Wednesday, June 2, 2010

MEMÔRIAS DE BANGUECOQUE


Portugal em Linha - O Ponto de Encontro da Lusofonia Legado PortuguêsVaranda do Oriente

O tempo passa por nós à velocidade do vento!
Capítulo 1

Memórias de Banguecoque E, depois de tantas andanças, por África, durante 15 anos divididos por Angola,Moçambique e Rodhésia (Zimbabwe) e acidentalmente, em 1977, encontrei-me na Tailândia na cidade de Banguecoque.

O espírito português dos homens quinhentistas apoderou-se de mim. Esse entrou no meu ser nos bancos da escola primária,que frequentei na minha aldeia, situada no sopé da Serra da Estrêla.

Surgiu o 25 de Abril e após a independência de Moçambique, em 1975, a Rodhésia deixou de ser um lugar estável e seguro para o homem branco.
Memórias de Banguecoque Regressei a Portugal em Agosto de de 1977. O meu país, deixado em 1962,durante os 15 anos da minha ausência nada tinha mudado.


Paredes conspurcadas com literatura política de "cordel", comícios dos partidos quase diários que me levaram a não me adaptar ao viver de momento.Os meus amigos chamaram-me homem de sorte porque após três dias de chegar a Portugal já estava empregado, como mecânico, numa empresa distribuidora de bebidas com um ordenado de 8 contos, mensal, lá para os lados de Ramalde, no Porto, junto à Via Norte que ainda só ligava o Porto à estrada da Circunvalação.

O homem emigrante português tem dificil adaptação a Portugal quando este permaneceu anos no estrangeiro, mesmo que tivesse sido nas ex-colónias.
Isto aconteceu, assim, comigo.
Memórias de Banguecoque Todas as manhãs quando me deslocava de comboio de Pedras Rubras para a estação da Senhora da Hora e depois a pé até junto ao Largo da Cooperativa de Ramalde, lia o Jornal de Notícias de fio a pavio a secção de anúncios "precisa-se".

Um dia o milagre aconteceu: uma empresa americana necessitava de mecânicos para trabalhar no deserto da Arábia Saudita.Logo nessa manhã respondi ao anúncio e passado seis mêses estava a tomar o avião da TAP,para Londres e daqui para Dahran, na Arábia Saudita e na costa do Golfo Pérsico.

Salário convidativo 38 contos, acomodação e em cada 6 semanas de trabalho contínuo, duas semanas de férias em Portugal com viagens de avião pagas de ida e volta.

Bem me lembro, numa tarde quente do mês de Abril, quando a porta do avião foi aberta a baforada de vento quente que entra no espaço dos passageiros a cheirar a petróleo. Depois das formalidades, rigidas no aeroporto em procura de bebidas alcoólicas e material pornográficos (sem ter conhecimento) entrei na terra de religião muçulmana com uma garrafa de whiskie que inocentemente tinha adquirido no aeroporto de Heatrow na Inglaterra.

Fui perdoado,dado ao desconhecimento, de uma dose de vergastadas,uns meses no calabouço e direito a um bilhete de uma viagem de retorno a Portugal. Depois de uns 10 minutos de doutrinação, lá deixei, no Serviço da Alfândega, o whiskie de rótulo preto e as 15 libras estrelinas que levava comigo,para as primeiras impressões.Memórias de Banguecoque Não houve tempo para vencer o "jetlag"!

O deserto, esse mar imenso seco, esperava por mim. Um motorista paquistanês, transporta-me durante quase um dia inteiro,ao direcção à fronteira do Koweit, através dessa imensão árida e de areias em movimento onde pela primeira vez admirei a maravilhosas mirages que apenas as conhecia pelos livros. Estas existe e ao longe verifica-se a transpiração da areia que nos dá a visão de pedras polidas, negras, na àgua da corrente do rio.
José Gomes Martins





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O tempo passa por nós à velocidade do vento!
Capítulo 2

Memórias de Banguecoque Chegado, ao fim da tarde, ao acampamento denominado G6 onde 16 técnicos de várias nacionalidades e cerca de 200 trabalhadores, paquistaneses, indianos, Sri Lanka e filipinos se dedicavam à prospecção de petróleo, ao serviço da empresa multinacional, americana, Texas Instrumentos, onde eram usados os mais modernos e sofisticados aparelhos de sismica computorizados.

Cordialmente fui recebido pelo "Campo Manager", de nacionalidade inglesa, com quém, mais tarde o tive, outra vez, como manager em Sfax na Tunisia.

A vida do deserto era durissíma onde estava sujeito às constantes variações do clima,tempestades de areia que me fustigada o corpo e os olhos. Trabalho de 12 horas diárias, durante os dias de seis semanas. Estas doze horas dava-me o privilégio de acumular mais 22 dias por cada 42. Com isto um invejável salário, mensal, pago em libras esterlinas e pontualmente depositado no National Westminster Bank sem quaisquer descontos.

