior, formando, com o norte dos continentes asiático e americano as, então muito discutidas e procuradas, passagens do noroeste e do nordeste. Surge a mais antiga representação completa das Filipinas, correspondendo, mais ou menos, à realidade.

“Carta Universal, em projecção especial, na Cosmografia de Bartlomeu Velho, 1561. Bibliothéque Nationale, Paris.”

José MartinsFonte: Cartografia do encontro ocidente-oriente. Comissão Territorial de Macau para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses- Patrocinado pela Fundação Oriente em 1996.


Tuesday, June 29, 2010

TRATADO ENTRE PORTUGAL E O REINO DO SIÃO. ASSINADO EM BANGUECOQUE A 10 DE FEVEREIRO DE 1859 E TROCADAS RATIFICAÇÕES EM 28 DE AGOSTO DE 1861

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PORTUGAL E A TAILÂNDIA - VASCULHANDO PAPEIS NAS GAVETAS

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É já passado meio século de quando a Celebração do Dia de Portugal em Banguecoque. Na altura geria o Consulado-Geral o Encarregado de Negócios Francisco António Borges Grainha do Vale e interessante inserir aqui a sua mensagem que foi publicada, no número 702, do jornal "Standard".
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Além de mais o jornal dedica a primeira página a Portugal e várias outras e mais de uma ao Infante Dom Henrique e refere-se, igualmente, em destaque ao "Terceiro Festival de Música no Palácio da Pena em Sintra" cujo condutor seria Pedro de Freitas Branco.
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Dá conta da beleza do folcolore português, publica várias fotografias e não descura os produtos portugueses: o vinhos de mesa e do Porto, o azeite e as sardinhas em lata.
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Um trabalho, jornalistico, bem desenvolvido que só seria possível graças a informações fornecidas pelo Encarregado de Negócios Grainha do Vale, na altura um jovem com apenas 28 anos.
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Creio que deve ter sido, até hoje, o mais jovem diplomata a tomar conta da gerência da Representação Diplomática em Banguecoque.
José Martins
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A MENSAGEM:
"Nada pode desvirtuar o facto de que os portugueses são os primeiros amigos, europeus, da Tailândia. Portanto, foi com um prazer especial que tive conhecimento, esta semana, que Suas Majestades o Rei e a Rainha vão ofertar uma visita real a Portugal, em 22, 23 e 24 de agosto, próximo.
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A revelação é oportuna para o Dia Nacional de Portugal que foi comemorado ontem, e isto marca a amizade, existente entre Portugal e a Tailândia.
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Aliás, o Dia Nacional de Portugal é também o dia para lembrar o grande poeta, Luis de Camões, que visitou o Sião, no século XVI e o narrou em sua obra épica os Lusíadas.
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É com grande prazer que aceito o convite e aproveito a oportunidade que me foi dada através da publicação Standard de transmitir minha mensagem de amizade e de boa vontade para com o povo da Tailândia, por ocasião do Dia Nacional de Portugal.
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Eu cheguei a este país apenas algumas semanas e dias depois chega à minha mente ainda fresca e com surpresa sobre o valor extraordinário do património artístico da Tailândia - que não só correspondeu à fama, mas ainda superou - a hospitalidade, esmagadora do povo tailandês que em tantos aspectos faz lembrar-me a do povo Português, e o facto de ter encontrado aqui palavras, doces e tantas outras coisas que, são tipicamente de origem portuguesa, atestam a amizade secular entre a Tailândia e Portugal, o primeiro pais ocidental a estabelecer a relação de amizade, quando em 1511 o primeiro enviado Português chegou Ayuthia levando consigo cartas do rei de Portugal para entregar ao monarca tailandês.
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O ano de 1960 será considerado com uma outra marca de amizade entre nossos dois países. Suas Majestades o Rei Bhumibol e a Rainha Sirikit farão uma visita de Estado a Portugal. Assim, Suas Majestades vão permanecer de 22 a 24 de agosto, em Lisboa, cuja população já em 1897 teve uma oportunidade de manifestar a sua simpatia para com um monarca tailandês, quando Sua Majestade o Rei Chulalongkorn, da Tailândia, visitou Portugal.
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Portugal este ano está em festa. Realmente, não só Portugal, mas, devo dizer, o mundo inteiro, devido à importância universal dos descobrimentos do século XV. Refiro-me às comemorações, a ter lugar no meu país, do V Centenário da Morte do Infante D. Henrique, o Navegador.
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Em que é ele, sem dúvida, fundando uma escola para ensinar a arte da navegação no alto mar, formando um grupo de navegadores, inventando e melhorando os instrumentos e angariou fundos para a construção de navios, etc, tornou possível as viagens que, nas palavras de Camões o poeta Português (que visitou a Tailândia há quatro séculos) "deu novos mundos ao mundo", ou, para expressar a mesma idéia em uma forma moderna, permitiu o estabelecimento de relações entre todos os povos do Universo.
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Finalmente, eu desejo agradecer aos editores do jornal "Standard" por ter dedicado nas páginas deste número a amizade de Portugal para com a Tailândia, bem como inserir a mensagem que eu acabo de escrever a minha sincera homenagem ao valoroso Povo Tailandês"
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Tradução livre do inglês para o português por José Martins

