Thursday, December 17, 2009

PORTUGAL NA BIRMÂNIA

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Clique nas imagens para as aumentar ao tamanho natural, reproduzir com publicação autorizada pelo Embaixador Mello Gouveia

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A história destas fotografias, contada a mim pelo Embaixador Mello Gouveia. Em 1983, Mello-Gouveia deslocou-se a Rangoon a fim de ser acreditado, como embaixador não residente na Birmânia (o país ainda não tinha cambiado o nome para Myanmar) e como um interessado nato na investigação da presença de Portugal, teve conhecimento das ruínas da Catedral de Rangoon, que foi manda erigir pelo Felipe de Brito Nicote, que se entronizou rei do Pegu (princípios do século XVII). Porém o local estava interdito de ser visitado, dado ser local reservado e no sob solo existir petróleo. Guiado junto às ruínasconseguiu recolher as imagens, acima publicada, raras que fazem parte da curta presença de Portugal na Birmânia.
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Peça, transcrita em baixo, transferida do http://aquitailandia.blogspot.com/
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Thursday, December 17, 2009
OS PORTUGUESES NA BIRMÂNIA
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Como anteriormente já inseri aqui visito, regularmente, o blogue http://combustoes.blogspot.com/ de Miguel Castelo Branco sobre o trabalho de investigação que vai levando a cabo em Banguecoque.
A sua última investigação: "O Puzzle da História Desconhecida dos Portugueses na Ásia" ( http://combustoes.blogspot.com/2009/12/o-puzzle-da-historia-desconhecida-dos.html ) e porque encontro distorção, histórica, recomendo a Miguel Castelo Branco que clique no endereço a seguir (http://portugalnatailandia.blogspot.com/2009/12/portugal-na-birmania.html ) onde encontrará informação escrita por mim, em 1995 e publicada no semanário "Notícias de Gouveia".
Um trabalho minucioso onde está descrito que os missionários portugueses entraram na Birmânia, por cerca de 1600. Em 1998, três anos depois de ter publicado o meu artigo, numa viagem que efectuei a Rangoon (capital da Birmância) visitei uma biblioteca pública e onde adquiri a obra "A History of Rangoon", por B.R. Pearn, publicada pela "American Baptista Mission Press" - Rangoon, em 1939 e onde na página 33, refere a Felipe de Brito Nicote, ter entrado na Birmânia em 1600 e com ele, como óbvio, os missionários portugueses.
Tenho nos meus arquivos fotográficos imagens cedidas pelo Embaixador Mello Gouveia, que tirou (1983) às ruínas da catedral de Rangoon, junto à embocadura do rio do mesmo nome que teria sido mandada construir por Felipe de Brito Nicote.
A presença lusa, com Felipe de Brito, na Birmânia foi curta e reverteu numa tragédia. No entanto, neste país viveu, depois, uma pequena comunidade portuguesa, cuja imagens também tenho de dois túmulos onde em duas lápides estão gravados os nomes portugueses.
Não deixo que referir ao Miguel Castelo Branco que não há nada desconhecido sobre a presença dos portugueses na Ásia. Está tudo descoberto e designado em livros ou documentos avulso.
José Martins
Parte do artigo teclado por Miguel Castelo Branco: "Aquela não era, certamente, a bandeira dos reis da dinastia, mas um estandarte militar. Só podia ter a ver com a existência de cristãos nas hostes reais de Mindon e Thibaw. Hoje, ao consultar o melhor sítio web dedicado a vexicologia lá a encontrei, com a seguinte nota de rodapé: "the flag shown here is the standard of the royal artillery who were mainly Christian Portuguese descendants". Depois, bastou compará-la com a bandeira da Ordem Franciscana e lá estava, sem confusão, o símbolo. Como foram os Franciscanos portugueses os primeiros a fixar-se na Birmânia (1660), aquela bandeira era, só podia ser, empunhada por católicos portugueses".
Posted by Jose Martins at 9:49 AM
4 comments:
Combustões said...
Senhor Martins
1. Eu não falei no Pegú, mas na Birmânia, duas coisas bem diferentes.O Pegú é Mon e faz parte da Birmânia pois foi, simplesmente, anexado. É como afirmar que China e Tibete são a mesma coisa. Os Mon chegaram a ocupar todo o sul da actual Birmânia, mas iniciaram regressão em meados do século XVI.
Para estudo sério recomendo, de Ana Marques Guedes, A "Interferencia e integraçao dos Portugueses na Birmania 1580-1630. Duas coisas distintas são, também, a fixação de ordens religiosas e a passagem de missionários. O sul da Birmânia foi tocado por jesuitas, franciscanos e dominicanos desde inícios do século XVI, mas a fixação deu-se bastante mais tarde.
2. Eu referi-me, claro, a último período da dinastia, com sedes em Ava eMandalay, ou seja, aos séculos XVIII e XIX.
3. Rangún (Yagon) foi sempre uma cidade marginal e sem qualquer importância política. Era um entreposto comercial e só ganhou relevância administrativa após a conquista integral na Baixa Birmânia pelos britânicos, em 1852.
4. Quanto ao "conhecimento" da história dos portugueses no sudeste-asiático há, sim, poucos, muito poucos livros, atestando a precaridade do conhecimento nesta região. Depois, como vou demonstrar dentro de 2 anos, há milhares de documentos de arquivo, relevantíssimos, que nunca ninguém tida lido, traduzido e estudado. O difícil é trabalhar em campo - nos arquivos e bibliotecas - estabelecer as concatenações e estabelecer as linhas gerais de interpretação. Nunca tal foi feito Senhor Martins, pois na parca bibliografia disponível (sobre os séculos XVIII-XIX e XX, amiúde pequenos artigos)não encontramos qualquer esforço de inovação.