Memórias de BanguecoqueAo fim de quarenta e dois dias no deserto, com condições excelentes de acomodação, em caravanas, herméticas, a fim de proteger, do calor incessante da noite, o pessoal e dar-lhe um perfeito repouso para no dia seguinte estar novamente fresco para as suas atribuições, a "blaser Chevrolet" transportava-me para Dahran,onde um bilhete de avião me esperava para gozar as minhas merecidas férias de duas semanas em Portugal.

Antes que continue o fio da meada da história interrompo-a aqui e colocar em relevo a forma com que os americanos classificam o pessoal e as oportunidades dadas aos técnicos que neles encontraram qualidades de trabalho, inteligência e produtividade nas atribuições que lhe foram conferidas.

Não existem privilégios de "compadrio" ou mesmo proteccionismo de nacionalidade perante o manejamento. Foi assim que durante os quase dez anos que servi a Texas Instrumentos e com uma ponta de vaidade fui dado como mecânico engenheiro supervisor em vários países e ordenador do funcionamento de "workshops mecânicos", com trinta e mais mecânicos, sob a minha gerência, vitais para a boa produtividade das várias brigadas que operavam em diversas partes do deserto, montanhas da Turquia ou nos terrenos, planos, dos olivais da Tunisia.

Memórias de Banguecoque O primeiro ano no deserto optei por passar as duas semanas em Portugal e esporádicamente, no regresso à Àrabia Saudita, uns dias em Las Palmas, nas Ilhas Canárias.

Uma noite, depois de terminado o serviço, na caravana restaurante encontrava-me com um inglês, jovem como eu e pergunta-me:

- José onde costumas passar as tuas férias?
- Em Portugal John.
- You are a crazy (Tu és maluco.)
- Why? (Porquê?)
- You must go to Bangkok... the best place for holidays... ( Tu deves visitar Banguecoque um óptimo lugar para passar férias)

Logo nessa noite o John entregou-me brochuras turisticas da Cidade dos Anjos e desde logo, ao outro dia, informei a secção de viagens dos escritórios centrais da Texas Instrumentos para trocar o habitual itinerário de Dahran, Lisboa para Banguecoque.

Poucos conhecimentos tinha da Tailândia, dos costumes e até da história. Sobre esta monarquia, apenas, tinha anos atrás visto o filme o Rei e Eu no Porto inspirado no livro da Ana Leonowens.

Banguecoque em 1977 era uma cidade de facto grande de casas baixas, cobertas de zinco ondulado e desde o airporto, de pequenas dimensões, até à baixa citadina (30 quilómetros), nas margens da estrada, de duas vias, havia searas de arroz verdejante onde se viam pessoas a mondá-lo ou na azáfama do transplante.

Tudo que os meus olhos viam, através dos vidros do táxi "Blue Bird", à minha volta, fascinava-me. Eram as camionetas decoradas com figuras, estampadas e artisticamente cinzeladas, mitológicas da cultura siamesa, sem portas na cabine do motorista, os trajes das mulheres, os rostos enfarinhados para lhes proteger a pele do calor e da humidade e os sorrisos que distribuiam à minha passagem.

Memórias de Banguecoque Em Banguecoque, práticamente não existia turismo, os hoteis muito poucos na área da Sumkhumvit e o mais importante era o Dusit Thani à entrada da Silom Road. Na rua Sumkhunvit havia mulheres nos passeios que vendiam frutas, topicais, frescas e muitos "oil mens" que basofiamente ostentavam grandes aneis nos dedos, máquina fotográfica a tiracolo e botas bicudas (estilo americano) de cano alto. Durante a noite bebiam litros de cerveja no "Soi Cowboys", acompanhados de raparigas que estas, depois de embriagados, os levavam, como crianças, pela mão para os hoteis à volta da "Soi Asoke".

Não pensava sequer que Portugal estivesse representado com uma Missão Diplomática, em Banguecoque, tão-pouco tivessem sido os portugueses a conhecerem o Sião em 1509. No último dia das minhas ferias, excelentemente passadas em Banguecoque, ao passar uma vista de olhos à revista turística "This Week" encontrei ali designada a Embaixada de Portugal.

José Gomes Martins







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O tempo passa por nós à velocidade do vento!
Capítulo 3

Memórias de Banguecoque A magia de Banguecoque, das suas simples e atractivas gentes, fez que voltasse nas férias de 6 semanas seguintes. A capital tailandesa cativou-me. A poluição era práticamente nula. O centro banguecoquiano era atravessado, às dezenas, por veículos de três rodas e popularmente conhecidos por "tuk-tuk" e uma invenção, da imaginação fértil, do homem tailandês que adaptou, motores a dois tempos, japoneses, aplicados a bombas de àgua ou a pequenos e manuais tractores agrícolas para fazer face às necessidades de transporte urbano da cidade que hoje, no ano 2000, ronda os cerca de dez milhões de habitantes.