Monday, June 28, 2010

TRATADO DE AMIZADE,COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO ENTRE PORTUGAL E O SIÃO (1938)

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TRATADO DE AMIZADE,COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO ENTRE PORTUGAL E O SIÃO (1925)

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ABRIR AS MINHAS GAVETAS DE MEMÓRIAS - COM A RÁDIO TELEVISÃO PORTUGUESA


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Todos têm as suas gavetas de memórias. Uns guardam-nas no cérebro, outros como eu foi recolhendo-as inseridas no papel e arquivando. Evidentemente que não têm valor para os que não lho querem dar, mas para mim são partes do meu passado, longo, na Embaixada de Portugal em Banguecoque.
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Não julguem os narcisos, os aldrabões, aventureiros de feira, que eu estou por aqui, em minha casa, a ensopar caixas de lenços papel com lágrimas e a penar por não colocar "pé" na missão diplomática de Banguecoque, aonde eu servi Portugal com toda a dignidade.
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Criei muitos amigos (aldrabão apareceu-me um) que se conservam nas minhas gavetas. Há aldrabões que conseguem, primeiro, por aliciamento, penetrar em campos estranhos, e depois, fazer base para as suas investidas.
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Assim foi e me veria acontecer de ter confiado num sacana de um vigarista, aldrabão, traidor e não menos chantagista, que habilidosamente conseguiu criar intriga sob o tecto da missão onde viria a criar problemas, não só a minha pessoa como ao funcionamento do serviço. Mas neste mundo se fazem e nele se pagam. Quem usa os ferros com eles morre.
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Ainda e bem que fui guardando nas minhas gavetas a história para no "timing" certo sair para a praça pública. Há factos tão graves na vida de cada um que não podem ser perdoados ou esquecidos. Uma das coisas de minha vida foi não viver de esquemas e habilidades e usar vigarices para me manter ao de cima da terra.
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As notas abaixo inseridas foi um dos muitos trabalhos (1994) que eu fiz para Portugal ser conhecido na Tailândia. Os documentos abaixo, inseridos, são relativos à segunda colaboração para a Rádio Televisão Portuguesa com a realizadora Cristina Antunes. O primeiro, aconteceu, em 1986 com a jornalista Judite de Sousa de quando se lançava no caminho da fama que tem hoje, para a série televisiva "Portugal Sem Fim".


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Sunday, June 27, 2010

AS MINHAS GAVETAS - INÁCIO DE ANDRADE

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Por vezes abro as "gavetas" que tenho nos meus arquivos particulares de minha casa. Há por cá muita coisa para retirar... Elas, as gavetas, são parte de minha vida e dedicação de ir reunindo o que estava a desparecer, na Embaixada de Portugal, em Banguecoque.
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Desde a sua fundação (1820) há 190 anos perderam-se imensos documentos históricos, ou pela falta de interesse de quem dirigiu a Feitoria, Legação, Consulado e depois Embaixada, pela humidade constante e a devoradora "formiga branca".
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Ora, embora, língua porca (fora do serviço do MNE) que paira, recentemente, por aí já me tenha difamado directamente e indirectamente, de sonegador de papeis e, sei lá, de que mais! Nunca vivi da história nem dela procurei dividendos.
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Tenho feito história por amor e não por interesse. As minhas gavetas sempre estiveram à disposição de quem as pretendeu abrir e copiar aquilo que melhor lhe possa servir para os seus trabalhos de investigação e levar com eles.
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Evidentemente que eu não vou levar comigo para a "cova" o que fui reunindo, nem o vou vender para comer uma "malga" de arroz, porque se viver até aos 100 anos tenho para me alimentar.
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Porém o material das minhas gavetas, voltará (as cópias que fui autorizado pelo Palácio das Necessidades) ao local de orígem, desde que o novo chefe-de-missão me garatir que o material será preservado em local, próprio e onde não esteja sujeito à devastação da formiga branca e da humidade.
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A Missão tem lugar, bastante, para isso e também terá a minha colaboração (gratuita) para organizar o arquivo, isto porque com 75 anos ainda não me apoio a uma bengala.
José Martins