11:09 PM
Combustões said...
Senhor Martins
Mais uma nota. Quando me refiro a "portugueses", faço-o de acordo com uma categorizaçãó étnica que perdurou na Ásia até à imposição pelos ingleses do termo "eurasians", este último dúbio. Portugueses eram todos os católicos da terra, convertidos por missionários do Padroado ou miscigenados. Portugueses de Portugal sempre houve muito poucos, quer aqui, quer na Birmânia, no Camboja ou no Vietname. Aliás, há um interessante livro editado em finais do século XVI, coisa rara de que há apenas um exemplar na BN de Portugal, com a relação da tripulação e passageiros que seguiam a bordo de um galeão do trato que partiu de Goa, tocou Malaca e seguiu para o Japão. A bordo, todos eram "portugueses", mas se atentarmos, eram, com excepção do capitão e de dois frades, todos indo-portugueses, luso-chineses, luso-malaios ou afro-asiáticos portugueses.
12:37 AM
Jose Martins said...
Caro Miguel,
Estou muito ocupado.
Dar-lhe-ei resposta depois do Natal.
Se estiver equivocado em cima dos meus conhecimentos darei a mão à palmatória.
Tenho mais informação, em arquivo, relativa.
Arquivo - Com tempo entrará outro material
Clique nas imagens para a ler ou copiar




Monday, December 14, 2009

SUAS MAJESTADES OS REIS DA TAILÂNDIA VISITARAM OFICIALMENTE PORTUGAL EM JULHO DE 1960

Arquivo a presencher com mais material


Em Julho de 1960, Suas Majestades os Reis da Tailândia, a Rainha Sirikit e o Rei Bhumibol Adulyadej, visitaram, oficialmente Portugal.
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Já o mesmo o tinha feito seu avô o Rei Chulalongkorn de 22 a 25 de Outubro de 1897.
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Suas Majestades, foram recebidas, em Portugal, com todo esplendor e honras pelo Governo de então Prof. Doutor António de Oliveira Salazar.
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De realçar a cobertura que lhe haja sido feito a revista "Flama" e o "Seculo Ilustrado", cujas fotografias inseridas bem prova nos dão de tal importância da visita.
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A "Flama" de 26 de Junho de 1960, refere que "Sirikit da Tailândia: a mais bela rainha do mundo.
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Era isso e bem me lembro de suas Majestades de quando de sua visita que correu por todo país a fama da beleza da Rainha Sirikita.
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Carinhosamente, ao longo de 24 anos, fui recolhendo toda a documentação histórica para que a história de Portugal e a Tailândia fosse coisa vã e desconhecida dos vindouros.
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A história de países são memórias do presente e mal dos homens que a não estima.