O baptismo vem-lhe do motor de reduzido número de rotações e compassadas explosões que produziam o ruído: tuk,tuk,tuk e daí o nome do popular triciclo já famoso no Mundo.

Carros japoneses, muitos já de chapa corroída devido à humidade ensalitrada que paira, constantemente, na atmosfera de Banguecoque, serviam de táxis, sem taxímetro, cujas corridas eram ajustadas,discutidas com o motorista, antes da corrida.

Cheguei ao fim da tarde. Instalei-me no "Honey Hotel", familiar aos técnicos da Texas Instrumentos, em férias. Estendi-me na cama e dormi, profundamente, até à manhã do dia seguinte, recompondo-me da péssima viagem, de 6 horas, a bordo de um (já bastante usado) DC8 Super que desde Dahran até ao aeroporto de Don Muang esteve sujeito ao mau tempo e quedas vertiginosas em poços de ar.
Memórias de Banguecoque

Destinei para o dia seguinte visitar a Embaixada de Portugal. Não fazia minima ideia a sua localização. Meti-me num táxi Blue Bird e assinalei, com o dedo indicador, ao motorista, no mapa de Banguecoque o círculo onde a bandeira da quinas servia de símbolo a dar conta do sitio.
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Descemos a avenida Sukhumvit, na Ploenchit cortamos à esquerda para a Wireless Road onde a percorri debaixo de frondosas àrvores de Jacaranda e no lado direito a Embaixada de Espanha, a Residência do Embaixador dos Estados Unidos da América e mais abaixo, do lado esquerdo a Missão Diplomática americana.


Pouco depois chegava a Rama IV e em baixo o Dusit Thani Hotel de construção arrojada de 20 e mais andares (tal como hoje se encontra) e, os seus proprietários, na época, apostavam num futuro promissor para o turismo, dos dias de hoje na Tailândia.

O motorista tomou a direcção da Silom Road, um centro comercial importante, onde os edifícios não tinham, os mais altos, de uns 6 andares. Ao fundo encontramos um T onde terminava a Silom.


Cortamos à direita para a New Road (Chalerm Krung), a primeira rua construida, na zona ribeirinha e nas proximidades de fazer 100 anos... Depois de passarmos o elegante edifício dos Correios Centrais, construido no princípio do século XX, e no reinado do Rei Chulalongkorn, na travessa seguinte estavamos na Captain Bush Lane, 26 e à minha frente o Escudo Português, imprimido numa chapa oval de esmalte branco.
Senti um arrepio frio no meu corpo.
Memórias de Banguecoque Era o patriotismo espontâneo, barato, mas sem preço para qualquer emigrante português, nómado, nesse tempo que pouca ou nada de importância lhe era dada pelos executivos dos constantes Governos que eram mudados em Portugal como quem mudava de camisa.

O 25 de Abril tinha pouco mais de 3 anos de existência.

O meu patriotismo quedava-se dentro de uma enormidade exuberante que não conseguia saber e descobrir o porquê de tão grande entusiasmo encontrar-me em terras tão longinquas numa Ásia Portuguesa, que ainda o era, as 5 Quinas e os 7 Castelos.


Fiquei triste, porque ao lado direito da cancela de vara de "sobe e desce" quedavam-se uns armazéns, barracões, degradados, que não futurei ser o solo, onde as paredes assentavam, também de Portugal.
Um guarda, olhando para mim futurou, talvez ser um Português, raro naquelas paragens, a pedir apoio à Embaixada.

Acompanhou-me até a um velho edifício (a Nobre Casa), que o apreciei antes de me apromixar e logo me saltou à mente uma casa de linhas arquitectónicas coloniais muito familiares em Moçambique.

Murmurei: isto é que é a Embaixada de Portugal em Banguecoque?
Fui conduzido por uma elegante arcada e entrei na Chancelaria da Embaixada. Chegado ao salão (onde hoje são levadas a efeito recepções) encontrei-o um espaço gélido onde pouco depois era atendido pelo Chanceler, de Nacionalidade tailandesa, Chalerm, (com 50 anos a serviço de Portugal) que ficaria até hoje um grande amigo meu.
Memórias de Banguecoque Num banco sentava-se a Noi a mulher de limpeza e ao fundo o Vice-cônsul José de Souza, de etnia goesa.


Atendeu-me, o vice-cônsul Souza, friamente, o que feriu a minha sensibilidade de Português. Perguntou-me a razão do porquê que ali tinha ido. Respondi-lhe: visitar a nossa Embaixada em Banguecoque.