Houve o cuidado de inserir as fotos de forma que possa ser aproveitas para publicar em jornais ou revistas.



VISITA DE SUA MAJESTADE O REI CHULALONGKORN A PORTUGAL DE 22 A 25 DE OUTUBRO DE 1897

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Sua Majestade o Rei Chulalongkorn do Sião, visitou Portugal de 22 a 25 de Outubro de 1897. Foi um acontecimento importante. A seguir estão 16 pagens inseridas com a reportagem do Diário de Notícias. Para copiar os documentos clique em cima das imagens.





















Tuesday, September 1, 2009

OUVIDOR MIGUEL DE ARRIAGA E O SIÃO

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Clicar nas imagens para as ler ou imprimir



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Monday, August 6, 2007

Fidalgos da Ìndia, Intriga e Pimenta

Recomendamos o website: www.aquimaria.com e o blogue: http://aquitailandia.blogspot.com
Pelo interesse, histórico, que possa ter se transcreve o texto abaixo, parte de um documento/carta que se encontra na Torre do Tombo, incompleto, por deterioração de páginas.
Desconhece-se o autor da carta, enviada da Índia para o Rei D. Manuel I. Mas como nela se encontra designado o nome de Lopo Soares, teria sido escrita entre 1515 a 1518., altura que foi Governafor da Índia.
(Torre do Tombo, V.X. (Gav. XIX-XX, Maços 1-7) pags. 504 a 508, Centro E.H. Ultramarinos da Junta de Investigações Científicas do Ultramar, 1974 - Gulbenkian XVI. O texto é fiel, apenas para facilitar a leitura, foram algumas frases passadas à ortografia actual).

CARTA PARA EL-REI COM NOTÍCIAS DA ÍNDIA

"Até aqui não me estrevi de escrever a Vossa Alteza tão compridamente como eu desejava porque não ousava das cousas que se fazem contra serviço de Vossa (sic) Alteza e agora por ver passar tanto mal como se passa por descargo de minha consciência vos dou conta beijando-vos as mãos não dando conta a ninguém disto que por este medo não esperei a Vossa Alteza mais cedo e assim que faço saber a Vossa Alteza que Lopo Soares veio à Índia em hora minguada assim ele como quantos capitães com ele vieram e assim outros homens de valia porque o seu cuidado e o seu imaginar não é outro senão chatinar... "
"... e matam-nos e roubam quanto acham e disto dizem que o leva alguma fazenda e vai para Calecut ou para Canenor é espiado em tal maneira que como desaparece de Cochim logo é tomado destes macúas, porém, sempre ouvi dizer que semear trigo em ruim terra que não pode dar bom fruto... a Vossa Alteza e estes que dele esperam se gabou ele, que dera a cada um de ganho sete ou oito mil pardaos e ele é um grande ladrão descarado porque qualquer fazenda que ele pode achar de Vossa Alteza apanha-a e recolhe-a para si e com os favores que ele tem com os alvarás de Vossa Alteza com o dos vossos capitães com o proveito que faz ele isto porque nele não há fé nem lei senão quanto me parece que e agora mais gentio que dantes e por aqui saberá Vossa Alteza quanto ele é servidor de Vossa Alteza e mais Lopo Soares o requereu que fosse com ele a Ceilão e ele fugiu....
"...Mande Vossa Alteza olhar por isso e assim se Vossa Alteza a acha grande quebra de pimenta e por ser a primeira verde porque assim como a colhem deitam-na dous ou três dias ao sol e logo a pesam e esta quebra desta pimenta não foi senão depois que fizeram pazes com Calecut e bem pode Vossa Alteza quer ter boa pimenta defenda que nenhum homem com ela não trate só pena da cabeça e isto qualquer homem que seja porque todo o mais passa por preta e portanto Vossa Alteza não deve de dar a nenhum homem nenhum só quintal de pimenta para nenhuma parte que seja porque com o favor da pimenta que lhe Vossa Alteza dá para carregaram quanta querem e portanto Malaquias se gabou e amostrou que não vinha nem mandava por pimenta à Índia que lha levavam quanta ele queria que carregava as suas naus e depois de carregadas amostrou duas casas..."