Informei-o de onde vinha e aproveitava a pedir a emissão de um novo passaporte dado que o que possuia estava a expirar as folhas. O José de Souza (que mais tarde o teria como colega) ia-me dizendo-me: vá pedi-lo ao Consulado de Portugal no Bharén (do outro lado do Golfo da Arábia Saudita).

Mas eu tenho o Bilhete de Identidade comigo e a Lei diz que o posso adquirir com este documento de identificação. Li isto há pouco nos jornais...
Não, não é assim, é necessária a Cerdidão de Nascimento, ilucidou-me o Cônsul Souza com um sorriso mórbido.
José Gomes Martins




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O tempo passa por nós à velocidade do vento!
Capítulo 4



Na viagem seguinte a Banguecoque, comigo, a Certidão de Nascimento e fui, de novo, à Embaixada de Portugal, visitar vice-Cônsul José de Souza e requerer um novo passaporte. Corria o ano de 1980. O Souza teve que render-se à evidência de me passar um novo documento de viagem. Documento que demorou 14 dias a ser emitido!

Memórias de Banguecoque Todos os 14 dias de férias seguia para a Embaixada à procura do passaporte. A resposta era sempre a mesma do Souza: venha amanhã... essa manhã aconteceu numa tarde, quando à noite teria que voar para a Arábia Saudita e retomar o meu trabalho com a Geophisical Service Inc. (subsidiária da Texas Instrumentos), como encarregado de secção da revisão e montagem de motores, alemães, Deutz e americanos GM Detroit, nas oficinas gerais de Dhahran.

Dado ao mau insípido acolhimento que tive na Secção Consular da Embaixada em Banguecoque, pouco interesse existia em mim para a voltar visitar. Apenas pela necessidade de requerer um novo passaporte, isto porque as 21 páginas, para vistos, dos passaportes, verdes, portugueses da altura, esgotavam-se normalmente em dois anos aos viajantes como eu que constantemente viajavam.

Banguecoque, para mim, era a magia daquilo que a cidade encerrava onde passava umas maravilhosas férias que muitas vezes as repartia com saídas para Singapura, Filipinas, Hong Kong e Macau. As visitas a Macau eram para saborear comida portuguesa no restaurante "Pinóquio" cujas instalações eram, na altura, espécie de um barracão coberto a folhas de zinco ondulado.

Em Maio de 1983 o meu passaporte estavam, outra vez, com as 21 páginas esgotadas. Lá segui, a segunda vez, para a Embaixada de Portugal. A Secção Consular encontrava-se precisamente no mesmo espaço que se quedava em 1980, na Residencia do Chefe de Missão. Desconhecia,ainda, que o Embaixador Melo Gouveia tinha substituído o Embaixador Renato Pinto Soares, em 1982.

Havia obras no armazém que hoje é a Chancelaria. Pouca ou quase nenhuma importância lhes dei.

Depois de ter preenchido o impresso para a substituição do passaporte, esgotado, entrou na Secção Consular o Embaixador Melo Gouveia. Não o conhecia. O vice-Cônsul fez a minha apresentação dizendo-lhe: Senhor Embaixador este senhor é português!

O diplomata, cumprimentou-me á portuguesa e de imediato perguntou-me:

- Por Banguecoque?
- Veio passear?
- Sim, sim Senhor Embaixador, estou de férias e trabalho para uma firma americana na Arábia Saudita.

Perguntei-lhe, depois, qual seria o melhor negócio com que me poderia estabelecer,no futuro, na Tailândia. Falou-se no vinho português o montante avultado do previsível capital para o investimento e ficou por aqui a nossa apresentação.

Não deixarei de colocar em realce a figura humana do Embaixador Melo Gouveia que na altura lhe encontrei sem qualquer preconceito, como diplomata de prestigio que já o era devido aos bons seviços que havia praticado aos portugueses na ocasião dificil que estes viveram em Moçambique após a independência, ter falado, abertamente, com um português vulgar e anónimo, que eu era na altura.

Desde o primeiro dia dessa apresentação, entre mim e o Diplomata firmou-se uma amizade, que já perdura na proximidade dos 20 anos. Por este grande Português e Homem de Alma Lusa enorme, vão os meus maiores respeitos e o entusiasmo, criado, em mim pelas raizes históricas de Portugal na Tailândia.

A Embaixada de Portugal em Banguecoque, depois da minha apresentação ao Embaixador Melo Gouveia, começou a ser um ponto obrigatório de visitas, quase diáriamente â Chancelaria, quando me encontrava de férias. No "barracão" degradado (ver 1º capítulo destas memórias) tinha sido construida e instalada uma autêntica sala de visitas de Portugal na Tailândia. Ali havia frescura, quadros com imagens de homens e personalidades que tinham passado na Ásia havia séculos, pendurados nas paredes ou em suportes no centro desse airoso espaço, onde o chão espelhava, devido aos ladrilhos de cortiça, oferecidos graciosamente, pelo Grupo Amorim.

Foi esse espaço, durante a permanência, em Banguecoque do Embaixador Melo Gouveia, uma Sala de Cultura, onde académicos,gente das letras e das artes que, assiduamente, ali se reuniam para ouvir as palestras proferidas por figuras proeminentes, cujo tema de todas elas, era a expansão portuguesa na Ásia que transforma o mundo a partir do século XVI.

As relações históricas entre Portugal e a Tailândia foram tópicos ali discutidos por diversas vezes por individualidades especialistas na matéria entre estas o Prof. John Villiers, (discípulo do historiador Prof. Charles Boxer autor de várias Obras sobre a expansão portuguesa na Ásia,entre estas "The Great Ship From Amacon"), a Prof.ª Virginia Di Crocco e ainda outras onde se incluem Reitores de universidade de Banguecoque.

Edições de monografias, patrocinadas pela Câmara Municipal de Lisboa " Early Portuguese Accounts of Thailand", Fundação Calouste Gulbenkian "THAILAND AND PORTUGAL 476 years of friendship" têm lugar a partir de 1982. Em Maio de 1983 a Imprensa Nacional de Macau,com o patrocínio da Direcção dos Serviços de Turismo, imprime o livro de 563 páginas, "Portugal na Tailândia", "Portugal no Camboja" e Portugal na Birmânia de Monsenhor Padre Manuel Teixeira.
"East of Malaca" de John Villiers, patrocinada pela Fundação Calouste Gulbenkian foi publicada em 1985. Todas as edições encontram-se esgotadas.

Memórias de BanguecoqueMemórias de BanguecoqueMemórias de Banguecoque

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José Gomes Martins






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Tuesday, June 1, 2010

HISTÓRIA DE PORTUGAL NA TAILÂNDIA

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Peça escrita em 2002 e inserida no www.aquimaria.com . Porém resolvi que deverá ser inserida esta e outras, no blogue http://portugalnatailândia.blogspot.com , relativas à história de Portugal na Tailândia e da Expansão de Portugal na Ásia e Oriente a partir de 1498. Escrevi por amor e humildade. Andei pelos locais que calharam. Nunca desejei o meu trabalho de investigação só para mim. Distribui-o e auxiliei os que me procuraram. Agradeceram-me. Porém um que me procurou, que tanto o queria ajudar, traiu-me miserávelmente com infâmias. Tal coisa nunca haja recebido, de ninguém, durante 24 anos que servi com toda a lealdade a Embaixada de Portugal em Banguecoque. Por último: "cá se fazem cá se pagam...!!!" Enquanto for vivo esse traidor, chantagista, NÃO PASSARÁ. A razão sempre esteve pelo lado dos homens bons. Eu sou isso.

Portugal na TailândiA
Na Peugada dos Portugueses

A Bênção das Águas

No passado mês de Setembro choveu torrencialmente por toda a Tailândia. Advinhei que o rio Chao Praiá iria transbordar e as terras baixas de Ayutthaya (Aiútaia) iriam ser alagadas e consequentemente as escavações da Paróquia de São Domingos no “Ban Portuguet”. Em Banguecoque os barcos já navegavam a um metro e meio de altura do solo do jardim da Embaixada de Portugal, este protegido com um forte muro de uns 60 centímetros, de largura, para evitar infiltrações.

Ruas nas duas margens da cidade de Banguecoque, durante a maré cheias no Golfo da Tailândia, ficaram completamente inundadas com as entradas das casas, empilhadas, com sacos de areia. Entretanto as bombas,mecânicas e eléctricas de saída de grande caudal, nas margens, frenéticamente projectam gigantescos jorros de água para o Chao Praiá. A vida na cidade segue igual sem mudança do viver quotidiano ou alarmes. A benção das águas que trás fartura à Tailândia.

Não escondia a minha preocupação sobre o que se estaria a passar na Paróquia de São Domingos no "Ban Portuguet". Os jornais de Banguecoque, havia uns oito dias, antes, mostravam fotos, nas primeiras páginas, da cheia e os inconvenientes na população na

margens dos três rios de Aiútaia: Chao Praiá, Pasak, vindo das terras do antigo império Khmer e o Lopburi, um pouco mais, ao Norte do nordestino Pasak. Rios, com larga história, por eles navegaram, reis, exércitos, mercadores e piratas sem conta.

O nosso Fernão Mendes Pinto nos conta histórias, maravilhosas aventuras nesses três rios, cujas àguas o levaram a conhecer as terras dos Khmers, os Reinos de Chiang Mai, Lampang, Lumpum que nos dão conta de factos históricos, contados com uma simplicidade impressionante .