"...e isso mesmo o feitor de Goa que se chama Rui Costa que agora vai por capitão duma das naus de André Afonso que quando veio a Portugal não trazia um vintém de seu e em dous anos que foi feitor de Goa dizem que leva vinte mil cruzados e assim que devia Vossa Alteza de lhe tomar a conta em que ganharam tanto dinheiro em tão pouco tempo assim ele como aos outros e Vossa Alteza mandasse castigar alguns deles se guardariam de meter as mãos na Fazenda de Vossa Senhoria...."

"...a Índia de arte que ela estava quando veio Lopo Soares mande fazer boa guerra e logo terá boa paz porque já ninguém não vos a modo que qaulquer cabrão que errar queimá-lo a assá-lo e cruxifica o que os outros que ficaram vos temerem e logo teres a Índia apaziguada que esta paz que Lopo Soares pôs a Índia neste ponto em que ela agora está porque nunca matou nem mandou matar mouro senão cristãos enforcar e cortar mãos..."

"...porque andam cá uns poucos fidalgos mamões que nunca viram nada nem nunca saíram das abas de suas mães e cá são capitães de naus e de galés e assim estes homens que Vossa Alteza houver de mandar sejam como disse que sejam de boa raça cavaleirosos e que folguem de ganhar honra e que tenam medo de Vossa Alteza lhe mandar corta a cabeça porque os fidalgos dizem todos que não vieram à Índia ganhar honra que com eles já nasceu senão dinheiro e assim não trazem o sentido senão em comprara e vender e como mandaram para a China e para Ormuz e para outras quaisquer partes..."

"...em Cochim disseram que aquela mercadoria que a compraram de seu dinheiro que el rei não tevera dinheiro para a comprar e assim que vo-la tornaram a vender sendo ela vossa e assim que com o dinheiro vosso dinheiro vos pagavam e guardavam o ganho para si e se alguma mercadoria vossa vem misturada com as das partes e se perde ou apodrece as das partes dizem que é da Vossa Alteza e assim tomam outra tanta da vossa são para si e fica a pôdre para vós e assim que nunca se perde nada das partes que quanto se perde tudo é de Vossa Alteza e o seu sempre fica...."
À MARGEM

Afonso de Albuquerque, além de um homem de grande valor é um guerreiro indomável. Depois de ter conquistado Ormuz em 1507, Goa em 1510, sonha e tornou em realidade a criação de um império português na Ásia. Em 1509 sucede, com o título de Governador da Índia, o vice-Rei D. Francisco de Almeida. O nome de Albuquerque foi respeitado e temido em todo o Oriente. Em Lisboa tem muitos inimigos que minam a honestidade do fidalgo ilustre.

D.Manuel I, deixa-se influnciar e aceita as mentiras, tira-lhe o Governo e entrega-o a Lopo Soares de Albergaria, o seu mais directo rival. Albuquerque não consegue sobreviver ao desgosto da humilhação e morre em 1515. Os fidalgos do tempo de sua governação, aqueles que não foram depostos das suas funções depois de ter falecido, continuaram a ser-lhe fieis, embora, como é óbvio, Lopo Soares de Albergaria, persegue-os e tolhe-lhes os movimentos. São homens de Albuquerque que escrevem cartas denunciantes a D. Manuel I, que pouco efeito, as acusações, produzem.
O Rei está com o Albergaria. No entanto este colhe os frutos saborosos das conquistas do grande general. Os interesses pela pátria portuguesa não cuidam os nobres fidalgos da Corte de D. Manuel I. A anarquia instalou-se por todo o Oriente e, "mais cuidavam dos seus ganhos pessoais", que a servidão a favor da monarquia que representa o Povo.

José Martins