Destes relatos foi extraída o filme, épico, de mais de três horas de exibição, da Rainha Suriyothai, que disfarçada de homem lutou,para salvar a honra da morte de seu marido, contra o Rei de Pegú. Suriyothai é hoje um símbolo da resistência e luta da mulher tailandesa. A sua memória, além da grande metragem do realizador

Principe Chatri Chalerm Yukol ficará para sempre, num monumento, dourado, junto ao palácio onde viveu e na margem do Chao Praiá.

Parti de Banguecoque ao fim da tarde de sexta feira, o trafego automóvel começava a empapar as ruas da Cidade dos Anjos e, ziguezaguiando por todos os espaços disponíveis entrei na auto-estrada que me levaria, passado uma hora e vinte minutos, à segunda capital que foi da Tailândia, Ayutthaya. A cidade da minha paixão, dos meus amores e quando nela vivo, por uns dias, sinto-me como se em Portugal estivesse.

Alguém me disse, um dia, que eu tinha vivido no Campo Português há séculos quando ali existiu uma comunidade portuguesa que chegou atingir uma três mil almas lusas e tailandesas. Bem, quem mo afirmou professa a religião budista e dentro da sua credibilidade que depois da morte existe a reencarnação.

Não acreditei tão-pouco desacreditei o pensamento da senhora devota de sua Santidade o Lorde Buda.

Mas imaginei que se assim tivesse sido, certamente, teria sido amigo do Fernão Mendes Pinto, colocado à distância o pirata António Faria; abominar o “Galego” ao serviço do Rei do Pegú que por algumas vezes o fizemos dar às “Vila de Diogo” para lá das paliçadas, que fortificavam Ayuthaya, quando eu e o Pinto fomos camaradas de espingardas, arcabuses e artilharia pesada ao serviço de Sua Majestade o Rei do Sião.

E, quando eu e o Pinto fomos artilheiros de peças de boca larga, no fortim do porto internacional de Pom Phet e, sem a suspeita de piratas e peguanos nas águas, rumavamos de almadia até ao Bangue Portuguete onde ali viviam duas siamesas que por elas nós arrastavamos a asa. Mas depois da visita aos nossos dois amores, sempre haveria, a

cavaqueira com os colegas, de folga, guardas do palácio real, de sua Majestade o Rei de Ayutthaya e uma caneca, de bambú, cheia vinho português, meio avinagrado, que o missionário dominicano nos oferecia, dentro de uma botelha trazida da dispensa e nos afagava as saudades da pátria lusa.

Ainda não eram 5 da tarde quando me acomodei no Grande Hotel de Ayuthaya. Não se pense, por aí, que sou um maníaco dos hotels de 5 estrelas, isto porque não dá o magro salário, mensal, para tamanha estravagância. A primeira frase do nome do hotel “grande” mede-se pelo tamanho e não pelo luxo cuja diária estás nos 600 bates (tailandeses) que em euros fica por menos de uns 15.

Quando viajo para Aiútaia senti-me pássaro fora da gaiola. Depois de abrir a janela do meu quarto do hotel, vislumbrei os campos de arroz alagados, onde a verde estava submersos, para além da margem do rio Chao Praiá.

Os templos budistas com os pinos, sagrados, a espelhar na àgua na movimentação do sol na rota do poente. “Bargues” ,mergulhadas na água até ao convés navegam puxadas por um reboque que delizam ora para uma margem depois para outra para vencer a força da corrente da época das chuvas. Um reboque,puxando três negras e enormes embarcações metálicas, o piloto atreveu-se a passar debaixo da ponte e encalhou a primeira no tabuleiro.Há que esperar que a maré desça e siga o norte.

Antes do pôr do sol, fui dar uma espreitadela à outra banda do rio e no Campo Japonês, Yamada, onde pouco depois de os missionários dominicanos se terem instalados, os cristãos japaneses e convertidos por Francisco Xavier, perseguidos pelos samurais fixaram-se, em frente ao Ban Portuguet, onde poderam praticar livremente o catolicismo e conviver espiritualmente com a comunidade, cristã, portuguesas.

Ali, embora não haja documentos que nos afirmem a veracidade, se crê ter nascido a lusa/japonesa Maria Guiomar, senhora de uma extrema honorabilidade que bem pode ser, sem favor algum, um símbolo da lusa/descendência em toda a Ásia. Católica ferverosa, esposa do grego Constantino Falcão, personalidade influente na Corte do Rei Narai, em Lopburi e aproveitado pelos enviados de Luis XIV de França, cujos desígnios seria o de colonizar o Reino do Sião.

Custou ao Falcão o ter servido o Rei do Sião e o França a morte por degolaments. Maria, durante a sua viuvez e com filhos, foi cozinheira da Corte e deixou na Tailândia, várias especialidades de doçaria portuguesa e a mais popular é o fio de ovos.

Do Campo Yamada olhei o ancoradoiro submerso e apenas via o cimo da armadura com bandeiras do Vaticano e da Tailândia. Mirei e remirei de todos ângulos o pedaço de Portugal em Ayutthaya. Fiquei mais ou menos tranquilo porque atrás daquela forte corrente de água lodosa, havia algo que me indicava que a área estava protegida.

Viajei, depois, como em peregrinação e romagem,habitual ao “Ban Portuguet” onde por 250 anos viveu uma comunidade lusa/tailandesa a duas braçadas de barco, do Yamada, mas a uns 12 quilómetros por estrada.

Encontrei os lados da via,reforçadas com um muro de terra e sacos de areia nas entradas para as casas. Moradias penduradas em estacas, de madeira, mergulhadas até à varanda. Os moradores, permaneciam nas bermas da estrada, pescando e, como as cheias além de trazer incovenientes, também, trazem fartura, de colheitas, muito peixe e pesca abundante.

Pelo caminho e antes de atingir o Campo Português passei junto ao espaço da comunidade muçulmana de origem malasiana, residente, praticamente, desde a fundação de Ayuthaya em 1350. A tolerância dos Reis da Tailândia permitiu que étnias de credos diferentes vivessem no seu reino dentro da maior harmonia.

Os seguidores de Muhammed, os homens, em grupos, conversavam na borda da estrada, o gado bovino, rumina a palha seca em cima de pequenos montes, enquanto que os búfalos de água repousam, mergulhados no grande lago,fugindo, assim às picadelas dos insectos.

A miudagem, de barretes brancos, na cabeça, brincam por ali chutando a água enquanto outros, em cima de uma pequena canoa de plástico lançam fios com anzol pendurados numa vara para pescar algum peixito. As mulheres preparam a ceia. Mais além e junto à margem do Chao Praiá a mesquita, a casa de oração está com água até ao meio das paredes.

Nesta minha ida, ao Ban Portuguet não observei a tradicional vida campesina das gentes tais; trabalhando dentro do mesmo método do princípo da fundação do Reino de Ayuthaya pelo Rei U-Thong. As mulheres de pele tisnada, na monda do arroz ou na apanha da batata doce,dos amendoins, dos lótos de flor branca para vender no mercado e o ornamento dos altares do Deus Buda aguardavam por ali esperando que o rio desça o nível da água.

Todo o mundo campesino, as casas das almas que protegem os frutos dos campos, das almas penadas que vagueam na noite quedam-se por esses altares a comer algo que ali foi colocado por aqueles que acreditam no sobrenatural. Quedavam-se submerso e sob a benção das cheias do Chao Praiá que fará fartas as novas colheitas.

A dois quilómetros da área muçulmana está o Ban Portuguet. Á entrada e onde está uma placa, que perpetuará por várias gerações, a Obra que foi iniciada pelo Embaixador Melo Gouveia, em 1982 e o Doutor José Blanco Administrador Fundação Calouste Gulbenkian, cujo parte de dois financiamentos pertenceram à Gulbenkian que duou um montante muito significativo, em dólares que permitiu que o passado de Portugal no Antigo Reino do Sião esteja vivo.

Junto a essa placa uns poucos católicos do campo,conversavam, esperando que as águas do Chao Praiá desçam e as suas vidas volte à normalidade.Gente que me é familiar há 20 anos.

Não pode ficar de forma alguma esquecido o contributo e o entusiasmo nas escavações do Ban Portuguet do Governo da Tailândia que através do Departamento de Belas Artes (Fine Arts Department). Nele estiveram envolvidos dezenas de estudantes, universitários, de arqueologia animados impressionantemente no projecto e o Arquitecto Eduardo Kol de Carvalho (Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Tóquio) que foi um dos grandes animadores na reconstituição da Igreja de São de Domingos.

Encontrei o Ban Portuguet protegido da bênção das águas. Uma barreira de peças de cimento, longitudinais, em forma de cutelo encaixavam numa fenda aberta a toda a largura do campo que não permitia força imparável da corrente do Chao Praiá penetrar com campo e no cemitério,coberto, onde descansam os ossos de lusos/tailandeses que viveram e morreram em Ayutthaya.

Dois homens, os guardadores das águas, estavam por ali a tomar conta de duas pequenas bombas e escoando, penetrando da grandeza do caudal, uns pingos que entraram, talvez, pelas rotas das topeiras.

Cheguei ao Grande Hotel de Ayutthaya junto às 8 da noite.

Procurei a esplanada “bargue”/restaurante para jantar. À minha frente estava o porto internacional de Pom Phet. Via as luzes das almadias navegavam do fortim, portuguessímo, Pom Phet para o templo que ficava no outra margem do Pasak.

Levei, comigo, de Banguecoque uma garrafa de tinto e um sacarrolhas para abrir a Grão Vasco e acompanhar com o nectar do Dão, meia dúsia de lagostins, do Chao Praiá, grelhados, pela módica quantia de 140 bates, uns 6 euros.

Ao fim da ceia. em cima do Chao Praiá estava alegre, não só pelos 75 centilitros do tinto ingeridos mas também pela beleza que tinha observado durante o fim da tarde em Ayutthaya.

Debaixo da minha fantasia imaginei o meu camarada de armas Fernão Mendes Pinto, caminhando em direcção à paliçada Pom Phet onde o luar da noite fazia brilhar, as ameias lusas, espelhando-as na água que cobria a pequena parada.

Mais tarde o baluarte é modernizado e arquitectado, na década de 1660, pelo missionário,Jesuita, do Padroado Português do Oriente, Tomás de Valguarnera. Hoje conservado e conhecido como uma peça de defesa, de raizes lusas, em Ayutthaya e guardião do porto de Pom Phet contra a infiltração de piratas, o controle das navegações do Chao Praiá e na defesa dos exércitos, invasores, peguanos.

José Martins
Ayutthaya, 13 Outubro de 2002.

GERALDO MUZZI-UM SENHOR EMBAIXADOR

Geraldo Muzzi - Um Senhor Embaixador

Diplomata de carreira e no Sudeste Asiático foi Embaixador do Brasil na Malásia e Brunei. Quando jovem praticou desporto e, uma das suas paixões foi o futebol e integrado,como amador, na categoria de júniors no Atlético Mineiro de Belo Horizonte tendo disputado o campeonato do Estado de Minas Gerais com adversários profissionais. Na idade do serviço militar ingressou nas fileiras do Exército e serve-o como oficial de Infantaria. Depois das Forças Armadas, foi professor de inglês e, por seis anos, ao serviço da empresa USIMINAS, como funcionário superior. na secção de vendas e exportação.

Em 1961 é licenciado em Direito pela Universidade Federal de Belo Horizonte e em 1969 entra na carreira diplomática.

Geraldo Muzzi durante a sua acreditação, como Embaixador do Brasil, na Malásia, investigou palavras da língua portuguesa, inseridas no vocabulário da malaia e publicou uma excelente e única obra, em língua inglesa em cima do tópico: “ The Portuguese in Malay Land” (Os Portugueses na Terra Malaia). Após um exaustivo trabalho o diplomata dá conta no seu livro dee 1500 palavras, da língua de Camões, foram assimiladas à língua malasiana.

Além da investigação, línguistica, Embaixador Muzzi aprofunda outros temas relacionados com a presença portuguesa em Malaca, os relatos do cosmógrafo,português Manuel Godinho Erédia (1563-1616), cujos mapas elaborados por Erédia, onde se incluem do Bornéo têm sido fonte, aproveitada, ao longo de 400 anos, pelos interessados na história do Sudeste Asático.

Descreve a expansão lusa, iniciada em 1415 que viria, depois, ao encontro de outras civillizações da Ásia e América. Com rigor de datas é designado um cronológico onde estão assinalados os maiores feitos dos portugueses que vão desde à conquista de Ceuta à administração de Malaca em 1515. Não esquece as viagens e o relacionamento dos portugueses na Etiópia,Kuwait,América do Norte, Península do Labrador, Islândia,Terra Nova, Ilhas Patta, Reino do Sião, costas e portos do mar Vermelho , Golfo de Bengala, Índia, China, Macao, Japão e outras paragens.

Insere o historial da comunidade luso/descendente em Malaca que continua a não rescindir das raízes portuguesas, mesmo depois dos holandeses retirarem a administração à corôra portuguesa em 1641 e, a partir de 1825 pelos ingleses.

Geraldo Muzzi escreve sobre os primórdios do relacionamento de Portugal com as Ilhas das Índias Orientais (Indonésia) e as palavras adaptadas ao seu vocabulário; não descura o importante trabalho de investigação, línguística e costumes, pelo Embaixador português, António Pinto da França, há anos efectuada na Ilha das Flores.

O relacionamento de Portugal com a Tailândia foi tema, tratado por Geraldo Muzzi e revela o excelente trabalho do Embaixador José Eduardo Melo Gouveia, em 1982,ter restaurada a “ Nobre Casa” (Embaixada de Portugal em Banguecoque) de um estado degradado a uma peça fina, de arquitectura única em território nacional e conhecida por sino/portuguesa.

Durante o período da sua comissão em Kuala Lumpur, o diplomata debaixo do entusiasmo pelo futebol, que inflama os corações de milhões de outros seus compatriotas no Brasil elaborou mais um livro, ilustrado com fotografias, em língua inglesa e japonesa, onde dá conta dos 17 torneios, de futebol mundiais,desde 1930 a 2002, onde o seu país competiu e ganhou seis taças.

José Martins
Outubro de 2002